International Journal of Intangible Heritage, vol. IV, 2009

November 24, 2009 by Ana Carvalho

Foi publicado o 4.º número da revista “International Journal of Intangible Heritage” (http://www.ijih.org/)

Sobre a revista:

The International Journal of Intangible Heritage is an annual refereed academic and professional English language journal dedicated to the promotion of the understanding of all aspects of the intangible heritage of the world, and the communication of research and examples of good professional practice.

Este número tem uma pequena contribuição portuguesa. Paulo Ferreira da Costa apresentou um “short paper” sobre o papel do IMC na elaboração de um inventário nacional para o Património Cultural Imaterial. “Drawing-up a nation-wide inventory of intangible heritage in Portugal” é o título do texto.

Conteúdos:

Foreword – Shin Kwang Seop, Chairperson, Editorial Advisory Committee & Director, the National Folk Museum of Korea

Editorial – Amareswar Galla, Editor-in-Chief, Editorial Committee & Professor of Museum Studies, the University of Queensland

Main Papers

Finding the ‘First Voice’ in rural England: the challenges of safeguarding intangible heritage in a national museum – Rhianedd Smith

Conceptualising intangible heritage in the Tropenmuseum, Amsterdam: the Layla and Majnun story as a case study – Sadiah Boonstra

Reading the intangible heritage in tangible Akan art – Kwame Amoah Labi

Let the objects speak: online museums and indigenous cultural heritage – Saskia Vermeylen & Jeremy Pilcher

Len Dong- spirit journeys in contemporary urban Vietnam – Ngo Duc Thinh

Investigative research towards the designation of shamanic village rituals as ‘intangible cultural properties’ of the Seoul Metropolitan Government – Yang Jongsung

Safeguarding intangible heritage: five key obstacles facing museums of the North East of England – Michelle L. Stefano

Short Papers, Reports & Reviews

Seeking tangible benefits from linking culture, development and intellectual property – Wend B. Wendland

Drawing-up a nation-wide inventory of intangible heritage in Portugal – Paulo Ferreira da Costa

Investigating the impact of World Heritage site tourism on the intangible heritage of a community: Tsodilo Hills World Heritage site, Botswana – Susan Keitumetse & Olivia Nthoi

The role of cultural and heritage education at Bakoni Malapa Open Air Museum: demonstrations of cultural practices and craftwork techniques – Dan Musinguzi & Israel Kibirige

Brief Biographies of the Contributors
Instructions to Contributors

Tese Dout. “Colecções e Museus Geológicos Portugueses: Valores Científico, Didáctico e Cultural”

November 23, 2009 by Ana Carvalho

Colecções e Museus Geológicos Portugueses: Valores Científico, Didáctico e Cultural
Autor: José Manuel M. V. Brandão
Orientadores: Prof. Doutor João Carlos Brigola e Prof. Doutor Josep Maria Mata-Perelló (Universidade Politécnica da Catalunha)
Dissertação apresentada à Universidade de Évora para obtenção do grau de Doutor em História e Filosofia da Ciência
Ano: 2009. Tese defendida a 9 de Outubro.

Obs.: Poderá encontrar esta tese na biblioteca da Universidade de Évora bem como na Biblioteca Central do IMC (a seu tempo, pois creio que estes procedimentos levam algum tempo). E, claro, na biblioteca nacional…)

RESUMO:

Com o presente estudo pretendeu-se identificar e caracterizar uma amostra representativa das diversas colecções de objectos geológicos actualmente existentes sob diferentes tipos de tutela, pública e privada, no território nacional (continente e Regiões Autónomas). Os principais objectivos respeitam à avaliação do potencial científico e cultural dessas colecções e ao diagnóstico das respectivas condições de conservação e acessibilidade.

A título de contexto e comparação, fez-se um pequeno historial do percurso deste tipo de acervos e uma abordagem geral de conceitos no domínio da gestão de colecções, particularmente focada nos materiais geológicos, referindo-se alguns exemplos da cena internacional.

Considerando a emergência da problemática ambiental e do paradigma da geoconservação, abordou-se também a problemática da ligação entre a preservação e a fruição pública do património geológico in situ e as colecções museológicas que, sob a forma de bens móveis, documentam os fenómenos e produtos geológicos cujo conjunto configura a geodiversidade às diferentes escalas de observação.

Os casos exemplares referidos no texto, que se repartem de uma forma assimétrica pelo território português, foram agrupados em quatro categorias segundo as respectivas tutelas: colecções e museus universitários, colecções e museus na dependência de organismos da Administração Central e Regional do Estado, colecções e museus sob tutela de órgãos autárquicos e colecções e museus ligados a entidades de direito privado. Para cada uma destas categorias, tentou proceder-se à leitura global dos materiais existentes, do modo como estão documentados, de eventuais problemas de conservação e segurança e dos recursos humanos envolvidos na sua gestão. Pela sua importância pedagógica e visibilidade, abordam-se igualmente alguns dos novos Centros de Ciência e Centros de Interpretação, focados em temáticas de carácter geológico.

Conclui-se com uma apreciação global do “estado da arte”, reveladora de diversas insuficiências que se manifestam sobretudo ao nível dos recursos financeiros e humanos, ao nível da documentação e da divulgação dos diversos acervos encontrados. No entanto, verificou-se que, no seu conjunto, estes acervos documentam a geovariedade e a infra-estrutura geológica nacional, manifestando um potencial científico e cultural elevado, constituindo um recurso essencial para a investigação em Ciências da Terra e da Vida e para a divulgação da cultura geocientífica.

ABSTRACT

With this study we set out to identify and characterize a representative sample of the various collections of geological objects existing under different types of guardianship, public and private, within the national territory (mainland and the autonomous regions). The main aims of this work concern the assessment of the scientific and cultural potential of these collections and the diagnosis of conditions for their preservation and accessibility.
By way of context and comparison, a small historical pathway was set out for this kind of collections and a general approach of concepts in the domain of the collections management, specially focused on the geological materials, referring to some examples of the international scene.
Considering the emergence of environmental problems and the paradigm of geoconservation, it was tackled up the question of the connection between preservation and public enjoyment of in situ geological heritage and the museum collections which, in the form of movable heritage, document the geological phenomena and products which together set the geodiversity to different scales.
The exemplary cases referred to in the text, which are dispersed in an asymmetric way around the Portuguese territory, were grouped into four categories according to their guardianship: university collections and museums, collections and museums in reliance on services of Central and Regional Administration of the State, collections and museums under the supervision of local authorities and, collections and museums connected to private entities. For each of these categories, we tried an overall understanding of the existing materials and the way they are documented, the eventual conservation problems and safety, and human resources involved with their management. Because of its educational importance and visibility, there are also mentioned some of the new Science and Interpretation Centres, focused on geological themes.
It has been concluded with an overall assessment of the “state of the art”, that reveals several shortcomings which occur mainly at the level of financial and human resources, at the documentation and diffusion of the various collections found. However, it was found that, overall, these collections document the geodiversity and geological national infrastructure, expressing a high cultural and scientific potential, establishing an essential resource for the Earth and Life Sciences research and for a geoscientifical culture.

RESUMEN

Con este estudio nos propusimos identificar y caracterizar una muestra representativa de las distintas colecciones de objetos geológicos actualmente existentes bajo de los diferentes tipos de tutela, pública y privada, en el territorio nacional (continental y las regiones autónomas). Los principales objetivos están enfocados en una evaluación del potencial científico y cultural de estas colecciones y un diagnóstico de las condiciones necesarias para su preservación y accesibilidad.
A modo de contexto y comparación, se hizo un poco de historia del recorrido de esas colecciones y un enfoque general de los conceptos en la gestión de las colecciones, en particular, centrada en el material geológico, refiriéndose también a algunos ejemplos a nivel internacional.
Teniendo en cuenta la aparición de las consideraciones ambientales y del paradigma de la geoconservación, se abordó la cuestión de la relación entre la preservación y el disfrute público del patrimonio geológico in situ y las colecciones de los museos que, en forma de bienes muebles, documentan los fenómenos y los productos geológicos que en su conjunto permiten caracterizar la geodiversidad a diferentes escalas de observación.
Los casos ejemplares referidos en el texto, que se distribuyen de una manera desigual por el territorio portugués, se agruparon en cuatro categorías en función de su tutela: colecciones y museos universitarios, colecciones y museos bajo la dependencia de los organismos de la Administración Central y Regional del Estado, colecciones y museos, bajo la supervisión de los órganos locales, colecciones y museos vinculados a entidades privadas. Para cada una de estas categorías, se intento hacer una lectura de los materiales, la forma en que están documentados, los más importantes problemas de conservación, seguridad y recursos humanos que participan en su gestión. Por su importancia educativa y su visibilidad pública, también se abordó algunos de los nuevos Centros de Ciencia y Centros de Interpretación, ubicados en temas o problemáticas de naturaleza geológica.
Se concluye con una evaluación global del estado del arte, indicador de varias deficiencias que se manifiestan principalmente a nivel de recursos financieros y humanos, en la documentación y en la difusión de las diversas colecciones. Sin embargo, se constató que, en general, estas colecciones, que documentan la geodiversidad y la infraestructura geológica nacional, expresan un alto potencial científico y cultural, constituyendo un recurso esencial para la investigación en Ciencias de la Tierra, la Vida y la divulgación de la cultura geocientífica.

