Archive for the ‘Cultural Heritage’ Category

Conf: « A Colecção da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa », 16 Dez. 2010

décembre 16, 2010

Hoje (16 de Dezembro), Pedro Sousa Dias (Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, CEHFCi) irá proferir uma palestra com o título: « A Colecção da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, e que se insere no contexto dos seminários de Património Científico Português que o Museu de Ciência têm organizado.

Local: Anfiteatro Manuel Valadares, Museu de Ciência da UL
Pelas 18h

Informações disponíveis no site do CIUHCT:
http://ciuhct.com

Publicités

Recriação virtual da Lisboa destruída pelo terramoto de 1755, através da plataforma virtual Second Life®

novembre 24, 2010

Trata-se de um projecto inovador: a recriação virtual da Lisboa destruída pelo terramoto de 1755, através da plataforma virtual Second Life®.

O projecto está a ser desenvolvido pelo Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA), da Universidade de Évora, em colaboração com a empresa Beta Technologies e o King’s Visualisation Lab – King’s College London.

O trabalho realizado até à data poderá ser visitado em http://lisbon-pre-1755-earthquake.org/

O ionline publica uma notícia sobre este projecto, incluindo comentários de especialistas nacionais e internacionais:
http://www.ionline.pt/

Livro: « Heritage and identity: engagement and demission in the contemporary world”

octobre 29, 2010

Heritage and identity: engagement and demission in the contemporary world
Editores: Marta Anico; Elsa Peralta
ISBN: 978-0-415-45336-3
Série: Museum Meanings
Edição: Routledge, 2009

Summary:

Heritage and Identity explores the complex ways in which heritage actively contributes to the construction and representation of identities in contemporary societies, providing a comprehensive account of the diverse conceptions of heritage and identity across different continents and cultures.

This collection of thought-provoking articles from experts in the field captures the richness and diversity of the interlinked themes of heritage and identity. Heritage is more than a simple legacy from the past, and incorporates all elements, past and present, that have the ability to represent particular identities in the public sphere.

The editors introduce and discuss a wide range of interconne
cted topics, including multiculturalism and globalization, local and regional identity, urban heritage, difficult memories, conceptions of history, ethnic representations, repatriation, ownership, controversy, contestation, and ethics and social responsibility.

The volume places empirical data within a theoretical and analytical framework and presents an interdisciplinary approach to the study of the representation of the past, invaluable for anyone interested in heritage and museum studies.

Table of Contents:

Part 1: Place and Identity  1. What Role Can Digital Heritage Play in the Re-imagining of National Identities? England and its Icons 2. Locating Art: The Display and Construction of Place Identity in Art Galleries 3. Place, Local Distinctiveness and Local Identity: Ecomuseum Approaches in Europe and Asia 4. Representing Identities at Local Municipal Museums: Cultural Forums or Identity Bunkers? 5. Heritage According to Scale Part 2: Remembering and Forgetting  6.Unsettling Memories: Intervention and Controversy Over Difficult Public Heritage 7. Public Silences, Private Voices: Memory Games in a Maritime Heritage Complex 8. The Banalization and the Contestation of Memory in Postcommunist Poland 9. A Landscape of Memories: Layers of Meaning in a Dublin Park Part 3: Domination and Contestation  10. Labor and Leisure at Monticello: Or Representing Race Instead of Class at an Inadvertent White Identity Shrine 11. The Ancient City Walls of Great Benin: Colonialism, Urban Heritage and Cultural Identity in Contemporary Nigeria 12. The Past in the Present: Towards a Politics of Care at the National Trust of Australia -WA 13. Yoruba Identity and Western Museums: Ethnic Pride and Artistic Representations

(in http://www.informaworld.com/)

Dominique Poulot

juillet 19, 2010

Dominique Poulot
Universidade de Évora, 12 Julho 2010
©Ana Carvalho

Dominique Poulot esteve na Universidade de Évora no passado dia 12 de Julho de 2010. Durante a sua breve passagem pela universidade, Poulout fez uma comunicação especialmente dirigida aos alunos de museologia do doutoramento. A sua comunicação dividiu-se entre questões relativas ao património e aos museus. Sobre património foram focados vários aspectos, nomeadamente sobre a natureza do património, a sua propriedade, as questões fundamentais de hoje e os principais debates, as tendências, os velhos e novos modelos de interpretação, sendo referidos também vários estudos de caso e abundante bibliografia de referência. Relativamente aos museus, foram discutidos aspectos relativos à identidade, à representação e à memória; do panorama dos museus no séc. XIX ao desaparecimento de antigas museografias, à ideia de cenografias do tipo “cubo branco”, ao aparecimento de novas tendências como os revivalismos museográficos.

A título pessoal posso dizer que foi um enorme prazer ver e ouvir Dominique Poulot, sem dúvida uma figura notável da museologia e do património!

Tese de Mestrado: « Património Cultural Imaterial: Proposta de uma Metodologia de Inventariação »

mai 4, 2010

Património Cultural Imaterial: Proposta de uma Metodologia de Inventariação
Autora: Clara Maria Ferreira Bertrand Cabral
Orientação: Maria Celeste Gomes Rogado Quintino
Dissertação apresentada ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas/Universidade Técnica de Lisboa para obtenção do grau de Mestre em Ciências Antropológicas (pré-Bolonha)
Ano: 2009. Tese defendida a 26 de Abril de 2010

Nota: Júri constituído por Maria Celeste Gomes Rogado Quintino (Presidente), Maria Elsa Marques Peralta da Silva, Maria de Fátima Calça Amante

Resumo: O tema desta dissertação de mestrado em Ciências Antropológicas aborda o problema da inventariação do património imaterial tal como configurado na Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial e explora um conjunto de questões centrais na antropologia que permitem pensar a aplicação da Convenção no estudo e inventário das manifestações em contexto português.

