Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa

Apresentação do “Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa”.
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Anfiteatro Manuel Valadares
18 Nov. 2009

Teve lugar ontem, tal como havíamos anunciado aqui no blogue, a apresentação pública do “Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa”.

Coube a Marta Lourenço algumas notas introdutórias sobre os aspectos fundamentais desta iniciativa e de seguida Marcus Granato (Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro) desenvolveu com maior detalhe aspectos concretos do projecto.

Património Científico Português – um património a ser preservado! De facto, como bem sublinhou Marta Lourenço este tem sido um património negligenciado em Portugal. Falta um plano à escala nacional que proteja e promova este património, envolvendo vários ministérios. Sobre o que tem sido feito nesta área pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, Marta Lourenço (coordenadora) destacou algumas linhas de intervenção:

-Desenvolvimento de Investigação e Ensino Pós-graduado em Património Científico e Cultura Material da Ciência (Hist. da Ciência) (2006)

-Levantamento do Património Cientifico Português (UC+ UP) (2006). O conhecimento sobre as colecções existentes no país, que dimensão e características é muitas vezes inexistente. Neste sentido é necessário desenvolver metodologias que permitam sistematizar a informação e promover o seu conhecimento.

-Divulgação do Património Científico Português na esfera internacional (2007)

-Programa de apoio a instituições com património científico (2008). Neste momento nove instituições portuguesas estão a receber apoio.

-Normas Gerais de Inventariação e Conservação de Instrumentos Científicos – Thesaurus de Instrumentos Científicos de Língua Portuguesa (+ MAST)

O que é afinal um thesaurus?

Sumariamente, pode dizer-se que um thesaurus cumpre três propósitos. Primeiramente, serve para controlar a terminologia, refere os termos que deverão ser utilizados e os que não deverão ser utilizados. Para além disso, explica o que significa cada um dos termos usados na lista. Finalmente, permite hierarquizar a informação (para uma explicação mais aprofundada consulte a página do ministério da cultura francês sobre a base de dados JOCONDE e onde se apresenta uma breve explicação sobre o que é um thesaurus: (http://www.culture.gouv.fr/)

Marta Lourenço sublinhou que em Museus de Ciência, ao contrário do que acontece com outras tipologias de museus, não se conhecem muitos exemplos de thesaurus publicados. Sobre esta matéria a conferencista fez referência ao thesaurus publicado pelo Museu do Índio (+IPHAN), cuja referência é a seguinte:

Motta, Dilza Fonseca da – Tesauro de cultura material dos índios no Brasil. Colaboração de: Leandra de Oliveira. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2006. 249 p. ISBN 8585986085.

E fez-se ainda menção a um thesaurus criado no seio dos museus de França (Thesaurus des objects mobiliers?) que inclui os instrumentos científicos.

Como um dos exemplos mais importantes de thesaurus na área dos museus foi referido o instituto Getty, que tem um thesaurus online para a arte e arquitectura (http://www.getty.edu/) (entre outros thesaurus) (No menu deste blogue, na categoria “Documentation & Cataloguing” pode encontrar um conjunto de links interessantes para esta área).

Está previsto que o Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa seja publicado em livro, em DVD e apresentado num portal web para consulta de todos. A configuração do portal ainda está a ser discutida, mas tudo indica que terá um motor de busca, um fórum, um banco de imagens e acesso às bases de dados das instituições que participam no projecto.

Marcus Granato começou a sua comunicação por dar a conhecer os antecedentes do projecto, que recuam a 1999 e explanou sobre as motivações subjacentes ao projecto. O objectivo geral deste projecto é efectivamente a criação do thesaurus, mas em concreto pretende-se:

1. Levantar, identificar e pesquisar os termos utilizados pelas instituições detentoras de acervo científico de carácter histórico
2. Classificar, padronizar, controlar e relacionar as terminologias utilizadas
3. Pesquisar e definir imagens padrão a serem utilizadas nos instrumentos (Como vamos fotografar?)
4. Produzir o thesaurus com notas explicativas e procedimentos de utilização
5. Disponibilizar os resultados do trabalho

Em Portugal fazem parte da rede as seguintes instituições:

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (Instituição Coordenadora)
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Museu de Ciência da Universidade do Porto
Museu da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

No Brasil:

Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro (Instituição Coordenadora)
Museu de Ciência e Técnica da Universidade Federal de Ouro Preto
Museu Dinâmico de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Juiz de Fora
Museu da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Colégio Pedro II, Rio de Janeiro
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Ministério de Ciência e Tecnologia

« No Mundo dos Museus » felicita Marta Lourenço e toda a equipa pelo projecto e excelente trabalho que têm feito neste domínio. Este é um exemplo de que o trabalho em equipa e em rede pode trazer bons resultados. Talvez este projecto possa inspirar outras iniciativas na área da normalização em Portugal.

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