Publicações do IMC com descontos até 90%

November 20, 2009 by Ana Carvalho

Como vai sendo hábito o IMC promove o Natal do Livro, sendo possível encontrar publicações com vários descontos que podem chegar aos 90%. Campanha válida de 17 de Novembro a 31 de Dezembro.

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Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa

November 19, 2009 by Ana Carvalho

Apresentação do “Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa”.
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Anfiteatro Manuel Valadares
18 Nov. 2009

Teve lugar ontem, tal como havíamos anunciado aqui no blogue, a apresentação pública do “Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa”.

Coube a Marta Lourenço algumas notas introdutórias sobre os aspectos fundamentais desta iniciativa e de seguida Marcus Granato (Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro) desenvolveu com maior detalhe aspectos concretos do projecto.

Património Científico Português – um património a ser preservado! De facto, como bem sublinhou Marta Lourenço este tem sido um património negligenciado em Portugal. Falta um plano à escala nacional que proteja e promova este património, envolvendo vários ministérios. Sobre o que tem sido feito nesta área pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, Marta Lourenço (coordenadora) destacou algumas linhas de intervenção:

-Desenvolvimento de Investigação e Ensino Pós-graduado em Património Científico e Cultura Material da Ciência (Hist. da Ciência) (2006)

-Levantamento do Património Cientifico Português (UC+ UP) (2006). O conhecimento sobre as colecções existentes no país, que dimensão e características é muitas vezes inexistente. Neste sentido é necessário desenvolver metodologias que permitam sistematizar a informação e promover o seu conhecimento.

-Divulgação do Património Científico Português na esfera internacional (2007)

-Programa de apoio a instituições com património científico (2008). Neste momento nove instituições portuguesas estão a receber apoio.

-Normas Gerais de Inventariação e Conservação de Instrumentos Científicos – Thesaurus de Instrumentos Científicos de Língua Portuguesa (+ MAST)

O que é afinal um thesaurus?

Sumariamente, pode dizer-se que um thesaurus cumpre três propósitos. Primeiramente, serve para controlar a terminologia, refere os termos que deverão ser utilizados e os que não deverão ser utilizados. Para além disso, explica o que significa cada um dos termos usados na lista. Finalmente, permite hierarquizar a informação (para uma explicação mais aprofundada consulte a página do ministério da cultura francês sobre a base de dados JOCONDE e onde se apresenta uma breve explicação sobre o que é um thesaurus: (http://www.culture.gouv.fr/)

Marta Lourenço sublinhou que em Museus de Ciência, ao contrário do que acontece com outras tipologias de museus, não se conhecem muitos exemplos de thesaurus publicados. Sobre esta matéria a conferencista fez referência ao thesaurus publicado pelo Museu do Índio (+IPHAN), cuja referência é a seguinte:

Motta, Dilza Fonseca da – Tesauro de cultura material dos índios no Brasil. Colaboração de: Leandra de Oliveira. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2006. 249 p. ISBN 8585986085.

E fez-se ainda menção a um thesaurus criado no seio dos museus de França (Thesaurus des objects mobiliers?) que inclui os instrumentos científicos.

Como um dos exemplos mais importantes de thesaurus na área dos museus foi referido o instituto Getty, que tem um thesaurus online para a arte e arquitectura (http://www.getty.edu/) (entre outros thesaurus) (No menu deste blogue, na categoria “Documentation & Cataloguing” pode encontrar um conjunto de links interessantes para esta área).

Está previsto que o Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa seja publicado em livro, em DVD e apresentado num portal web para consulta de todos. A configuração do portal ainda está a ser discutida, mas tudo indica que terá um motor de busca, um fórum, um banco de imagens e acesso às bases de dados das instituições que participam no projecto.

Marcus Granato começou a sua comunicação por dar a conhecer os antecedentes do projecto, que recuam a 1999 e explanou sobre as motivações subjacentes ao projecto. O objectivo geral deste projecto é efectivamente a criação do thesaurus, mas em concreto pretende-se:

1. Levantar, identificar e pesquisar os termos utilizados pelas instituições detentoras de acervo científico de carácter histórico
2. Classificar, padronizar, controlar e relacionar as terminologias utilizadas
3. Pesquisar e definir imagens padrão a serem utilizadas nos instrumentos (Como vamos fotografar?)
4. Produzir o thesaurus com notas explicativas e procedimentos de utilização
5. Disponibilizar os resultados do trabalho

Em Portugal fazem parte da rede as seguintes instituições:

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (Instituição Coordenadora)
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Museu de Ciência da Universidade do Porto
Museu da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

No Brasil:

Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro (Instituição Coordenadora)
Museu de Ciência e Técnica da Universidade Federal de Ouro Preto
Museu Dinâmico de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Juiz de Fora
Museu da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Colégio Pedro II, Rio de Janeiro
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Ministério de Ciência e Tecnologia

“No Mundo dos Museus” felicita Marta Lourenço e toda a equipa pelo projecto e excelente trabalho que têm feito neste domínio. Este é um exemplo de que o trabalho em equipa e em rede pode trazer bons resultados. Talvez este projecto possa inspirar outras iniciativas na área da normalização em Portugal.

Site da exposição “Aventura da Terra – Um Planeta em evolução”

November 19, 2009 by Ana Carvalho

exposição aventura terra

“A Aventura da Terra: um Planeta em Evolução” é uma exposição organizada pelo Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa a inaugurar no dia 19 de Novembro de 2009. Para divulgação da exposição o museu criou um site: http://aventuradaterra.aeiou.pt/exposicaomnhn

“Thesaurus de Instrumentos Científicos”, divulgação do projecto, 18 Nov. 2009

November 18, 2009 by Ana Carvalho

Transcrevemos, em baixo, email de Marta Lourenço e Marcus Granato sobre o projecto de thesaurus para colecções de instrumentos científicos. O tema suscita muito interesse, já que em Portugal não temos trabalhado muito na área da normalização, nomeadamente a criação de thesaurus, sobretudo na área dos museus.

Projecto ‘Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa

Apesar de existirem vários thesauri para museus, nunca foi desenvolvido um instrumento sistemático de referência para controlo e uniformização terminológica de colecções de instrumentos científicos em língua portuguesa (nem em outras línguas, de resto).

O ‘Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa’, um projecto de cooperação internacional iniciado em 2006 e envolvendo uma rede de 12 instituições de Portugal e do Brasil (ver lista em baixo), pretende dar resposta a esta necessidade.

De âmbito lusófono e pioneiro na sua natureza e na metodologia, o projecto tem um interesse múltiplo para a comunidade científica, para os profissionais de museus e para a sociedade em geral. Permitirá, por um lado, contribuir para o conhecimento nas áreas da museologia da ciência e da história da instrumentação. Constituirá um instrumento simples para os profissionais de museus, facilitando a gestão de colecções e as novas acessibilidades através da sociedade da informação. Finalmente, possibilitará uma maior visibilidade e reconhecimento do património científico, quer através da sua organização e acessibilidade a investigadores quer através da sua divulgação ao público em geral.

O Projecto é coordenado pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (MCUL) e pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro (MAST).