Os objectivos da pesquisa sustentam-se em dois eixos de análise que se inter-relacionam e se apoiam em recursos conceptuais e analíticos sugeridos pela revisão da literatura. Num primeiro eixo, procura-se conhecer o “contexto de aplicação”, focando a atenção nos aspectos do património cultural imaterial e do inventário configurados nos textos decorrentes da Convenção e nos normativos portugueses regulamentares. Esta análise convoca um conjunto de contributos teóricos da antropologia.

Num segundo eixo, procura-se compreender os processos implicados na definição de metodologias de inventariação, especificando procedimentos e recomendações que contribuem para a resolução do problema do inventário do património cultural imaterial e desenhando os instrumentos de recolha de dados etnográficos e de inventariação. A metodologia e instrumentos de inventariação propostos foram aplicados em contexto de trabalho de campo a uma manifestação do património cultural imaterial local, a produção de olaria pedrada em Nisa.

Colóquio “Espaço, Poder e Memória. A Sé de Lamego em Oito Séculos de História”. Lamego, 9 e 10 Abr. 2010

avril 6, 2010

« Espaço, Poder e Memória. A Sé de Lamego em Oito Séculos de História » é o tema de um colóquio que se realiza em Lamego nos próximos dia 9 e 10 de Abril.

Ficha de inscrição

O complexo catedralício da Sé de Lamego, construído em sucessivas etapas a partir da segunda metade do século XII, constitui um dos monumentos históricos mais emblemáticos da cidade de Lamego e da região Duriense, razão pela qual sempre despertou grande interesse e tem sido objecto de investigação e de problematização. No entanto, apesar do seu relevo no panorama patrimonial e historiográfico local e nacional, verifica-se que grande parte dos estudos até hoje dedicados a este edifício e às suas fábricas construtivas resultam de análises pontuais e dispersas, na sua maioria a partir de leituras parciais e lacunares, que não concorrem para uma sólida interpretação de conjunto e em tempo longo.

O Colóquio Internacional “Espaço, Poder e Memória. A Sé de Lamego em Oito Séculos de História”, mais do que apenas relembrar e comemorar a Catedral de Lamego, pretende colmatar essa lacuna, tendo como objectivo promover a investigação e o debate em torno deste monumento nacional e contribuir para a elaboração de sínteses coerentes e actualizadas sobre a Sé Duriense e os seus mais de 800 anos de história. Para esse efeito, reúne-se neste colóquio um leque de investigadores nacionais e estrangeiros, especialistas em diferentes áreas de trabalho (como a História, a História da Arte, a Arquitectura, a Conservação e o Restauro) e em diferentes períodos históricos (desde a Idade Média à Época Contemporânea), distribuídos por quatro sessões temáticas que compreendem os principais momentos da história da catedral.

Este esforço de contextualização e de síntese visa, também, e em última instância, contribuir para a divulgação consistente da história deste complexo monumental junto do público para que este o possa melhor compreender, valorizar e preservar.

Programa

Sexta-feira, 9 de Abril 2010

Local: Sé de Lamego
09.00h – Abertura
Dr. Agostinho Ribeiro (Director do Museu de Lamego)
Eng. Francisco Lopes (Presidente da Câmara Municipal de Lamego)
Dr. António Martinho (Presidente do Turismo do Douro)
09.30h – Conferência inaugural:
Prof. Doutor Eduardo Carrero Santamaría (Univ. Ilhas Baleares): La Sé medieval de Lamego, un vacío en la arquitectura catedralicia europea.

Local: Museu de Lamego
11.00-12.00h – 1ª Sessão: Construir e organizar
Prof. Doutora Maria do Rosário Barbosa Morujão (Univ. Coimbra): A organização de uma diocese: Lamego, da reconquista à restauração da dignidade episcopal.
Mestre Anísio Miguel de Sousa Saraiva (Univ. Coimbra): Monarquia e episcopado no Portugal Medieval: o patrocínio régio na construção das catedrais portuguesas.
12.15-13.15h – 2ª Sessão: A renovação e os seus mecenas
Prof. Doutor José Pedro Paiva (Univ. Coimbra): O episcopado lamecense de D. João de Madureira (1502) a D. Miguel de Portugal (1644)
Mestre Miguel Soromenho (IGESPAR): A actividade arquitectónica de Duarte Coelho, mestre na Sé de Lamego.
Pausa para almoço
15.30-16.30h – 3ª Sessão: A marca de Trento
Prof. Doutor António Filipe Pimentel (Univ. Coimbra): Um patriarca em Lamego: D. Tomás de Almeida.
Mestre Duarte Frias (CEAUCP/CAM): A fábrica barroca da Sé de Lamego e a pintura decorativa de Nicolau Nasoni.
Porto de Honra
Local: Sé de Lamego
21.30h – “Celestial Esplendor” – Documentário fotográfico sobre a iconografia da Sé de Lamego
Prof. José Pessoa (DDF/IMC, Pólo de Lamego)

Sábado, 10 de Abril 2010

Local: Museu de Lamego
10.00-11.00h – 4ª Sessão: Restaurar e recriar
Prof. Doutora Lúcia Rosas (Univ. Porto): A Sé de Lamego no século XX: restauro e conservação.
Joaquim Inácio Caetano (Conservador-Restaurador): Os limites da conservação e restauro. Algumas considerações a propósito do restauro das pinturas murais da Sé de Lamego.
11.00h – Conferência de encerramento:
Mestre Nuno Resende (Univ. Porto/CEPESE): Lamego e a sua catedral no códice 390 da colecção António Capucho (1679-1712): espaço e dinâmicas segundo um livro de despesas do Cabido lamecense.
12.00 h – Abertura da exposição: 8 Obras de Referência. A Sé de Lamego nas Colecções do Museu
13.00 h – Encerramento

Sobre a “Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios”, 27 Mar. 2010

mars 31, 2010

Conferência “Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios”
Biblioteca Municipal da Nazaré, 27 Março 2010
©Ana Carvalho

Sobre a “Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios”, conferência que teve lugar na Nazaré a 27 de Março de 2010, registamos algumas notas.

