Inventário do património imaterial da região do Douro

Inventário do património da região Douro
Narradores de histórias recebem diploma inédito

Nove contadores de histórias de Tabuaço receberam sexta-feira o diploma de «Narrador da Memória», atribuído pela primeira vez em Portugal, no âmbito de um plano que visa fazer um inventário do património imaterial da região do Douro.

O diploma é atribuído pelo Museu do Douro que, assim, reconhece o importante papel destes contadores “na transmissão às novas gerações da memória cultural da sua comunidade”, justificou Alexandre Parafita, que compilou o que ouviu da boca deles numa obra, apresentada no I Fórum do Património Imaterial do Douro.

Estes “porta-vozes da memória” têm entre 57 e 82 anos, tendo alguns deles sido encontrados em lares de terceira idade e num centro de dia do concelho. “Comecei a recolha em Janeiro de 2007, percorrendo as aldeias de Tabuaço. Este é um projecto-piloto, que começa em Tabuaço, por ser um dos concelhos do Douro mais rico em lendas, mas vai alargar-se aos outros nos próximos anos”, contou à Agência Lusa o investigador, explicando que estes contadores foram escolhidos atendendo à quantidade e qualidade dos seus testemunhos orais.

Segundo Alexandre Parafita, que é o coordenador científico do projecto, as narrações orais, sejam elas contos populares, lendas, mitos e restante espólio da literatura oral tradicional “fazem parte da memória de um povo” e, “a cada geração, cabe a responsabilidade de passar à seguinte o seu testemunho, para que o fio condutor da memória não seja quebrado”. “Mas os idosos não estão a passar os testemunhos aos netos, porque muitos estão em lares e não convivem com eles.

Está a haver uma quebra”, lamentou, justificando assim a necessidade de que fiquem registados por escrito, para não se perderem as memórias. Em Tabuaço, as paisagens revelam extravagâncias da natureza, com muitas grutas, algumas com formatos estranhos, e também uma capela no cimo de uma escarpa que ninguém consegue explicar como ai foi construída, ingredientes suficientes para criar um ambiente misterioso. “Quando há mistérios que o homem não consegue explicar cientificamente, surgem as lendas”, frisou Alexandre Parafita.

Lendas que José Celestino Moita, de 66 anos, ouviu contar na sua mocidade, entre os sete e os 17 anos, quando andava “na vida de pastor”, e que tem repetido, ainda que menos vezes do que gostaria, e lhe valeram o diploma de “Narrador da Memória”. “Quando eu era novo ouviam-se muitas histórias, até se faziam serões nas povoações. Mas hoje não, os mais novos têm mais com que se entreter e nem ligam a isso”, disse José Celestino.

Fonte: Diário de Trás-os-Montes, 10/12/2007

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Une Réponse to “Inventário do património imaterial da região do Douro”

  1. TERESA BASTOS Says:

    Bom dia
    estou a realizar a fase de tese de mestrado em Relações Internacionais sobre o Douro imateria. Gostaria de saber se, de alguma forma, estará disponivel para me ajudar em esclareecr algumas dúvidas. Atentamente
    Teresa Bastos

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