Será apresentado publicamente, dia 18 de Novembro, no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, pelas 17 h (Anfiteatro Manuel Valadares),

Marta Lourenço, MCUL
Marcus Granato, MAST

REDE

Portugal
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (Instituição Coordenadora)
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Museu de Ciência da Universidade do Porto
Museu da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

Brasil
Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro (Instituição
Coordenadora)
Museu de Ciência e Técnica da Universidade Federal de Ouro Preto
Museu Dinâmico de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Juiz de Fora
Museu da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Colégio Pedro II, Rio de Janeiro
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Ministério de Ciência e Tecnologia

O Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo Conselho Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Conta com o apoio do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT – Pólo da Universidade de Lisboa).
Fonte: Lista de discussão MUSEUM

A situação actual da arqueologia

November 18, 2009 by Ana Carvalho

MEMORANDO

A SITUAÇÃO ACTUAL DA ARQUEOLOGIA EM PORTUGAL E AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS

A Arqueologia constitui hoje uma importante actividade profissional, cultural e científica, com uma crescente expressão económica, sendo não só um importante factor de reforço da identidade colectiva, como também uma área estratégica relevante para o desenvolvimento sustentável, a nível local, regional e nacional;

Na sequência da corajosa decisão do governo de António Guterres e Manuel Carrilho de suspender, em 1996, a construção da barragem e Foz Côa para salvar o maior complexo de Arte Rupestre da Europa, classificado como Património da Humanidade em 1999, e da criação do Instituto Português de Arqueologia (IPA), em 1997, cuja missão principal era impedir que novas situações como a da barragem do Côa viessem a surgir, verificou-se um crescimento exponencial da actividade arqueológica em Portugal. Porém, esse crescimento, não foi acompanhado pela indispensável consolidação das infraestruturas necessárias ao enquadramento dessa actividade por parte do Ministério da Cultura.

Após a queda do governo socialista, em 2002, o processo de instalação do IPA foi bruscamente interrompido, não tendo os seus quadros chegado a ser preenchidos (mais de 50% do seu pessoal manteve-se em situação de grande precariedade), sendo mesmo anunciada a intenção de fusão do IPA com o IPPAR. Essa anunciada fusão, na altura muito contestada, não só por toda a comunidade arqueológica, mas pelo próprio grupo parlamentar do PS, acabaria, porém, por ser concretizada, em 2007, pelo governo do PS, no âmbito do PRACE.

As consequências da extinção do IPA e da integração dos seus serviços IGESPAR foram muito negativas, diminuindo gravemente a
operacionalidade dos serviços prestados, e pondo em sério risco a
salvaguarda, a preservação e a valorização do património arqueológico
do país. Com efeito, não só se criou uma enorme indefinição de
competências entre o IGESPAR e as Direcções Regionais de Cultura,
como mesmo ao nível interno do IGESPAR se gerou um conflito permanente entre os serviços centrais e as estruturas desconcentradas herdadas das três instituições que o IGESPAR era suposto integrar.

Perante o enorme imbróglio criado, deu-se um nítido enfraquecimento da autoridade e da eficácia normativa e fiscalizadora do Estado na área
do património arqueológico e arquitectónico, habilmente aproveitada
por alguns promotores de obras públicas e privadas para contornarem as obrigações legais, no que respeita à minimização dos impactes sobre o património.

Mais grave do que isto se nos afigura a falta de empenhamento
demonstrada pelos actuais dirigentes do IGESPAR em defender os
interesses difusos dos cidadãos em detrimento dos interesses privados
e imediatos dos particulares e das grandes empresas promotoras de
obras públicas e privadas, bem como dos interesses políticos locais,
colocando-se numa inaceitável posição de subserviência, como que a
pedir desculpa pelos entraves postos pela legislação em vigor ao livre
exercício das suas actividades económicas.

Nestas circunstâncias, afiguram-se da maior importância as seguintes medidas:

1. Abertura ao público do Museu de Arte Rupestre do Côa e sua
integração no Parque Arqueológico do Vale do Côa, a fim de poder
cumprir a função para que foi criado: servir de polo dinamizador da
visita às gravuras e de centro internacional de investigação da arte
rupestre;

2. Restruturação do Ministério da Cultura, no sentido de restabelecer
a autonomia orgânica e funcional do sector de Arqueologia, e eventual
refundação do extinto IPA, com atribuições mais alargadas;

3. Regulamentação da Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro (Lei de Bases do Património Cultural Português), no que respeita ao património
arqueológico;

4. Constituição e convocação da Secção de Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, criado em 2007 (Dec.regulamentar nº35/2007, de 29 de Março), mas que nunca reuniu,
para ajudar a definir e a desenvolver uma política nacional de
património coerente;

5. Revisão do Regulamento de Trabalhos Arqueológicos, de modo a
adequá-lo à realidade actual da actividade arqueológica;

6. Criação de um mecanismo eficaz de certificação e fiscalização da
actividade empresarial no sector da Arqueologia, tanto do ponto de
vista científico como laboral;

7. Reformulação e relançamento do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos (única fonte de financiamento de projectos de
investigação arqueológica), suspenso nos últimos anos;

8. Reabertura da Biblioteca do ex-IPA, a melhor biblioteca
arqueológica do país, cumprindo os compromissos assumidos junto do
Instituto Arqueológico Alemão (entidade que doou o seu núcleo inicial)
e da opinião pública portuguesa;

9. Definição do destino dos laboratórios que integravam o antigo
Centro de Investigação em Paleoecologia Humana e Arqueociências
(CIPA), sob o risco de perda dos seus investigadores mais qualificados
a nível internacional e das suas colecções de referência, únicas no
país, e consideradas das melhores da Europa;

10. Resolução do problema da precariedade da maior parte dos
arqueólogos que exercem funções no Ministério da Cultura, e não
preenchimento das inúmeras vagas existentes nas suas extensões
territoriais, elementos fundamentais para a implementação de uma
arqueologia preventiva e de salvamento;

11. Criação de um regime sócio-profissional específico dos trabalhadores de arqueologia que preveja o acesso e certificação
profissionais, regulamente as relações laborais e melhore a sua
protecção social, a fim de por termo à situação de grande precariedade
em que a esmagadora maioria dos profissionais de arqueologia exerce as suas funções no sector privado, o que se reflecte de forma negativa na ualidade do trabalho realizado.

Lisboa, 27 de Outubro de 2009

A Direcção da Associação dos Arqueólogos Portugueses

Fonte: lista de discussão Museum

João Brigola na direcção do IMC

November 17, 2009 by Ana Carvalho

A confirmar-se a notícia publicada no “Público” (edição online) de ontem, o Professor universitário João Carlos Pires Brigola poderá ser o novo director do IMC. “No Mundo dos Museus” e em nome pessoal gostaria de felicitá-lo e desejar-lhe as maiores felicidades.

João Carlos Pires Brigola tem tido um papel fundamental para o ensino da museologia na Universidade de Évora.

Tendo em conta o momento actual, estamos certos que este será um enorme desafio, mas acreditamos que o Prof. Brigola poderá representar uma mudança positiva para a política museológica portuguesa.

Prémios APOM, 27 de Nov. 09, Vila Franca de Xira

November 17, 2009 by Ana Carvalho

No próximo dia 27 de Novembro de 2009, pelas 18h30, terá lugar no Museu do Neo-Realismo a cerimónia de entrega dos prémios da Associação Portuguesa de Museologia (APOM).

Como vem sendo habitual, a APOM atribui anualmente os seguintes prémios:

- O Melhor Museu Português

- Melhor Exposição

- O Melhor Catálogo

- O Melhor Serviço de Extensão Cultural

E distingue bianualmente:

- O Melhor Trabalho sobre Museologia e/ou A Melhor Obra Museológica

Tudo indica que este ano haverão novidades, novas distinções serão criadas.

Sobre as jornadas de património imaterial em Alcochete

November 16, 2009 by Ana Carvalho

jornadas alcochete PCI 13

Sobre as VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Professor Manuel Viegas Guerreiro”: Tradição, Memórias, Vidas realizadas em Alcochete alguns comentários:

13 Novembro

O encontro começou por formalizar um protocolo entre este centro de investigação e a autarquia de Alcochete para a realização de trabalho no âmbito do património imaterial no domínio da tradição oral, mais concretamente sobre literatura oral tradicional (LOT), designação adoptada pelo Centro de Tradições Populares.

As comunicações foram sendo variadas, dando a conhecer os problemas de trabalho nesta área e divulgando também alguns trabalhos de investigação, alguns deles ligados a este centro de investigação.

Sobre a história deste centro de investigação consulte o site: http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/ctp/

Maria de Lourdes Cidraes
“As lendas históricas: memória e reinvenção”

“Todos os povos, mas também as comunidades locais, tendem a conservar, como testemunho do seu passado ou como elemento identitário, as suas lendas históricas. De origem anónima, surgindo a partir de acontecimentos que relatam e apresentam como verídicos, ou enfabulação erudita de natureza ideológica, as lendas históricas podem ultrapassar a simples função explicativa e alcançar, pela amplificação semântica e pelo reforço do carácter exemplar e da densidade simbólica, a dimensão do mito. Recuperando e reelaborando anteriores tradições lendárias ou míticas, integram-se no imaginário universal e constituem-se em “memória de memórias”, testemunhando, não a veracidade dos factos evocados, mas os contextos culturais em que surgiram ou que foram sendo transmitidas e reinventadas ao longo dos tempos.”