A qualidade da maioria das comunicações apresentadas foi evidente e suscitou um debate, pode dizer-se apaixonado em torno do património, quase sempre marítimo, fosse na sua dimensão material ou imaterial. Nazaré está profundamente marcada por uma cultura marítima, no passado mas ainda no presente. Falou-se bastante do passado, na história, nos processos culturais e da forma como a imagem da Nazaré foi sendo instrumentalizada, sobretudo no período do Estado Novo. Uma imagem, muitas vezes estereotipada, estilizada, selectiva, que em grande medida não correspondia ao quotidiano e à diversidade de aspectos que caracterizaram ou caracterizam a cultura dos nazarenos. Outras desmistificações foram feitas sobre os marítimos, sendo sublinhados aspectos mais dolorosos relativos aos problemas destas populações como a profunda pobreza, a miséria, a iletracia, a rudeza do trabalho do mar, etc. Pertinente foi também uma chamada de atenção para os problemas que afectam hoje estas comunidades tendo em conta políticas económicas (economia do mar, mas também o turismo) agressivas, que, de algum modo, vão expelindo estas gentes para um “lugar” e futuro incerto.

Foram vários os actores locais e culturais chamados a intervir: associações (anazArt, associação Biblioteca Nazaré, Mútua de Pescadores, Liga dos Amigos da Nazaré), universidades (ISCTE, IPL, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Coimbra, Universidade Fernando Pessoa), administração local (autarquia, biblioteca) e também o Museu. Sobre o Museu Dr. Joaquim Manso foi interessante perceber que novas dinâmicas se estão a forjar e que as comunidades ainda que, em muitos casos estejam desligadas do museu, querem apesar disso fazê-lo e têm uma palavra a dizer sobre o rumo do museu, especialmente no momento actual, em que há uma certa expectativa diante do novo projecto arquitectónico da autoria de Siza Vieira e também de alguma especulação sobre a passagem ou não do museu, tutelado até aqui pelo IMC, para a gestão da autarquia.

Esta amálgama de partilhas e diálogo foi enriquecida por uma participação expressiva da população, claramente interessada nos problemas, mostrando-se disponível em participar em projectos que possam dar mais dignidade aos patrimónios da Nazaré e dos nazarenos. Este foi, em nosso entender, um dos aspectos mais positivos deste encontro.

Ana R. Carvalho

Congresso sobre Património Industrial, 14-16 Maio 2010

mars 23, 2010

De 14 a 16 de Maio de 2010 vai realizar–se, em Vila do Conde, o 1º Congresso sobre Património Industrial, organizado pela Associação Portuguesa para o Património Industrial (APPI), em colaboração com a Câmara Municipal de Vila do Conde e a Fundação PT e o apoio de instituições públicas e privadas.

Pretende–se que o Congresso constitua uma oportunidade de encontro de investigadores e profissionais das várias disciplinas que trabalham nesta área, assim como de discussão das linhas de rumo que vêm sendo postas em campo.

Esta iniciativa permitirá também dar a conhecer experiências já realizadas no âmbito da preservação de património industrial, que, de algum modo, sejam referência, a fim de sensibilizar as entidades responsáveis e a opinião pública, para a necessidade de recuperar e conservar tão rico testemunho da evolução económica e social.

O Congresso inclui várias conferências para além das comunicações. Serão também efectuadas algumas visitas a centros locais de interesse, entre os quais alguns que se destacaram nesta prática de preservação patrimonial.

Mais informações: http://patrimonioindustrial.blogs.sapo.pt/

Sobre jornada de trabalho « Património Cultural Imaterial »

mars 11, 2010

Jornada de trabalho “Património Cultural Imaterial” – moderação: Ana Rodrigues Carvalho & Lorena Querol. Da esquerda para a direita vê-se: Paulo Ferreira da Costa, Lorena Querol, Ana Rodrigues Carvalho e Paulo Lima. Fundação Manuel Viegas Guerreiro. 8 Março 2010

No dia 8 de Março de 2010 realizou-se uma jornada de trabalho subordinada ao Património Cultural Imaterial (PCI) no âmbito da iniciativa “Técnicos dos Museus Encontram-se”, que a Rede de Museus do Algarve (RMA) promove. Estes encontros são espaços de diálogo destinados a potenciar a partilha de experiências entre os profissionais dos museus da RMA. Esta jornada de trabalho teve, porém um enquadramento particular, na medida em que trouxe contribuições de fora da RMA, ao contrário do que tem vindo a ser feito, de âmbito mais técnico e interno. Foi neste contexto, que fui convidada a participar, na qualidade de moderadora, representando, de algum modo a perspectiva da investigação.

A razão deste encontro prendeu-se com a necessidade de se reflectir sobre estratégias para a salvaguarda do PCI nos museus. O PCI é um tema que começa a ser uma preocupação trilhada por cada vez mais museus, um pouco na senda da adopção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003) da UNESCO, ratificada por Portugal em Março de 2008. Também o Conselho Internacional de Museus (ICOM) atribui competências aos museus na salvaguarda do PCI, tal como é patente em documentos de referência como a « Carta de Shanghai » (2002) e a « Declaração de Seoul » (2004). E por outro lado, note-se a mudança evidente de paradigma, quando em 2007 a definição de museu proposta pelo ICOM passaria a substituir “testemunhos materiais” por “património material e imaterial”. Pode dizer-se que este enquadramento internacional lança o repto aos actores culturais e aos museus em particular.

Assim, reconhece-se à partida que o PCI é também um campo de actuação dos museus, mas entre as intenções e as práticas permanecem muitas dúvidas sobre como agir sobre este património tão complexo. Como podem os museus abordar e responsabilizar-se mais pelo PCI? Foi a partir destas inquietações que o Museu Municipal de Loulé e a Direcção Regional de Cultura do Algarve organizaram este encontro no contexto da RMA.

