Museu de Ciência da Universidade de Lisboa: Um museu a preservar e a desenvolver

Acesso ao Museu de Ciência e Museu de História Natural
da Universidade de Lisboa, 2010

Está aberta a reflexão sobre o futuro dos museus da politécnica. Foi recentemente divulgado um relatório encomendado pela tutela dos Museus de Ciência e História Natural e realizado por equipa internacional de especialistas, no qual se faz um conjunto de recomendações sobre uma possível redifinição deste complexo museológico. Ontem (22 de Junho) teve lugar um seminário de reflexão para debater o tema, já que as propostas feitas pelos especialistas estão longe de ser consensuais. Para conhecer em profundidade as questões em debate pode consultar o dito relatório, que está disponível no portal da Universidade de Lisboa (http://www.ul.pt/), bem como os contributos de várias figuras da comunidade museológica, entre as quais: João Carlos Brigola, Marta Lourenço, Ana Delicado…

Em baixo, transcreve-se o comunicado do ICOM-PT sobre este assunto:

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa: Um museu a preservar e a desenvolver

A Direcção da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Museus (ICOM Portugal) tem vindo a acompanhar de perto as persistentes notícias dando conta da existência de planos de alterações a introduzir nos chamados Museus da Politécnica, da Universidade de Lisboa, um pólo científico, museológico e cultural de grande importância para a cidade de Lisboa e para o País, que importa requalificar e desenvolver.

O ICOM Portugal saúda, pois, a iniciativa do Senhor Reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, de promover o debate amplo sobre esta matéria, registando em especial o convite expresso nesse sentido que nos foi dirigido e que muito nos sensibiliza.

Em recente sessão de homenagem a Fernando Bragança Gil (1927-2009) promovida pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (MCUL), expressámos os nossos votos para que qualquer futuro plano sobre matéria tão sensível assentasse no respeito absoluto pela história e identidades própria dos museus existentes e fosse sujeito a amplo debate público.

Foi assim com alguma consternação que tomámos conhecimento de um relatório feito por uma comissão internacional, onde se subverte uma das mais elementares premissas acima enunciadas, ao recomendar a extinção do MCUL e a absorção de parte do seu património e colecções por uma ‘galeria de história da ciência’ do Museu Nacional de História Natural.

Sem prejuízo do maior aprofundamento das nossas posições, no quadro do debate público que agora se vai iniciar, importa-nos sublinhar o interesse público do que está em causa:

1. O MCUL é um museu que integra a Rede Portuguesa de Museus desde 2002. É o único museu de ciência acreditado em Portugal.

2. O MCUL tem colecções e património edificado de grande importância, entre os quais dois dos mais preciosos elementos do património científico edificado português: o Laboratorio Chimico e o Observatório Astronómico da Escola Politécnica.

3. O MCUL é um dos museus mais activos do país, contribuindo para a divulgação do património científico português no país e no estrangeiro e para a formação de especialistas em museologia das ciências e colecções de instrumentos científicos. Neste campo, o trabalho desenvolvido pelo MCUL tem âmbito nacional e é reconhecido internacionalmente.

4. O MCUL desenvolve um trabalho pioneiro no sentido da organização, valorização e estudo do património científico de várias instituições, nomeadamente a Academia das Ciências de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, as Escolas Secundárias de Camões e Passos Manuel, os Hospitais de S. José, Santo António dos Capuchos, Santa Marta e Desterro e os Palácios Nacionais da Ajuda e Sintra, para além de institutos da Universidade de Lisboa.

5. Na continuação do legado de Fernando Bragança Gil, uma das personalidades mais marcantes da museologia portuguesa do século XX, o MCUL articula de forma exemplar a divulgação da ciência, sobretudo a crianças e jovens, com a preservação do património, a investigação científica em museologia e história da ciência e a formação de especialistas em património científico.

Este trabalho de fundo precisa de ser valorizado e aprofundado, pela sua qualidade, inovação e singularidade, pela Universidade de Lisboa e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Somos totalmente contra a extinção do MCUL.

Os Museus da Politécnica são herdeiros de 400 anos de história do ensino em Portugal. O seu património edificado, as colecções, o jardim, as bibliotecas e os arquivos nunca foi desmembrados ou dispersos e têm, por isso, um valor incalculável para a Cidade e o País. O conjunto deve ser considerado património in situ e todas as soluções museológicas e de gestão encontradas devem prever a sua preservação e divulgação por profissionais devidamente qualificados.

Ambos os museus – MCUL e MNHN – são importantes para a cidade de Lisboa e o País e nenhum dos dois se deve desenvolver sobre as ruínas do outro.

O relatório da comissão internacional acima referido deve ser considerado somente como uma primeira peça para reflexão. Atentas as limitações da sua composição disciplinar e profissional, interessa agora alargar substancialmente o leque de especialistas a consultar. Importa em especial suprir a lacuna de efectivo conhecimento da realidade museológica portuguesa, que naquela comissão internacional se evidencia, porque nela se pressente a ausência de consideração dos chamados “museu de ciência de 3ª geração”, conformemente ao projecto e à visão de Fernando Bragança Gil.

Estamos certos que, com ponderação e espírito inovador, será possível encontrar um amplo consenso quanto ao modelo conceptual e até às soluções administrativas a adoptar, em benefício dos Museus da Politécnica, da Universidade de Lisboa, da Cidade e do País. Um consenso galvanizador, que reúna especialistas, lisboetas e cidadãos. Um consenso que olhe para além das soluções imediatistas de ganho fácil, que pouco resistem ao tempo. Um consenso que dignifique o Presente e antecipe do Futuro.

Nesta demanda, pode a Universidade de Lisboa conta com o ICOM Portugal.

A Direcção do ICOM Portugal, em 15 de Junho de 2010.

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