Sobre alguns aspectos desta comunicação, destacam-se os problemas inerentes à classificação das lendas, que muito frequentemente são organizadas e publicadas de acordo com critérios geográficos. Às dificuldades acresce o carácter subjectivo dos sistemas de classificação. Maria de Lourdes Cidraes tem reflectido sobre esta matéria e como proposta de trabalho sugeriu a organização das lendas em quatro tipologias. Esta investigadora sublinhou ainda a importância da recolha como essencial para um conhecimento deste património tão valioso e a sua difusão às novas gerações, recorrendo aos meios tecnológicos de que temos hoje ao nosso alcance.

Cristina Vinagre Alves
“Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós”

“Este projecto foi desenvolvido na Escola Básica 2,3 El-Rei D. Manuel I, no ano lectivo de 2006/07, por duas turmas de 9.º ano em Área de Projecto. Tratou-se de um trabalho de Educação Patrimonial enquanto instrumento de literacia cultural.
Teve como objectivos essenciais a motivação básica e a experiência directa relativamente ao património imaterial para se chegar à sua compreensão e valorização, num processo contínuo de descoberta. Partiu do passado para ajudar a compreender o presente e assim ajudar a projectar o futuro. Conseguiu dar voz a quem normalmente não tem. Conseguiu o desenvolvimento da auto-estima dos avós e a valorização da sua cultura, como Paulo Freire defende, “o reforço e a capitação para o exercício da auto-afirmação”.

Em nosso entender um projecto exemplar sobre a valorização do património imaterial envolvendo as comunidades para a sensibilização sobre a importância deste património. Um trabalho de parceria que incluiu o museu municipal, comprovando que os museus podem ser agentes e parceiros importantes nesta área.

Thierry Proença dos Santos
“Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense”

“Nesta comunicação, observaremos uma prática discursiva bastante comum na imprensa diária madeirense com interesse sociocultural: o de expandir o estereotipado anúncio necrológico com mensagens pessoais. Tal abordagem permitirá reflectir sobre os discursos da elegia fúnebre, do elogio “in memoriam”, sublinhando a importância que assume a “expressão do luto” nas relações familiares e sociais.
Analisaremos alguns exemplos que dão conta da configuração desses anúncios personalizados. A nossa pretensão é a de demonstrar que este tipo de fonte pode conter um grande interesse quer no âmbito da etnologia da imprensa (enquanto reflexo da vida social de uma comunidade), quer sobretudo no âmbito de uma expressão literária e afectiva.”

Cíntia Mendes
“O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista!”

“A Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 foi, até há poucos anos, constituída por músicos amadores, profissionais de outras área que encontraram na música o seu modo de estar na vida sem nunca concretizarem a ambição de “viver da música”.
Foram salineiros, trabalhadores rurais, operários fabris e marítimos, em comum uma paixão, a música!
Com os testemunhos destes homens, analisando o tecido social do Concelho de Alcochete, podemos perceber como viviam os trabalhadores – músicos, como conseguiram manter duas actividades tão exigentes a maior parte das vezes em condições de grandes carências e cansaço físico.
É uma pequena viagem a outras épocas feitas de sal e música, de suor e alegria.”

Francisco Melo Ferreira
Carlos Patrício
“Memória, Percepção e Identidade”

“Nesta comunicação, começaremos por abordar o significado da memória e dos processos culturais envolvidos na criação de tradições locais. Tentaremos, de seguida, propor uma tipologia de processos ligados à tradição e as suas diferenças leituras enquanto texto, arena e “performance”. Interessa-nos, em particular, a relação entre a memória construída de determinados lugares e a sua percepção espacial.
A memória não é, no entanto, um território fixo em que se vão acumulando os resultados da experiência das comunidades humanas. Através de um processo de permanente reajustamento e reinterpretação, cada época vai ajustando o seu passado às conveniências funcionais do seu presente.
Neste contexto, as identidades locais dependem de processos de identificação das suas especificidades, chegando mesmo a assistir-se ao aparecimento de identidades fictícias, não enraizadas na memória individual e colectiva, que, embora desempenhem um pretenso papel funcional nas economias locais, constituem, por vezes, exemplos grotescos de folclorização da diferença.
Perante a crescente desvalorização de referenciais de identidade espacial, é provável que o “espaço imaginado”, ou melhor, a “dimensão imaginada do espaço”, venha a ganhar amplitude horizontal, mas acabará por perder, em tais circunstâncias a dimensão identitária da sua correspondente profundidade temporal, fazendo com que passemos a viver à tona de um espaço de anonimato e de progressiva falência cultural, de que restarão apenas, na breve espuma dos dias, detritos mas não testemunhos, cicatrizes mas não lembranças, sinais de velhice mas não histórias de vida.
Apesar de tudo, e por muito que custe aos arautos da globalização, “ninguém mora no mundo em geral”, e no sentimento de identidade territorial, embora difícil de definir, mas impossível de negar, parece destinado a converter-se em marco geodésico da nossa capacidade de orientação e em matriz de referência semântica da nossa posição relativa em diversas escalas de envolvência, funcionando como “santo e senha” na nossa acrescida relação com o diferente.
Conforme acentua Onésimo Almeida (1995), “a identidade, sendo diferença, não implica oposição e por isso nada tem de necessariamente anti-universal. […] Ao longo da vida, a nossa identidade vai-se alargando (deve alargar-se) para o universal. Mas todo o universal tem o seu chão.”

O tema da identidade, sempre tão discutível foi abordado na sua relação com a memória. Uma comunicação capaz de provocar reflexão, também pela extraordinária oratória dos conferencistas.

Cláudia Diogo
“Ficção e realidade em histórias pessoais de Monchique”

“Bruxedos, aparecimentos de zorras, ruídos estranhos e presenças invisíveis foram acontecimentos vividos e relatados por habitantes da Serra de Monchique, no Algarve, num trabalho de recolha etnográfica. Momentos de histórias de vida, onde o sobrenatural, o inexplicável e o insólito reflectem quotidianos de outrora e crenças fortemente enraizadas.”

Iolanda Nunes
Rute Nunes
“Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete”

“Nesta apresentação serão abordadas as recolhas efectuadas no âmbito do trabalho de pesquisa da disciplina de Literatura Oral e Tradicional, em 2003 e em 2004.
Os “corpora” recolhidos em Alcochete serão analisados tendo por base a sua relação com os usos e costumes desta vila ribeirinha.
Com os trabalhos elaborados e com esta apresentação pretende-se dar a conhecer composições orais desta localidade e não permitir que esta riqueza se perca.”

Sónia Ferreira
“Memória e Trabalho: quotidianos operários durante a II Guerra Mundial”

“Devido à centralidade que o trabalho assume junto das comunidades operárias, considera-se que estas tendem a construir uma “percepção do tempo criada pelas temporalidades do emprego” (Fentress e Wickman, 1992: 150). Esta precisão temporal não garante o rigor mas proporciona alguma linearidade na evocação, tal como as genealogias familiares igualmente o farão.
A partir do estudo de caso de um grupo de operárias de Almada, durante o período correspondente à II Guerra Mundial, procurarei analisar a forma como a memória destas mulheres, individualmente e em grupo, evoca os ritmos quotidianos do trabalho, o tempo privado e o tempo público, o quotidiano e a excepção, constituindo o espaço da fábrica, porque ligados à família e à redes sociais significativas, um lugar de destaque em todo este processo.”

Paulo Lima
“Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário”

“A Direcção Regional de Cultura do Alentejo está, desde 2007, a implementar uma estratégia para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial desta região. Esta estratégia tem por base dois documentos essenciais: “As directrizes para a criação dos Tesouros Humanos Vivos” e a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”, ambos da UNESCO. Toda esta estratégia está construída dentro de uma acção denominada Programa IDENTIDADES – programa para a salvaguarda do património imaterial do Alentejo.
Um dos projectos fundamentais é a criação de um arquivo digital que permita criar uma efectiva estratégia de salvaguarda. Este inventário, partindo da relação entre património natural, móvel imóvel e imaterial, procura criar, assim, um entendimento entre território, paisagens e identidades. Será este projecto a base da nossa comunicação.”