Tendo em conta que Portugal tem um enquadramento relativamente recente sobre uma política cultural para a salvaguarda do PCI e que se reflecte em termos de legislação e tutela, a contribuição de Paulo Ferreira da Costa centrou-se no plano normativo nacional e na forma como o Instituto dos Museus e da Conservação, organismo com competências atribuídas em matéria de salvaguarda do PCI, perspectiva a implementação da Convenção 2003 em Portugal. Este contexto revelou-se fundamental, primeiramente porque é recente e ainda desconhecido para muitos museus e por outro lado, ainda está a ser definido, o que permite abrir a reflexão sobre um caminho que pauta pela possibilidade de muitas abordagens.

As Direcções Regionais de Cultura (DRC) têm desde 2007 também um papel importante relativamente ao PCI, articulando a estratégia definida pelo IMC no território, nomeadamente ao nível da inventariação. Todavia, em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC são evidentes. O trabalho desenvolvido pela DRC do Alentejo, que tomou a dianteira na formulação de um programa de salvaguarda do PCI nesta região é, de certo modo, uma proposta inovadora e que revela um entendimento mais pragmático e diferenciado da forma como se deve entender uma abordagem ao PCI. Paulo Lima pontuou por um discurso menos formal, deixando antever que abordar o PCI não é isento de incertezas e muitas angústias, um processo que se tem caracterizado por avanços mas também por vários recuos.

Ao longo da tarde, os profissionais dos museus da RMA tiveram a palavra. Em mesa-redonda e a partir dos reptos lançados da parte da manhã, os técnicos partilharam as iniciativas que já decorrem no âmbito do PCI. Metodologias, dificuldades, dúvidas, necessidades, inquietações e interrogações foram alguns dos aspectos abordados.

Nos museus de Lagos, Loulé, Portimão, Olhão, Faro, Alcoutim, S. Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Tavira decorrem ou decorreram já experiências pontuais em torno do PCI, que pontuam pela diversidade, tanto ao nível da profundidade como do tipo de abordagem. Todavia, em grande medida, alguns dos projectos enunciados centraram-se na contextualização e documentação das colecções existentes a partir dos testemunhos orais das comunidades. Os sistemas de inventário, nalguns casos não existem (inclusive para as colecções do museu), noutros estão definidos os softwares para o imaterial (em dois casos), mas estão por implementar. De uma forma muito transversal, as dificuldades identificadas foram as seguintes: recursos humanos e financeiros, mais formação específica em questões técnicas e tecnológicas e a ausência de estratégias que estabeleçam formas de colaboração continuadas com as comunidades.

Os inventários foram um tema recorrente, mas o debate também suscitou questões mais alargadas, sobre o direito de intervenção e interferência dos museus e dos profissionais neste domínio, sobre quem em última instância valida o que é e o que não é PCI? E, afinal, o que é o PCI? Por outro lado, falamos dos tradicionais terrenos antropológicos ou falamos de novos terrenos? Será que faz sentido este enfoque para o PCI, sob pena de que desapareça, quando em ritmo igualmente acelerado se produzem novas culturas, novos significados?

Algumas das questões levantadas não têm resposta fácil, muitas delas não têm uma única resposta, mas significam que os museus são também terreno fértil para a discussão e campo de paradoxos. O que hoje é entendido como património poderá amanhã não o ser, se extremarmos posições.

Mas em jeito de conclusão, pode dizer-se que os museus não estão alheios à importância do PCI e começam a dar pequenos passos nesta matéria. Não obstante as dificuldades inerentes a uma abordagem ao PCI e às formas de valorização, é possível verificar que existe muita vontade em conhecer melhor e identificar o PCI.

Actuar sobre este património exige reflexão e é a partir de pequenas experiências que podemos fazer balanços e tirar daí partido para nos lançarmos em novas aventuras. Este é um caminho que se faz actuando e experimentando. A frase “Don’t run, walk!”, parece ajustar-se bem neste contexto.

Para intervir é preciso conhecer. Como disse Lorena Querol, um inventário não é um fim, mas um caminho!

Por outro lado, os museus não devem responsabilizar-se por todo este património, dada a vastidão do tema. Exigem-se novas formas de colaboração, através da criação de redes e parcerias, nas quais os museus podem ter um papel importante, mas não deverão ser os únicos agentes (escolas, associações, comunidades, universidades, etc.).

Para além disso, nem todo o património precisa de ser salvaguardado, sendo necessário mapear prioridades e dialogar com as comunidades para se perceber o que querem preservar ou não.

Ana Carvalho

A RMA é uma rede informal criada a 16 de Outubro de 2007 e hoje constituída por 14 museus da região do Algarve*. Liberdade de adesão, cooperação em rede, serviço público e ética profissional, informação e comunicação, formação, inovação e programação museológica são alguns dos princípios de actuação desta rede, um projecto inovador em Portugal.

*Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão, Museu Municipal de Portimão, Museu Municipal de Tavira, Museu Municipal de Faro, Museu do Trajo, Museu Municipal de Dr. José Formosinho, Museu Municipal de Lagoa, Museu Municipal de Arqueologia de Silves, Núcleos Museológicos de Alcoutim, Núcleo Museológico da Indústria Conserveira de Vila real de Santo António, Museu Municipal de Olhão e Museu do Mar e da Terra da Carrapateira

Seminário Internacional: « Direito ao Património como Direito Fundamental », 5 e 6 Março 2010

mars 3, 2010

Entre 5 e 6 Março 2010, no Museu de Arte Pré-Histórica de Mação terá lugar o Seminário Internacional: « Direito ao Património como Direito Fundamental ». Devido ao elevado número de inscrições para o seminário, a organização assegura a transmissão em directo no canal http://www.arqueomacao.tv/tv/.

Artigo: « Inventariando Patrimónios Culturales: ocho entrevistas en museos de Lisboa »

février 19, 2010


©Lorena Querol

Gostaríamos de dar aqui a conhecer a Revista E-rph (Revista Electrónica de Património Historico), editada pelo Departamento de Historia del Arte da Universidad de Granada desde 2007.

