I Forum do Património Imaterial do Douro

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Douro
Transmissores de património imaterial devem ser valorizados

O director do Museu Nacional de Etnologia, Pais de Brito, defendeu hoje a valorização daqueles que dão a conhecer o património imaterial das regiões, encontrando formas que vão além de colocar as suas informações num arquivo ou num museu

Ao intervir hoje, em Tabuaço, no I Fórum do Património Imaterial do Douro, Pais de Brito afirmou que este património não é «algo de absolutamente configurado, que preexista, expectante», aguardando que o vão lá buscar.

«Será um erro repetir hoje modos de recolha que passavam muito por este pressuposto, de o colector ser apenas o veículo que transportava para o caderno, o arquivo ou o museu coisas materiais ou imateriais que em qualquer lugar se encontravam», considerou.

Segundo o investigador, «hoje a sua procura tem de transportar consigo um processo de partilha onde se redescobrem e se encontram novos sentidos para aquilo que se recolhe».

Neste âmbito, defende a necessidade de a relação que, por exemplo, um etnógrafo estabelece com o seu informante ser «transposta para o acto do presente em que ela se processa, também enquanto criação social», para que estes não fiquem «acorrentados» ao passado.

Pais de Brito afirmou que, actualmente, os etnógrafos podem «ir mais longe» do que os seus colegas dos séculos XIX e XX, valorando de forma dinâmica «os protagonistas do património imaterial».

Deu o exemplo de um homem de uma aldeia que sabe fazer instrumentos de música e é um grande tocador.

«Ao recolher o seu saber, as indicações de construção ou as suas músicas, provavelmente pode ir-se mais longe e ele vir a ser um professor no Conservatório ou numa escola secundária e montar uma oficina onde ensine outras pessoas», explicou.

Também no património imaterial oral pode acontecer o mesmo, sem que se dê atenção «exclusivamente ao objecto oral em si, como a narrativa, o romance, o conto ou o provérbio que depois vai para um arquivo e pode ser consultado e estudado», acrescentou.

Lembrou que a designação de património imaterial é recente e que, mesmo os museus, não trabalhavam muito com esta dimensão.

«É agora a altura de pensar nas metodologias, até no modo de constituição dos arquivos, porque há meios tecnológicos mais sofisticados», frisou, propondo, por exemplo, a gravação em vídeo da pessoa que transmitiu o saber oral e que «pode ser surpreendida e encantada com a sua voz já no museu ou no arquivo».

O I Fórum do Património Imaterial do Douro, dedicado ao tema ‘Novos desafios para velhas memórias’, está a decorrer no âmbito de um projecto-piloto, lançado este ano pelo Museu do Douro, que pretende fazer o levantamento, a salvaguarda e o estudo deste tipo de património da região.

«A intenção do Museu do Douro é tratar o património imaterial como um repositório do saber popular, transmitido de geração em geração, que nos permitirá ir à origem dos mitos, das lendas», justificou o seu director, Fernando Maia Pinto.

Hoje foi já lançada a primeira obra deste projecto, do investigador Alexandre Parafita, que integra narrações orais recolhidas no concelho de Tabuaço.

Segundo Fernando Maia Pinto, o objectivo é continuar o levantamento pelos outros concelhos do Douro, obtendo «tudo o que for possível para ajudar a ter uma compreensão da realidade humana desde a origem dos tempos».

Lusa / SOL

Fonte: site do Sol, 8/12/2007

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3 Réponses to “I Forum do Património Imaterial do Douro”

  1. Ana Carvalho Says:

    Lamento apenas não ter havido mais divulgação sobre este fórum. A discussão em Portugal sobre o PCI é ainda muito parcelar. Seria importante haver mais discussão e debate público.

  2. Isabel Victor Says:

    Concordo !!!

  3. Isabel Victor Says:

    Com a necessidade de debate, claro ! Com a necessidade de alargar a discussão … de apreciar práticas e metodologias efectivas de trabalho.

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