Sobre a “Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios”, 27 Mar. 2010

Conferência “Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios”
Biblioteca Municipal da Nazaré, 27 Março 2010
©Ana Carvalho

Sobre a “Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios”, conferência que teve lugar na Nazaré a 27 de Março de 2010, registamos algumas notas.

A qualidade da maioria das comunicações apresentadas foi evidente e suscitou um debate, pode dizer-se apaixonado em torno do património, quase sempre marítimo, fosse na sua dimensão material ou imaterial. Nazaré está profundamente marcada por uma cultura marítima, no passado mas ainda no presente. Falou-se bastante do passado, na história, nos processos culturais e da forma como a imagem da Nazaré foi sendo instrumentalizada, sobretudo no período do Estado Novo. Uma imagem, muitas vezes estereotipada, estilizada, selectiva, que em grande medida não correspondia ao quotidiano e à diversidade de aspectos que caracterizaram ou caracterizam a cultura dos nazarenos. Outras desmistificações foram feitas sobre os marítimos, sendo sublinhados aspectos mais dolorosos relativos aos problemas destas populações como a profunda pobreza, a miséria, a iletracia, a rudeza do trabalho do mar, etc. Pertinente foi também uma chamada de atenção para os problemas que afectam hoje estas comunidades tendo em conta políticas económicas (economia do mar, mas também o turismo) agressivas, que, de algum modo, vão expelindo estas gentes para um “lugar” e futuro incerto.

Foram vários os actores locais e culturais chamados a intervir: associações (anazArt, associação Biblioteca Nazaré, Mútua de Pescadores, Liga dos Amigos da Nazaré), universidades (ISCTE, IPL, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Coimbra, Universidade Fernando Pessoa), administração local (autarquia, biblioteca) e também o Museu. Sobre o Museu Dr. Joaquim Manso foi interessante perceber que novas dinâmicas se estão a forjar e que as comunidades ainda que, em muitos casos estejam desligadas do museu, querem apesar disso fazê-lo e têm uma palavra a dizer sobre o rumo do museu, especialmente no momento actual, em que há uma certa expectativa diante do novo projecto arquitectónico da autoria de Siza Vieira e também de alguma especulação sobre a passagem ou não do museu, tutelado até aqui pelo IMC, para a gestão da autarquia.

Esta amálgama de partilhas e diálogo foi enriquecida por uma participação expressiva da população, claramente interessada nos problemas, mostrando-se disponível em participar em projectos que possam dar mais dignidade aos patrimónios da Nazaré e dos nazarenos. Este foi, em nosso entender, um dos aspectos mais positivos deste encontro.

Ana R. Carvalho

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