Esta revista procura estudar e reflectir sobre o património numa perspectiva integradora e globalizante. O âmbito de estudo é o território espanhol, mas a revista também aceita contribuições de carácter internacional. Tem periodicidade semestral e está disponível na internet: http://www.revistadepatrimonio.es/

O n.º 5 da revista, publicado em Dezembro de 2009 apresenta um artigo de Lorena Querol, que aborda o tema do inventário do património cultural a partir de oito museus portugueses. O título do artigo é “Inventariando Patrimónios Culturales: ocho entrevistas en museos de Lisboa”/”Inventoryng cultural heritages: eigth interviews in Lisbon Museums”. O artigo pode ser consultado em:
http://www.revistadepatrimonio.es/

Segundo Lorena Querol « com este artigo saem a luz, por primeira vez, um conjunto de realidades relacionadas com esta função fundamental dos museus, com os seus actores sociais e com os desafios colocados pela Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (UNESCO, 2003), no contexto do panorama museológico português. »

Este artigo insere-se no contexto do projecto de investigação de doutoramento de Querol, cuja tese tem por título « El Patrimonio Cultural Imaterial y la Sociomuseologia: un estudio sobre inventários ». Assim, a autora apresenta e divulga os primeiros resultados do estudo sobre inventário de património cultural no âmbito de um dos capítulos da tese, que inclui os resultados das primeiras 8 entrevistas sobre inventário e também algumas das suas primeiras reflexões sobre o tema.

Resumen:

A partir del concepto de Patrimonio Cultural se abordan los distintos caracteres que poco a poco van dando forma a una relación cordial entre los aspectos materiales e inmateriales de la cultura. Se cuestiona además el sentido, lugar y razón de ser que tienen cuando miramos en dirección al futuro desde el museo y su papel educador. Tomando como elemento de análisis una práctica museológica como el inventario, nos adentramos en el compromiso asumido con la Convención para la Salvaguarda del Patrimonio Cultural Inmaterial para acercarnos a la realidad de su cumplimiento, presentando algunos de los primeros datos obtenidos en un estudio sobre métodos y técnicas de inventario realizado en ocho museos portugueses. La principal conclusión a la que se llega es que todavía falta mucho por hacer en este campo.

Abstract

Having in mind the concept of Cultural Heritage we address the different players that slowly shape a cordial relationship between material and immaterial aspects of culture. Moreover, we question their meaning, place and reason, when wandering about the future since the point of view of the museum and its educational role. Using museology analysis tools such as the inventory, we present some of the first data obtained by research over inventory methods and techniques in eight portuguese museums and thus fulfil the commitment made with the Convention for the Safeguarding of Intangible Heritage. The main conclusion to be drawn is that there is still an important work to be developed in this field.

Sobre a autora:
Licenciada en Bellas Artes y especializada en conservación y restauración de pintura por la Universidad Complutense de Madrid. Máster en Museología Social en la Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, con la tesis de postgrado “La función social del Patrimonio Marítimo portugués”.

Coordinadora del Departamento de Conservación de Patrimonio Cultural de la Santa Casa da Misericórdia de Sintra entre 1997 y 2007; colaboradora del Departamento de Patrimonio del Museu de Marinha de Lisboa entre 2001 y 2007 en calidad de conservadora y museóloga, habiendo creado y coordinado el Projecto de Conservação das Galeotas Reais entre otros.
Actualmente, docente responsable de las disciplinas de Patrimonio Cultural en el IADE, Creative University y en museos portugueses como el Museu da Presidência da República.
Simultaneamente ejerce la investigación en la Universidade Lusófona donde desarrolla su tesis doctoral en Museología sobre “El Patrimonio Cultural Inmaterial y la Sociomuseología: un estudio sobre inventarios” en el contexto de un proyecto europeo de desarrollo socio-cultural que responde al nombre de “Celebração da Cultura Costeira”. Sus publicaciones se encuadran fundamentalmente en el área de la Museología, centrándose en cuestiones como la organización, gestión y uso social de las colecciones museológicas, o en la relación entre el museo y el concepto contemporáneo de patrimonio cultural, desde la óptica de su construcción social.

CIT2010 – International Congress on Tourism – « Heritage & Innovation »

décembre 15, 2009

O ISCET – Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo em parceria com o CIIIC – Centro Interdisciplinar de Investigação e Intervenção Comunitária irá organizar o CIT2010 – Congresso Internacional de Turismo Património e Inovação, que terá lugar no Porto nos próximos dias 21 a 23 de Junho de 2010.

É objectivo deste congresso reunir especialistas na área, para apresentar, analisar e debater questões centrais, à luz de novas realidades empresariais, profissionais e científicas. O Património, a Inovação, o Empreendedorismo e os Negócios do Turismo, os Itinerários Turísticos, o Planeamento e a Sustentabilidade serão temas em destaque.

Pretende-se sobretudo que o congresso constitua um momento por excelência para a actualização de conhecimentos científicos sobre o turismo. Para o efeito, serão convidados académicos, nacionais e estrangeiros, que se têm destacado na investigação nesta área. A Comissão Organizadora tem o prazer de convidar V. Exa. a participar activamente neste evento, apresentando uma comunicação ou simplesmente na qualidade de acompanhante.

Este congresso conta com o apoio do ISCET, bem como de outras instituições e organizações locais.

O CIT2010 será igualmente uma excelente oportunidade para conhecer Portugal e mais concretamente a cidade do Porto, combinando a sua deslocação ao congresso com alguns momentos de relaxamento e de novas experiências, como as festas de S. João.

Para acompanhar os desenvolvimentos da organização do CIT2010, poderá consultar a nossa página onde serão apresentadas todas as ultimas noticias, programa científico e social.

Entrega de resumos para o CIT2010 até 31 de Dezembro de 2009.