Um comentário à laia de introdução sobre esta comunicação. É preciso lembrar que no contexto da tutela do património cultural imaterial (PCI) as Direcções Regionais de Cultura (DRC) assumiram recentemente um papel importante na salvaguarda deste património. Estas estruturas regionais são o resultado da fusão de vários serviços ligados ao património arqueológico e arquitectónico que existiam anteriormente com gestão autónoma. Para além disso, importa dizer que o campo de actuação destas novas estruturas veio a alargar-se significativamente no seguimento deste novo cenário administrativo despoletado pelo programa PRACE. Através de legislação específica (Decreto Regulamentar n.º 34/2007, de 29 de Março) ficou estipulado que em matéria de PCI as DRC deverão apoiar a inventariação de manifestações culturais tradicionais imateriais, individuais e colectivas, nomeadamente através do seu registo videográfico, fonográfico e fotográfico. (Art. 2.º, h). Por outro lado, deverão ainda apoiar agentes, estruturas, projectos e acções de carácter não profissional nos domínios artísticos e da cultura tradicional (Art. 2.º, c). Isto é, compete às Direcções Regionais de Cultura replicar a acção do Ministério da Cultura no território e, neste caso concreto, cabe-lhes um papel claramente instrumental em matéria de inventariação do PCI. Em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC neste domínio são evidentes, sendo a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (http://www.cultura-alentejo.pt/) a que efectivamente lançou um programa com sérias intenções em matéria de salvaguarda do PCI.
Paulo Lima enquadrou, em traços gerais, o trabalho que têm vindo a desenvolver neste domínio, nomeadamente assegurar a criação de uma rede de espaços no Alentejo, onde de algum modo se pudesse trabalhar com o imaterial e com as comunidades e, ainda, uma rede “Artes da Fala”, que implica por exemplo a organização de festivais para que haja lugar para a expressão destas manifestações. Sublinhou-se ainda o papel do inventário e a escolha de um “software” da empresa “Sistemas do Futuro” por permitir o cruzamento, em termos de inventário, com outros patrimónios, prevalecendo uma abordagem integrada do património.

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14 de Novembro
Workshop – “Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional”
Por Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral

“Abordagem dos três momentos nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional: preparação, realização e tratamento. Cada um destes momentos implica outras questões relevantes, como a contextualização, a própria escolha do material audio-visual e, no após recolha, a transcrição e a classificação dos especímenes recolhidos. Outras questões prendem-se, ainda, com a sistematização dos “corpora” obtidos.”

Uma introdução ao tema referiu que a Literatura Oral Tradicional fazia parte do dia-a-dia das famílias, mas as alterações sócio-económicas e com o progresso tecnológico levaram a um certo desuso da Literatura Oral Tradicional. Por exemplo, a mecanização so trabalho levou ao desaparecimento das cantigas de trabalho. Como se disse, de certa maneira, o modo de vida urbano estendeu-se ao meio rural. E neste sentido os hábitos têm vindo a uniformizar-se. Sobre esta questão fez-se também referência ao papel da UNESCO, que tem vindo a chamar a atenção para estes problemas e cuja Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de 2003 é um documento emblemático nesta matéria. Sobre a designação “Literatura Oral Tradicional” (LOT), recorrente ao longo destas jornadas, trata-se de um termo adoptado pelo Centro de Tradições Populares (CTPP) para esta área de trabalho e que foi criada por João David Pinto Correia, actual director deste centro. Segundo Teresa Amaral, as composições de LOT são transmitidas de geração em geração, fazendo parte do património colectivo. “É aquele texto que fica na boca do povo. São textos “fixados”, recriados em cada performance, que conjugam vários discursos – linguístico, gestual e musical.” Como características gerais, as composições de LOT pontuam por apresentar um “conteúdo condensado, economia de meios expressivos, descrição praticamente ausente e por uma adjectivação reduzida.”
Coube a Lina Santos Mendonça fazer referência às questões que se prendem com a metodologia do trabalho de campo no âmbito da recolha da LOT, nomeadamente as fases que constituem o trabalho e várias recomendações gerais.
Falou-se ainda de sistemas de classificação para a LOT, designadamente a necessidade da classificação estar em contínua actualização, em consequência do trabalho de campo com as comunidades, que vai abrindo novas possibilidades. Ana Morão sublinhou os problemas associados à classificação, desde logo problemas que se prendem com a identificação, com a erosão do tempo e com a contaminação entre expressões, para referir apenas alguns.

Conferência “Museus e Sociedade”, Caminha, 27 Nov. 09

November 12, 2009 by Ana Carvalho

A Câmara Municipal de Caminha vai levar a efeito no dia 27 de Novembro de 2009 a 4ª edição da Conferência Museus e Sociedade.

Este evento, que anualmente se realiza na Vila de Caminha, reúne especialistas da área da museologia num debate de ideias e experiencias de quem todos os dias se debate com as questões dos públicos dos museus e da relação que estes estabelecem com as comunidades e pelas quais são, directa ou indirectamente, influenciados.

Este ano a Conferência Museus e Sociedade conta com a presença do Dr. Ricardo Nicolau, da Fundação Museu de Serralves, do Dr. Álvaro Garrido, do Museu Marítimo de Ílhavo, da Dra. Silvana Bessone do Museu Nacional dos Coches, do Dr. João Teixeira Lopes, da Universidade do Porto, e do Dr. Carlos Teixeira do Museu Amadeo Sousa Cardoso.

A inscrição no evento é gratuita e pode ser efectuada através do e-mail museu@cm-caminha.pt ou do n.º 91 23 00 222.

Fonte: Informação enviada por Sérgio Cadilha para a lista de discussão MUSEUM

Jornadas sobre património imaterial em Alcochete, 13 e 14 Nov. 2009

November 10, 2009 by Ana Carvalho

VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Prof. Manuel Viegas Guerreiro”, nos dias 13 e 14 de Nov. 2009

Local: Biblioteca Municipal de Alcochete
A entrada é livre, mas é necessário inscrição prévia (212348652)

As VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Prof. Manuel Viegas Guerreiro” realizam-se em Alcochete, no âmbito do Acordo de Cooperação estabelecido entre esta Unidade de I&D e a Câmara Municipal de Alcochete, reflectindo a preocupação de ambas as entidades com a preservação do Património Cultural Imaterial, cuja recolha, investigação e sustentabilidade são hoje uma prioridade para os organismos nacionais e internacionais, merecendo o apoio da UNESCO e tendo Portugal já ratificado a Convenção para a sua salvaguarda.

Assim, a Câmara Municipal de Alcochete, consciente da riqueza cultural do seu Concelho, deseja conservar este património para as gerações futuras, tendo vindo a desenvolver o projecto Plano das Memórias do Concelho de Alcochete.

O Centro de Tradições Populares Portuguesas, por sua vez, constitui de há muito um espaço de reflexão e de investigação científica nos domínios multidisciplinares da Literatura Oral e Tradicional, das Tradições Populares Portuguesas, da Etnografia, da Linguística e do Imaginário Cultural.

Estas Jornadas pretendem ser um espaço de partilha. Por isso, o seu programa é abrangente, dele constando diversas comunicações que abordam questões ligadas à recolha, conservação e estudo do Património Imaterial.

