Curso de Verão: « Para que (nos) servem os museus? »

Para que (nos) servem os museus?
Curso de Verão, 19 a 26 de Julho, das 10H00 às 13H00
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Por Sofia Lapa

Programa:

Neste curso será abordado um vasto leque de temas directamente relacionados com o trabalho de mediação entre os objectos museológicos expostos e os seus visitantes.

Este curso está direccionado para profissionais que já têm, ou que pretendam vir a ter, como campo de trabalho os museus. Daí que, o objectivo central deste curso seja o de permitir aos formandos adquirir e aprofundar um conjunto de conhecimentos que constituam alicerces teóricos para o desenvolvimento de ferramentas de mediação, adequadas à realidade de trabalho de cada um, seja ela a de Educadores de Infância, de Professores do Ensino Básico ou de Técnicos de Serviço Educativo em museus.
A questão de partida deste curso é então: como podemos utilizar os museus, considerando o contexto de trabalho que cada um de nós desenvolve?

Procurando contemplar uma ampla diversidade de realidades museológicas, serão abordadas diferentes tipologias de museus (no que se refere às tutelas; às colecções; aos recursos humanos e materiais; etc.) e diferentes tipos de visitantes (considerando os níveis etários; o contexto em que visitam os museus – escolar / familiar / visitante autónomo; etc.).

O trabalho a desenvolver ao longo deste curso terá como base um conjunto de mediadores construídos para vários museus portugueses.

Pontualmente, serão também estabelecidos diálogos com projectos desenvolvidos em museus estrangeiros.

Sumários das sessões:

(Sessão 1)
Para que servem os museus? Porquê mediar a relação entre o visitante e o objecto museológico?
Uma caixa cheia de ferramentas. A construção de ferramentas de mediação: diversidade de objectivos e de estratégias. Exemplos de mediadores directos e de mediadores indirectos.

(Sessão 2)
A nota mais antiga do mundo, uma lata de sardinhas e um pote de porcelana chinesa: cada museu a sua Colecção. A construção de circuitos e de itinerários.
Cada Coleccionador o seu gosto! Casas-museus e museus de artista: Museus que nasceram de colecções privadas.

(Sessão 3)
Traje a uso e traje de cena. Da natureza do objecto museológico: espelho de múltiplas identidades.

(Sessão 4)
Património arqueológico deslocado e exposto em museus, e museus in situ: estratégias de mediação diversas.

(Sessão 5)
Pontos de partida para pensarmos a arte contemporânea, dentro de museus.
A articulação directa com a programação expositiva: uma exposição de longa duração; duas exposições rotativas; e uma exposição temporária integrada num projecto de longa duração.

(Sessão 6):
Quero voltar! Mediadores que têm como objectivo base a formação de visitantes assíduos. Exemplos de menu de Serviço Educativo e de projectos escolares de média duração.

Vagas: 25

Bibliografia:

AA.VV., Revista de Museologia – Monografias: Museos y museologia en Portugal. Una ruta ibérica para el futuro, Fev. 2000.
HEIN, George E., Learning in the museum, London / New York: Routledge, 1998.
HOOPER-GREENHILL, Eilein, Museums and the shaping of knowledge, London and New York: Routledge, 2001. (1.ªed.: 1992).
PEARCE, Susan M. (Ed.), Interpreting objects and collections, London-New York: Routledge, 1996.

Sofia Lapa é Licenciada em História – Variante História da Arte; Pós-graduada em História da Arte; Mestre em Museologia e Património; Doutoranda em História da Arte, especialização Museologia, pela FCSH-UNL. Bolseira da FCT (BD). Foi professora na EPAOE (1995-2004); Colaboradora do SE – CAMJAP – Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) (2000-2006). Formadora na área dos serviços educativos em Museus (desde 2003). Autora de várias publicações para instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian; o Instituto dos Museus e da Conservação/RPM; o Alto Comissariado para a Emigração e o Diálogo Intercultural; e a Fundação millennium bcp.

Fonte: Lista de discussão MUSEUM

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2 Réponses to “Curso de Verão: « Para que (nos) servem os museus? »”

  1. Alexandre Corrêa Says:

    Essa pergunta me fez pensar o tema da VII Semana de Museus no Brasil. Escrevi o seguinte sobre isso: Quando li que o tema escolhido para a VIII Semana Nacional dos Museus é ‘Museus e Harmonia Social’, não pude acreditar! Lendo assim de imediato fiquei tomado pela perplexidade de estar diante de algo inusitado e chocante.
    Depois, ainda incrédulo, busquei o portal do IBRAM e eis que vejo e comprovo que é esse mesmo o tema Nacional: « Museus e Harmonia Social »! Confesso que estou ainda impactado com isso… O que se passa na cabeça dos organizadores dessa Semana Nacional?! Estão tomados de um novo surto ecumênico, ansiosos pela chegada da harmonia universal?
    Vejam no que deu em São Luís/MA, essa maravilha de tema escolhido em Brasília. Seguindo o tema geral proposto, foram compostas as seguintes mesas com palestrantes das Universidades e da Igreja Católica:

    1. Museus para a Harmonia Cultural;
    2. Museus para a Harmonia de Etnia;
    3. Museus para a Harmonia de Classe Social;
    4. Museus para a Harmonia de Gênero e Gerações;
    5. Museus para a Harmonia do Meio Ambiente !!!!!!!!!

    Fica a pergunta: Será que os temas dessas mesas também foram sugeridos pelo IBRAM?
    Mas, qual a justificativa para se trabalhar com a idéia (ou conceito) de ‘harmonia’? Baseado em que se referem a ‘harmonia social’? Quando ela existiu e quando existirá? Esse é um lema de pessoas que têm pensamento anti-dialético, pré-filosófico! É o assassinato cultural do pré-socrático Heráclito de Éfeso! Na verdade, parece algo pré-marxista, pré-freudiano, pré-moderno, pré-… sei lá mais o quê!
    Posso estar exagerando, mas isso me parece um retrocesso muito grande e grave.
    Esse desejo recalcitrante de tamponar e evitar os conflitos e o debate; esse trabalho subserviente de impor um consenso, e não dar espaço para a crítica, é muito preocupante.
    Pois, quando se elege o signo da ‘harmonia social’ como o significante organizador do tema de um evento, está se convidando as pessoas para esquecerem suas inquietações, suas dúvidas, suas questões e reflexões… Com um tema desses está se colocando, subliminarmente, que a crítica e o contraditório não tem espaço, não tem cidadania. É como se a política estabelecida fosse a mais certa, a mais verdadeira, a mais harmoniosa e a mais perfeita.
    Por favor, peço sinceramente, se eu estou exagerando, me digam, me convençam disso. Digam de que ponto político e epistemológico se baseiam pessoas letradas e diplomadas, formadas em Ciências Sociais e Humanas (Museologia, História, Arquivologia, Sociologia, Antropologia, etc.), para falar de harmonia cultural, social, ambiental, étnica, etc.
    Por essa, eu não esperava! Parece-me mais um ato falho dos que não estão pensando, nem analisando, o que fazem e o que pensam estar fazendo! É preciso ter mais cuidado com essas posturas e atitudes!
    Oxalá, encontrem uma explicação razoável, para evitar a pecha de obscurantismo institucional.

  2. Alexandre Corrêa Says:

    Para que servem os Museus? Certamente que não é para nos alienarmos crendo numa ‘harmonia social’ que nunca existiu na história humana, e que nunca vai existir! Devem ser os saudosos do ‘paraíso perdido’ que tentam voltar antes da queda do pecado original! Lamentável, uma política de museus orientada por este tipo de visão alienante e medíocre.

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