Organizing Committee Department of Tourism
T. +351 222 053 685| Email: congress@iscet.pt
ISCET Rua de Cedofeita, 285 4050-180 Porto | PORTUGAL
http://www.iscet.pt/CIT2010

Lançamento do livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II”, 4 Dez. 09

décembre 3, 2009

No próximo dia 4 de Dezembro irá decorrer o lançamento do livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II”. O evento tem lugar na Sala de Convívio da Sociedade Sociedade de Geografia de Lisboa, pelas 18h30.

O Prof. Doutor Manuel Maria Carrilho, Embaixador de Portugal junto da UNESCO, em Paris, fará a apresentação desta obra.

O livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II” constitui o segundo volume de uma série dedicada à análise inter-disciplinar do conceito de « património intangível » e da problemática do património em geral. A obra é coordenada pelos Profs. Doutores António Medeiros e Manuel João Ramos.

Colaboram no livro:

Luís Aires-Barros (Apresentação)

António Medeiros e Manuel João Ramos (Introdução)

James W. Fernandez e Renate L. Fernandez (Práticas Patrimoniais: Contextos Semânticos)

Werner Krauss (O Jardim do Paraíso: Memórias dos Poetas do Sudoeste Português)

Luísa Tiago de Oliveira (Memórias Decisoras e Decididas da Revolução)

António Motta (Cenografia da Última Casa: Memória e Processos Sociais nos Cemitérios Brasileiros)

Xaquín S. Rodríguez Campos (Os Perigos da Cultura-Espectáculo: Turismo e Identidades Locais)

Frances Slaney (Matéria e Memória no Museu Nacional do Canadá)

António Medeiros (Fronteira e Representações da Morte no Noroeste Ibérico)

Ana Paula Zacarias (No Cofre da Memória: Etnografia de um Enlace Diplomático na Unesco)

Francesco Romanello (Arte Indígena e Propriedade Intelectual: Desafio à Imaginação Legal)

Manuela Reis (Noções de Património na Sociedade Portuguesa)

Joana Cunha Leal (Baixa Pombalina: Estratégias de Legitimação Patrimonial)

Ascensión Barañano e María Cátedra (As Roupas Novas do Imperador: Os Museus de Antropologia em Madrid e a Criação do Museu do Traje)

Vitor Oliveira Jorge (Teatro e Arqueologia: Alguns Apontamentos para uma Nova/Antiga Interface)

Pedro Abreu (O Destino do Monumento)

José Duarte Gorjão Jorge (Os Artifícios da Memória)

Pedro Janeiro (Ressalvando as Aparências: Apontamentos sobre a Memória, a Imaginação e o Valor do Monumento)

Manuel João Ramos (O Património é um Roubo Intangível)

Sugestão de leitura: « Património, Herança e Memória – A cultura como criação »

novembre 26, 2009

Património, Herança e Memória – A cultura como criação
Autor: Guilherme d’Oliveira Martins*
Edição: Gradiva, 2009
Descrição Física: 196 p.
ISBN: 978-972-616-305-1

* Guilherme d’Oliveira Martins (n. 1952) é Presidente do Centro Nacional de Cultura, ensaísta e docente universitário. Desempenha as funções de Presidente do Tribunal de Contas e foi Secretário de Estado da Administração Educativa, Ministro da Educação, da Presidência e das Finanças, deputado independente à Assembleia da República, Presidente da Sedes e Vice-Presidente da Comissão Nacional da Unesco. É ainda autor da obra Portugal – Identidade e Diferença, editada pela Gradiva. (in site da Gradiva)

Um pequeno excerto do livro:

A cultura ganha uma nova importância na vida política e económica contemporânea. O desenvolvimento humano não é compreensível nem realizável sem o reconhecimento do papel da criação cultural, em ligação estreita com a educação e a formação, com a investigação e a ciência. O que distingue o desenvolvimento e o atraso é a cultura, a qualidade, a exigência – numa palavra, a capacidade de aprender. Deixou de fazer sentido a oposição entre políticas públicas centradas no Património histórico, por contraponto à criação contemporânea. A complementaridade é óbvia e necessária. Basta olharmos os grandes marcos da presença humana ao longo do tempo para percebermos que há sempre uma simbiose de diversas influências, de diversas épocas, ligando Património material e imaterial, herança e criação. A nova Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o Património cultural, assinada em Faro em Outubro de 2005 e já ratificada por Portugal, é um instrumento inovador da maior importância, onde pela primeira vez se reconhece que o Património cultural é uma realidade dinâmica, envolvendo monumentos, tradições e criação contemporânea. Segundo este documento, a diversidade cultural e o pluralismo têm de ser preservados contra a homogeneização e a harmonização. E se falamos de um «património comum europeu», como realidade a preservar, a verdade também é que estamos perante uma construção inédita e original baseada na extensão da dimensão tradicional do Estado de direito, no apelo à diversidade das culturas, no aprofundamento da soberania originária dos Estados-nações, na legitimidade dos Estados e dos povos, na criação de um espaço de segurança e de paz com repercussões culturais e numa maior partilha de responsabilidades nos domínios económico e do desenvolvimento durável.

Trinta anos depois de ter organizado o Ano Europeu do Património Arquitectónico, o Conselho da Europa continua a desempenhar um papel pioneiro na reflexão sobre o significado do Património nas nossas sociedades, em consonância com as preocupações universais da UNESCO, em especial quanto à necessidade de retirar consequências efectivas e positivas relativamente à diversidade cultural e ao conceito de Património imaterial. E a nova Convenção de Faro insere-se na linha das Convenções em vigor – de Granada de 1985, sobre o Património arquitectónico, de La Valetta de 1992, sobre o Património arqueológico, e de Florença de 2000, sobre a paisagem. Trata-se do culminar de uma reflexão levada a cabo pela comunidade científica e pelo Conselho da Europa, desde os anos 70, em matéria de «conservação integrada» dos bens culturais. Sem retornar a mecanismos de protecção já cobertos pelas Convenções precedentes, o novo texto insiste, como veremos, nas reflexões que ora publicamos, nas funções e no papel do Património.