Programa:

Dia 13 de Novembro
9h30 Recepção e entrega de documentação
10h00 Sessão de abertura

Luís Miguel Carraça Franco
Presidente da Câmara Municipal de Alcochete
João David Pinto-Correia
Coordenador Científico do Centro de Tradições Populares Portuguesas
Formalização do protocolo entre a CMA e o CTPP

Primeiro painel
10h40 Maria de Lourdes Cidraes
As lendas históricas: memória e reinvenção
11h00 Pausa para café
11h20 Cristina Vinagre Alves
Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós
11h40 Paulo Lima
Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário
12h00 Cíntia Mendes
O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista
12h20 Debate

Almoço livre

Segundo painel
14h30 Francisco Melo Ferreira e Carlos Patrício Memória, Percepção e Identidade
14h50 Cláudia Diogo
Ficção e Realidade em histórias pessoais de Monchique
15h10 Thierry Proença dos Santos
Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense
15h30 Debate
15h50 Pausa para café
Terceiro painel
16h10 Iolanda Nunes e Rute Nunes
Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete
16h30 Sónia Ferreira
Memória e Trabalho quotidianos operários durante a II Guerra Mundial
16h50 Debate
17h10 Sessão de encerramento
Susana Custódio
Vereadora do Pelouro de Cultura e Identidade Local da Câmara Municipal de Alcochete

Dia 14 de Novembro

09h30-12h30 Workshop
Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral
Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional

Livro: “Museus, Património e Identidade”

November 10, 2009 by Ana Carvalho

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Museus, Património e Identidade
Autor: Fernando Magalhães
Edição: Profedições, 2007
Descrição física: 96 p.
ISBN: 9789728562168

Sinopse

Museus, Património e Identidade é um livro que pretende contribuir para uma compreensão abrangente destes três conceitos e para a relação que mantêm entre si. Ao longo da obra, o autor, investigador na área do património e da identidade, coloca as questões fundamentais da antropologia contemporânea na análise dos factos culturais, em tensão entre tradição e modernidade, e articula a teoria e a prática das questões ligadas ao património e à identidade (in http://www.wook.pt/)

Revista electrónica “Museologia e Patrimônio”

November 9, 2009 by Ana Carvalho

revista electronica

“No Mundo dos Museus” destaca o lançamento do 2.º número da Revista Museologia e Patrimônio. A revista foi criada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, desenvolvido em associação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), no Brasil.

Trata-se de uma revista académica, com sistema de avaliação a cargo de um Corpo Editorial integrado por especialistas de diferentes países. Aceita contribuições inéditas nos seguintes idiomas: português, espanhol, inglês e francês. Salvo excepções, os artigos submetidos serão editados nos idiomas de origem.

Foram publicados até ao momento dois números, o primeiro em 2008 e em 2009 saiu o segundo (http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/)

Por cá também fazia falta espaços similares onde disponibilizar artigos que reflictam a investigação que se vai fazendo na área dos museus e património.

Revista no1 museologia

Vol. 1, No 1 (2008)
Sumário

Artigos

Itinerários epistemológicos da instituição e constituição da Informação em Arte no campo interdisciplinar da Museologia e da Ciência da Informação – Lena Vania Pinheiro

Patrimônio, conservação e comunicação Interferências da arquitetura do espaço tombado e da conservação do patrimônio exposto na concepção e montagem de exposição temporária no MAST – Marcus Granato, Antonio Carlos de Souza Martins, Luciene Pereira da Veiga

Herança cultural (re)interpretada ou a memória social e a instituição museu Releitura e reflexões – Diana Farjalla Correia Lima

Discurso religioso e patrimônio intangível guarani mbyá – Luiz Borges

O museu, a palavra, o retrato e o mito – Tereza Scheiner

Jesuit Reducciones in the Context of UNESCO World Heritage -Hildegard Vieregg

Comunicação e informação de museus na Internet e o visitante virtual – Rosane Carvalho

Araújo Porto Alegre e o patrimônio arquitetônico do Rio De Janeiro – Nireu Cavalcanti

Revisitando

Sobre o tema “Museologia – ciência ou apenas trabalho prático?” (1980) – Zbynek Stránský

Conferências
PPG-PMUS Inaugural Address – Alissandra Cummins
Museos y patrimonio universal: una mirada desde la Interdisciplinariedad – Amalia Castelli

Relatos de Experiências
Chinese museums’ tradition and changes – Su Donghai
A revitalização do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi: em busca de uma nova relação com o público – Nelson Sanjad

Resenha
Um antropólogo de volta aos museus – Moema Vergara

Resumos/Abstracts
Quando o Museu abre portas e janelas. O reencontro com o humano no Museu contemporâneo – Bruno César Brulon Soares

Em direção à Museologia latino-americana: o papel do ICOFOM LAM no fortalecimento da Museologia como campo disciplinar – Luciana Menezes de Carvalho

A patrimonialização de material genético brasileiro: o estudo de caso da coleção de fungos filamentosos do Instituto Oswaldo Cruz – Roberta Nobre da Câmara

O objeto da museologia: a via conceitual aberta por Zbynek Zbyslav Stránský – Anaildo Bernardo Baraçal

Espaços em Processo de Representação: Praça Floriano Peixoto e Ilha dos Museus – Lucia Helena dos Santos Torres

Faces e interfaces na “poesia das coisas”: exposições museológicas sob o olhar interdisciplinar da Ciência da Informação e da Museologia – Julia Nolasco Leitão de Moraes

Revista no2 museologia

Vol. 2, No 1 (2009)
Sumário

Artigos

Da manchete à notinha de canto: os furtos do patrimônio público, a privatização dos acervos do cidadão/From the headline to the left bottom corner note: the theft of public assets, the privatization of the citizens’ collections – Beatriz Kushnir

Patrimônio industrial: lugares de trabalho, lugares de memória/The industrial heritage: places of work, places of memory – Maria Leticia Mazzucchi Ferreira

Para uma pedagogia do museu: algumas reflexões/For a museum pedagogy: some reflexions- Maria Amelia de Souza Reis, Maria do Rosário Pinheiro

O patrimônio da ciência: importância para a pesquisa/Scientific heritage: its relevance for the research – Marta C. Lourenço

Políticas públicas, políticas culturais e museu no Brasil / Public policies, cultural policies and museums in Brazil – Nilson Alves de Moraes

Ecomuseums in Italy. Concepts and practices / Ecomuseus na Itália. Conceitos e práticas – Maurizio Maggi

Revisitando
A pesquisa no museu e sobre o museu / Possibilities and Limits of Scientific Research typical for the museums – Vinos Sofka

Conferências
Things + Ideas + Musealization = Heritage: A Museological Approach / Coisas + Idéias + Musealização = Patrimônio: Uma Abordagem Museológica – Martin R. Schärer

Resenha

Museus como espaços de produção científica e educação do olhar – Alex Varela

Resumos/Abstracts
Museus de Ciências e Tecnologia no Brasil: uma história da museologia entre as décadas de 1950-1970 / Museums of sciences and technology in Brazil: a history of museology between the decades of 1950 and 1970 – Maria Esther Alvarez Valente

Do Monumento ao Fragmento: o jardim de passados do Museu Casa de Rui Barbosa / From Monument to Fragment: the many pasts of the Garden of Museu Casa de Rui Barbosa – Ana Cristina de Oliveira Sampaio

Espaço Construído: o Museu e suas exposições / Created Space: museums and their exhibitions – Elisa Guimarães Ennes

Sala do Artista Popular: Tradição, Identidade e Mercado / Gallery of the Popular Artist: tradition, identity, market – Luiz César dos Santos Baía

O Museu como Vereda Fértil: a Museologia no Museu de Arte Contemporânea / Museum as Fertile Path: Museology at the Museum of Contemporary Art – Tatiana Gonçalves Martins

Seminário de Etnomusicologia,7 Nov. 09

November 6, 2009 by Ana Carvalho

SEMINÁRIO DE ETNOMUSICOLOGIA
Museu Nacional Soares dos Reis
Porto, 7 de Novembro de 2009

A Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE) e o Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com o Museu Nacional Soares dos Reis, vai organizar no Sábado 7 de Novembro de 2009, um Seminário de Etnomusicologia, seguido de uma Conferência da Prof.ª Salwa Castelo Branco, presidente do referido Instituto, intitulada:

“Etnomusicologia: percurso histórico e tendências actuais”.

O Seminário decorrerá no Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, e terá um número limitado de participantes (30), sendo obrigatória a respectiva inscrição prévia para antonio.huet@gmail.com, o mais urgentemente possível.

Programa

10h00 – Recepção dos participantes

10h30 – 13h00 – Seminário de Etnomusicologia

Maria do Rosário Pestana “A Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral: etnografia, museologia e performance musical na construção do Douro Litoral”

Susana Sardo “Situar as Memórias – Novas formas de encontro com a tradição no quadro dos Ranchos Folclóricos em Portugal”

Maria de São José Corte-Real “Música e Educação numa Perspectiva Etnomusicológica”

João Soeiro de Carvalho “A experiência transcultural na música: Relatividade e Alteridade”

Jorge Castro Ribeiro “Batuku sta na moda: dinâmicas transnacionais da música cabo-verdiana”

13h00 – 14h30 – Interrupção para almoço.

14h30 – 16h00 – Seminário de Etnomusicologia: Debate e Conclusões.

16h00- 16h30 – Pausa Café

16h30 – 18h00 – Conferência seguida de Debate. Aberta ao público.

Salwa Castelo-Branco “Etnomusicologia: percurso histórico e tendências actuais”

18h00 -18h30 – Porto de Honra. Momento musical. Encerramento.