Trata-se de passar da perspectiva de «como preservar o Património, segundo que procedimento?», à questão do «por­quê e para quem lhe dar valor?». E esta ideia concretizou-se no entendimento segundo o qual o conhecimento e a prática respeitantes ao Património cultural têm a ver, antes do mais, com o direito dos cidadãos participarem na vida cultural, de acordo com os princípios do Estado de direito, conforme um conceito mais exigente de direitos e liberdades fundamentais. A Convenção considera, assim, o Património cultural como um valor e um recurso, que tanto serve o desenvolvimento humano em geral, como concretiza um modelo de desenvolvimento económico e social assente no uso durável dos recursos, com respeito pela dignidade da pessoa humana.

Estamos perante um instrumento de referência, apto a influenciar outros instrumentos jurídicos de âmbito nacional e internacional. Isto significa que se trata de um documento que, sem duplicar a acção da UNESCO (designadamente quanto ao conceito de Património imaterial), define objectivos gerais e identifica domínios de acção, bem como direcções e pistas em cujo sentido as partes contratantes aceitam progredir, deixando a cada Estado a capacidade de escolha e a autonomia para optar pelos meios de realização melhor adaptados à sua organização constitucional, e à sua tradição política e jurídica. Estamos, assim, diante de uma Convenção-Quadro, que, como veremos, não cria «direitos executórios» directamente aplicáveis nos países, mas lança um processo de cooperação entre os Estados, convidando-os à actualização e ao progresso das suas políticas do Património em benefício de toda a sociedade.

Já a originalidade do conceito de «património comum da Europa» tem de ser vista como um elemento dinamizador de uma cidadania aberta. O «valor» surge, assim, no «horizonte da experiência histórica», fora de qualquer uma concepção abstracta. Património comum está, deste modo, na encruzilhada das várias pertenças e no ponto de encontro entre memória, herança e criação. Assim se entende a adopção de um mecanismo de acompanhamento e de balanço da cooperação entre os Estados signatários. Uma base de dados comum e um centro de recursos servirão as administrações num sentido de eficiência e de apoio às boas práticas. Indo mais longe do que outros instrumentos jurídicos e políticos e do que outras convenções, o texto visa prevenir ainda os riscos do uso abusivo do Património, desde a mera deterioração a uma má interpretação como «fonte de conflitos» (todos nos lembramos dos exemplos da Ponte de Mostar e de Dubrovnik). A cultura de paz e o respeito das diferenças obriga, no fundo, a compreender de maneira nova o Patrimó­nio cultural como factor de aproximação, de compreensão e de diálogo.

A primeira parte desta obra resulta de uma reflexão pessoal suscitada pelo trabalho conjunto levado a cabo no grupo que foi constituído no Conselho da Europa, e a que tive a honra de presidir, e que propôs ao Conselho de Ministros da Cultura do Conselho da Europa, sob a Presidência portuguesa, a Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o valor do Património cultural na sociedade contemporânea, que foi aprovada no dia 27 de Outubro de 2005, na cidade de Faro.

Acrescentei outros textos sobre alguns temas de cultura portuguesa, onde procurei ilustrar em concreto a importância da relação entre Património, Herança e Memória.

Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa

novembre 19, 2009

Apresentação do “Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa”.
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Anfiteatro Manuel Valadares
18 Nov. 2009

Teve lugar ontem, tal como havíamos anunciado aqui no blogue, a apresentação pública do “Projecto Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa”.

Coube a Marta Lourenço algumas notas introdutórias sobre os aspectos fundamentais desta iniciativa e de seguida Marcus Granato (Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro) desenvolveu com maior detalhe aspectos concretos do projecto.

Património Científico Português – um património a ser preservado! De facto, como bem sublinhou Marta Lourenço este tem sido um património negligenciado em Portugal. Falta um plano à escala nacional que proteja e promova este património, envolvendo vários ministérios. Sobre o que tem sido feito nesta área pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, Marta Lourenço (coordenadora) destacou algumas linhas de intervenção:

-Desenvolvimento de Investigação e Ensino Pós-graduado em Património Científico e Cultura Material da Ciência (Hist. da Ciência) (2006)

-Levantamento do Património Cientifico Português (UC+ UP) (2006). O conhecimento sobre as colecções existentes no país, que dimensão e características é muitas vezes inexistente. Neste sentido é necessário desenvolver metodologias que permitam sistematizar a informação e promover o seu conhecimento.

-Divulgação do Património Científico Português na esfera internacional (2007)

-Programa de apoio a instituições com património científico (2008). Neste momento nove instituições portuguesas estão a receber apoio.

-Normas Gerais de Inventariação e Conservação de Instrumentos Científicos – Thesaurus de Instrumentos Científicos de Língua Portuguesa (+ MAST)

O que é afinal um thesaurus?

Sumariamente, pode dizer-se que um thesaurus cumpre três propósitos. Primeiramente, serve para controlar a terminologia, refere os termos que deverão ser utilizados e os que não deverão ser utilizados. Para além disso, explica o que significa cada um dos termos usados na lista. Finalmente, permite hierarquizar a informação (para uma explicação mais aprofundada consulte a página do ministério da cultura francês sobre a base de dados JOCONDE e onde se apresenta uma breve explicação sobre o que é um thesaurus: (http://www.culture.gouv.fr/)

Marta Lourenço sublinhou que em Museus de Ciência, ao contrário do que acontece com outras tipologias de museus, não se conhecem muitos exemplos de thesaurus publicados. Sobre esta matéria a conferencista fez referência ao thesaurus publicado pelo Museu do Índio (+IPHAN), cuja referência é a seguinte:

Motta, Dilza Fonseca da – Tesauro de cultura material dos índios no Brasil. Colaboração de: Leandra de Oliveira. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2006. 249 p. ISBN 8585986085.