Resumos da Comunicações

“A Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral: etnografia, museologia e performance musical na construção do Douro Litoral”.

Maria do Rosário Pestana

INET-MD – Universidade de Aveiro

A Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral foi um órgão da Junta de Província do Douro Litoral em actividade entre 1937 e 1959. Apesar do âmbito regional desta instituição, a Comissão desenvolveu uma actividade singular no panorama nacional no que se refere ao levantamento etnográfico e histórico-arqueológico da província e à sua imediata divulgação através de um boletim e de uma linha editorial criados para esse efeito, fundou um museu, um arquivo e patrocinou um rancho folclórico e um coro feminino. Essa actividade foi, num primeiro plano, uma resposta à estratégia política de divisão do território nacional e de criação de órgãos diferenciados (e não diferenciadores) implementada pelo Estado. Numa região cujas fronteiras não eram coincidentes com áreas geográficas e humanas prévias, que, nas palavras de um dos seus mentores ‘não o era’, esperar-se-ia a participação na composição de um cenário nacional, num processo de objectificação cultural de âmbito nacional, tal como estava previsto no articulado da Lei. Todavia, a Comissão conseguiu criar um espaço de autonomia e promover formas diferenciadas de pensar e exprimir o seu património. O Douro Litoral, uma realidade inventada e contingente, foi a base territorial da construção de uma identidade provincial efectivada na leitura dos textos, na vivência do percurso expositivo museológico ou na participação em performances musicais.

Nesta comunicação, tendo presente estudos actuais em torno de processos de construção de identidades e de reconfiguração da sociedade através da performance musical, irei debater as seguintes questões: Quem foram os agentes desse processo? Porquê e como foi implementado? Que legado foi constituído?

Irei também discutir o interesse do estudo articulado de práticas etnográficas, editoriais, museológicas e musicais, na crítica ao paradigma essencialista que sustentou a construção de narrativas históricas lineares e legitimou a vivência, ainda que imaginária, de identidades de base territorial.

“Situar as Memórias

Novas formas de encontro com a tradição no quadro dos RF em Portugal”

Susana Sardo

INET-MD – Universidade de Aveiro

O último quartel do século XIX constitui a referência central para a construção do repertório que a grande maioria dos agrupamentos folclóricos em Portugal procura representar. A escolha deste período prende-se com diversos factores mas sobretudo com a consciência segundo a qual os testemunhos orais destas tradições, guardiães da memória, estariam acessíveis na altura de formação dos próprios agrupamentos. Recuar no tempo em termos de recolha de tradição seria tão possível quanto mais idosos fossem os testemunhos orais disponíveis. Durante todo o século XX, a construção do repertório dos agrupamentos folclóricos foi constituída basicamente através da recolha junto de elementos que não faziam parte dos grupos. A consciência de que não só o modelo de apresentação pública do folclore se está a esgotar mas também que essas memórias se situam agora numa espécie de “quarta mão”, sendo a maioria dos elementos dos grupos folclóricos hoje constituídos por jovens com referentes musicais muito diferentes daqueles que representam, os dirigentes dos grupos tentam procurar novas formas de situar a tradição recriando-a em contextos internos levando os mais novos a passar pela experiência de vivência quase em regime de “internato” folclórico. Esta comunicação constitui um momento de reflexão sobre este novo processo a partir de um exemplo vivido em 2005 na região das Terras de Santa Maria.

” Música e Educação numa Perspectiva Etnomusicológica”

Maria de São José Corte-Real

INET-MD – Universidade Nova de Lisboa

Num momento de reorganização especial do sistema educativo em Portugal, como na Europa e no mundo, sublinho a pertinência da perspectiva etnomusicológica na relação entre a música e a educação. Partindo da observação do que considero ser Etnomusicologia, e tendo em conta tendências recentes das teorias do conhecimento e da comunicação, aponto linhas nas quais a perspectiva etnomusicológica pode beneficiar extraordinariamente a relação entre a música e a educação tanto no ensino genérico como no ensino especializado da música. Ilustrando a minha participação na construção desta perspectiva darei conta de alguns aspectos da minha investigação e acção recentes neste domínio.

” A experiência transcultural na música: Relatividade e Alteridade”

João Soeiro de Carvalho

INET- MD- Universidade Nova de Lisboa

A consciência da alteridade, ideia fundamental no processo operativo da Etnomusicologia, deu-se quando indivíduos de diferentes grupos humanos tiveram a oportunidade de experimentar realidades sónicas provenientes de outros grupos. Este processo desenvolveu-se com as viagens, com as invenções tecnológicas, e sofreu uma enorme aceleração ao longo do séc. XX. Nesta comunicação, o autor apresenta e comenta alguns factos fundamentais no processo da tomada de consciência da alteridade musical, e reflecte sobre a sua importância para a disciplina da Etnomusicologia – numa perspectiva diacrónica.

“Batuku sta na moda: dinâmicas transnacionais da música cabo-verdiana”

Jorge Castro Ribeiro

INET-MD – Universidade de Aveiro

A publicação com enorme sucesso do cd Miss Perfumado (1992) da cantora cabo-verdiana Cesária Évora marcou definitivamente a entrada da música cabo-verdiana no circuito internacional da chamada world music. Depois desta cantora outros artistas entraram em cena, como Tito Paris, Mayra Andrade ou Lura, consolidando a música cabo-verdiana como uma realidade incontornável a nível global.

Na verdade, muito antes desse sucesso, já a música popular cabo-verdiana era uma realidade transnacional de forte impacte, no âmbito da rede das comunidades emigradas da diáspora cabo-verdiana. Uma rede estruturada em músicos e repertórios que circulavam internacionalmente definindo um dos mais significativos elementos da identidade cabo-verdiana.

Esse sucesso internacional, contudo, apenas veio conferir novas dinâmicas à produção e consumo da música cabo-verdiana, promovendo não só o seu reforço tanto a nível nacional e internacional, como também proporcionando novos desenvolvimentos dos vários géneros musicais. De certa maneira a divulgação internacional da música cabo-verdiana catalizou o interesse pela cultura do país e contribuiu decisivamente para o incremento do turismo, com consequências na economia cabo-verdiana. Por essa razão a música tornou-se numa realidade de valor acrescentado para o país, o que, por um lado fomentou as suas dinâmicas de produção e consumo e, por outro lado, reforçou o seu papel simbólico no campo da cultura. Neste quadro deu-se ao nível transnacional uma interessante inovação nos repertórios, na estética e conteúdos da música e também uma modificação nas atribuições sociais e simbólicas da música.

Os processos que estão por trás destas dinâmicas constituem tópicos de interesse da actual etnomusicologia, nomeadamente a dimensão transnacional da música e a inovação musical na sociedade contemporânea globalizada. “Batuku sta na moda” (“Batuque está na moda”) é o refrão de uma das canções de Lura (“Batuku” publicada no cd Di korpo ku alma, 2005) que reflecte precisamente a maneira como estas dinâmicas são vistas pela comunidade cabo-verdiana.

Nesta comunicação caracterizam-se algumas destas dinâmicas e problematizam-se as múltiplas dimensões e contradições que acompanham a música cabo-verdiana e as suas transformações nas últimas duas décadas.

Organização e coordenação do evento: Henrique Gomes de Araújo, Vice-Presidente da direcção da SPAE, devidamente mandatado para o efeito pela direcção e pela Assembleia Geral.

Agradece-se a colaboração prestada pelo nosso sócio António Alberto Huet de Bacelar Gonçalves.

Dados da Ficha de Inscrição
Nome:
Profissão:
Instituição:
Contacto(s):
E-mail:

Fonte: email Vítor Oliveira Jorge (Presidente da direcção da SPAE)

Tertúlia sobre património imaterial

November 5, 2009 by Ana Carvalho

tertuliaevora

Tertúlia “Património Material e Imaterial: Identidade de um povo”
Fundação Eugénio de Almeida
4 de Novembro de 2009

“A globalização e a transformação social criam, por um lado, condições para o diálogo entre as comunidades, promovendo uma maior reflexão e sensibilização para as questões do património; por outro lado, podem aumentar os riscos da sua deterioração, desaparecimento e eventual destruição.

Envolver as comunidades, as instituições locais e nacionais, numa abordagem multidisciplinar e transversal, é fundamental para a manutenção e salvaguarda do património cultural de um povo.

Apesar das convenções internacionais relativas ao património material e imaterial, estará efectivamente assegurada a sua preservação? Que legado deixamos às gerações vindouras?”

Foi com estas palavras que ontem (04/11/2009) teve início mais uma tertúlia na cafetaria da Fundação Eugénio de Almeida. Uma conversa informal em torno de alguns convidados que pretendeu reflectir sobre o património material e imaterial.

O interesse que parece suscitar o património imaterial começa a reflectir-se cada vez mais na realização de encontros e conferências, decorrente de um maior enfoque da comunicação social sobre este património. Naturalmente este interesse, cada vez mais visível em Portugal, deve-se à Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003), que o Estado português ratificou e que entrou em vigor no nosso país em Agosto de 2008.

A conversa começou por questionar o papel das Convenções e se de facto podem assegurar que o património seja preservado. Efectivamente, como sublinhou a Dra. Clara Bertrand Cabral, só por si as Convenções não resolvem os problemas da preservação do património. É dos Estados-Partes a responsabilidade de implementar este documento normativo (Convenção 2003), que contém recomendações e orientações para actuar, mas que cada país deverá interpretar e adaptar à sua realidade. Portugal já assumiu o compromisso de implementar políticas de salvaguarda do património imaterial, consciente de que este tem sido um património claramente negligenciado. A forma como o Estado português conduzir esta questão será determinante para contribuir ou não para a preservação deste património. Tornar conhecida a Convenção 2003 e os princípios que advoga poderá ser essencial para uma maior consciencialização dos problemas que afectam o património imaterial e uma maior mobilização das comunidades para a sua salvaguarda.

Como bem lembrou o Prof. Jorge Rodrigues, o conceito de património cultural tem vindo a incorporar cada vez mais “patrimónios” e que reflecte, porventura, uma maior necessidade de protecção e maior responsabilização, não apenas dos órgãos governamentais, que detêm a tutela de grande parte do património cultural, mas exige também por parte dos cidadãos maior envolvimento nestas questões. Como referiu o Prof. Rodrigues, Portugal e a maior parte dos países do Sul partilham de uma noção de património que delega a responsabilidade de resolver os problemas do património para o Estado. Mas esta é uma situação que terá que ser inevitavelmente contrariada, pois não é exequível.
O Prof. Jorge Rodrigues é responsável em Portugal pelo programa HERITY (http://www.herity.pt/), uma organização dedicada à gestão de qualidade do património cultural.
“L’idea di HERITY nasce nel 1994 su iniziativa del DRI e dalla constatazione dell’esigenza che occorre amministrare al meglio il nostro capitale di beni culturali, nei quali risiede la memoria collettiva dell’Umanità e la storia di ogni essere umano o sua aggregazione nel tempo. Oggi, questo patrimonio riveste anche importanza strategica dal punto di vista dello sviluppo economico e del raggiungimento di una migliore comprensione reciproca fra i popoli; in altre parole le condizioni per la pace.” (in site http://www.herity.it/)

O Dr. José Nascimento (director da Direcção Regional de Cultura do Alentejo) falou de um projecto-piloto que está a ser implementado no domínio do imaterial, que terá começado por um mapeamento cultural que permitiu identificar algumas manifestações deste património para serem objecto de planos de salvaguarda, desde logo o cante alentejano, a viola campaniça, o cantar de improviso, entre outras.

Os temas abordados foram sendo variados ao longo da noite, recaindo sobretudo para aspectos ligados ao património cultural na sua vertente material, o que de certo modo reflecte que abordar a salvaguarda do património imaterial é ainda um terreno pouco conhecido nos termos que a Convenção defende. A subjectividade do tema e a ausência de uma política cultural neste domínio em Portugal nas últimas décadas ajuda à falta de enquadramento nesta área. Porém, embora se tenha dito nesta tertúlia que neste domínio terá que se partir do zero, creio que a realidade está longe de ser tão pessimista. Afinal, não podemos menosprezar que há um enormíssimo trabalho no domínio da antropologia e etnografia que tem sido feito por investigadores e académicos que têm documentado e estudado muito do nosso património imaterial. Poderiam ser citados inúmeros nomes, mas logo à memória vêm-me os nomes de Giacometti e Lopes Graça.

Tertúlia “Património Material e Imaterial: Identidade de um povo”

November 4, 2009 by Ana Carvalho

tertulia

“Património Material e Imaterial: Identidade de um povo” é o tema da tertúlia que decorre hoje na Fundação Eugénio de Almeida.

À conversa irão estar:

José Nascimento, Director Regional de Cultura do Alentejo
Clara Bertrand Cabral, Responsável pelo Sector da Cultura na Comissão Nacional da UNESCO
Jorge Rodrigues, Historiador de Arte e Coordenador do proframa HERITY em Portugal
Artur Goulart, Coordenador Científico do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora
Constança Andrade, Museóloga

Fórum Eugénio de Almeida
4 de Novembro
21h30
Entrada livre (condicionada a 35 pessoas, máx.)

Rua Vasco da Gama, 13, 700-941 Évora
Tlf: 351 266748 350

Passeios guiados “SOS” Azulejo

November 3, 2009 by Ana Carvalho

PASSEIOS GUIADOS ‘SOS AZULEJO’
1º Passeio-7 Novembro, 15,30h.
Hospital de S. José, Lisboa
Visita guiada por José Meco

INSCRIÇÃO GRATUITA MAS OBRIGATÓRIA para telef 21 9844232 ou museu.pj@pj.pt – Boletim Inscrição

O ‘Projecto SOS Azulejo’ anunciou uma nova actividade: passeios guiados pelos maiores especialistas a locais com património azulejar português de particular interesse, locais esses por vezes pouco conhecidos e/ou não muito acessíveis, e/ou em risco.

Os passeios decorrerão num sábado de cada mês, às 15.30h. Datas e locais já confirmados:
- 7 de Novembro – Hospital de S. José
- 5 de Dezembro – Hospital de Sta Marta.

O 1º conjunto temático destes passeios é dedicado ao ‘Circuito dos Hospitais de Lisboa’. Seguir-se-ão em 2010 e ainda em Lisboa, o ‘Circuito de Palácios’, o ‘Circuito de Conventos’, e circuitos pelos Bairros Históricos, em datas a anunciar.

As visitas serão guiadas pelos maiores especialistas em azulejaria portuguesa, estando já confirmadas as participações de: Vítor Veríssimo Serrão, José Meco, Ana Paula Rebelo Correia, Rosário Salema de Carvalho e Susana Flor.

Para a feliz prossecução dos ‘Passeios SOS Azulejo’, o ‘Projecto SOS Azulejo’ agradece a colaboração das seguintes instituições:

- ‘Rede Temática de Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel Santos Simões’, Centro de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;
- Unidades de Projecto dos Bairros Históricos, Câmara Municipal de Lisboa;
- Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central. EPE.

Simpósio Conservação e Restauro de Talha e Escultura, 26-17 Nov. 2009

November 2, 2009 by Ana Carvalho

Simpósio - FICHA DE INSCRIÇÃO

A Universidade Portucalense Infante D. Henrique, através da sua Licenciatura em Conservação e Restauro do Património, organiza
nos próximos dias de 26 e 27 do mês de Novembro de 2009, um Simpósio subordinado ao tema “Conservação e Restauro de Talha e Escultura – Preservar o Passado, Garantir o Futuro”.

Para saber mais consulte o site www.upt.pt (em destaques), ou através do Centro de Conservação e Restauro da UPT – 225572706, bem como pelos emails: ccr@upt.pt ou mfms@upt.pt

As inscrições podem ser realizadas on-line no site da UPT (www.upt.pt – ver destaques) ou por correio através do envio da ficha de inscrição anexa para:

Centro de Conservação e Restauro da Universidade Portucalense
A/C Profa. Doutora Fátima Matos Silva
Rua Dr. António Bernardino de Almeida, n.º 541/619 | 4200-072 PORTO

Tese: “Dar Voz às Pedras. Musealização Musealização do Conjunto Patrimonial do Mileu (Guarda)”

October 30, 2009 by Ana Carvalho

tese

Dar Voz às Pedras. Musealização Musealização do Conjunto Patrimonial do Mileu (Guarda)
Autora: Maria Alcina Cameijo
Orientador: Prof. Doutor José d’Encarnação
Arguente: Prof. Doutor João Luís da Inês Vaz (Universidade Católica, polo de Viseu)
Presidiu ao júri a Prof. Doutora Irene Vaquinhas (directora do Mestrado)
Mestrado em Museologia e Património Cultural (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Ano: 2009.

Nota: Tese defendida a 26 de Outubro de 2009

Fonte: Lista Museum