E fez-se ainda menção a um thesaurus criado no seio dos museus de França (Thesaurus des objects mobiliers?) que inclui os instrumentos científicos.

Como um dos exemplos mais importantes de thesaurus na área dos museus foi referido o instituto Getty, que tem um thesaurus online para a arte e arquitectura (http://www.getty.edu/) (entre outros thesaurus) (No menu deste blogue, na categoria “Documentation & Cataloguing” pode encontrar um conjunto de links interessantes para esta área).

Está previsto que o Thesaurus de Instrumentos Científicos em Língua Portuguesa seja publicado em livro, em DVD e apresentado num portal web para consulta de todos. A configuração do portal ainda está a ser discutida, mas tudo indica que terá um motor de busca, um fórum, um banco de imagens e acesso às bases de dados das instituições que participam no projecto.

Marcus Granato começou a sua comunicação por dar a conhecer os antecedentes do projecto, que recuam a 1999 e explanou sobre as motivações subjacentes ao projecto. O objectivo geral deste projecto é efectivamente a criação do thesaurus, mas em concreto pretende-se:

1. Levantar, identificar e pesquisar os termos utilizados pelas instituições detentoras de acervo científico de carácter histórico
2. Classificar, padronizar, controlar e relacionar as terminologias utilizadas
3. Pesquisar e definir imagens padrão a serem utilizadas nos instrumentos (Como vamos fotografar?)
4. Produzir o thesaurus com notas explicativas e procedimentos de utilização
5. Disponibilizar os resultados do trabalho

Em Portugal fazem parte da rede as seguintes instituições:

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (Instituição Coordenadora)
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Museu de Ciência da Universidade do Porto
Museu da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

No Brasil:

Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro (Instituição Coordenadora)
Museu de Ciência e Técnica da Universidade Federal de Ouro Preto
Museu Dinâmico de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Juiz de Fora
Museu da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Colégio Pedro II, Rio de Janeiro
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Ministério de Ciência e Tecnologia

« No Mundo dos Museus » felicita Marta Lourenço e toda a equipa pelo projecto e excelente trabalho que têm feito neste domínio. Este é um exemplo de que o trabalho em equipa e em rede pode trazer bons resultados. Talvez este projecto possa inspirar outras iniciativas na área da normalização em Portugal.

Tertúlia sobre património imaterial

novembre 5, 2009

tertuliaevora

Tertúlia “Património Material e Imaterial: Identidade de um povo »
Fundação Eugénio de Almeida
4 de Novembro de 2009

« A globalização e a transformação social criam, por um lado, condições para o diálogo entre as comunidades, promovendo uma maior reflexão e sensibilização para as questões do património; por outro lado, podem aumentar os riscos da sua deterioração, desaparecimento e eventual destruição.

Envolver as comunidades, as instituições locais e nacionais, numa abordagem multidisciplinar e transversal, é fundamental para a manutenção e salvaguarda do património cultural de um povo.

Apesar das convenções internacionais relativas ao património material e imaterial, estará efectivamente assegurada a sua preservação? Que legado deixamos às gerações vindouras? »

Foi com estas palavras que ontem (04/11/2009) teve início mais uma tertúlia na cafetaria da Fundação Eugénio de Almeida. Uma conversa informal em torno de alguns convidados que pretendeu reflectir sobre o património material e imaterial.

O interesse que parece suscitar o património imaterial começa a reflectir-se cada vez mais na realização de encontros e conferências, decorrente de um maior enfoque da comunicação social sobre este património. Naturalmente este interesse, cada vez mais visível em Portugal, deve-se à Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003), que o Estado português ratificou e que entrou em vigor no nosso país em Agosto de 2008.

A conversa começou por questionar o papel das Convenções e se de facto podem assegurar que o património seja preservado. Efectivamente, como sublinhou a Dra. Clara Bertrand Cabral, só por si as Convenções não resolvem os problemas da preservação do património. É dos Estados-Partes a responsabilidade de implementar este documento normativo (Convenção 2003), que contém recomendações e orientações para actuar, mas que cada país deverá interpretar e adaptar à sua realidade. Portugal já assumiu o compromisso de implementar políticas de salvaguarda do património imaterial, consciente de que este tem sido um património claramente negligenciado. A forma como o Estado português conduzir esta questão será determinante para contribuir ou não para a preservação deste património. Tornar conhecida a Convenção 2003 e os princípios que advoga poderá ser essencial para uma maior consciencialização dos problemas que afectam o património imaterial e uma maior mobilização das comunidades para a sua salvaguarda.

Como bem lembrou o Prof. Jorge Rodrigues, o conceito de património cultural tem vindo a incorporar cada vez mais “patrimónios” e que reflecte, porventura, uma maior necessidade de protecção e maior responsabilização, não apenas dos órgãos governamentais, que detêm a tutela de grande parte do património cultural, mas exige também por parte dos cidadãos maior envolvimento nestas questões. Como referiu o Prof. Rodrigues, Portugal e a maior parte dos países do Sul partilham de uma noção de património que delega a responsabilidade de resolver os problemas do património para o Estado. Mas esta é uma situação que terá que ser inevitavelmente contrariada, pois não é exequível.
O Prof. Jorge Rodrigues é responsável em Portugal pelo programa HERITY (http://www.herity.pt/), uma organização dedicada à gestão de qualidade do património cultural.
“L’idea di HERITY nasce nel 1994 su iniziativa del DRI e dalla constatazione dell’esigenza che occorre amministrare al meglio il nostro capitale di beni culturali, nei quali risiede la memoria collettiva dell’Umanità e la storia di ogni essere umano o sua aggregazione nel tempo. Oggi, questo patrimonio riveste anche importanza strategica dal punto di vista dello sviluppo economico e del raggiungimento di una migliore comprensione reciproca fra i popoli; in altre parole le condizioni per la pace.” (in site http://www.herity.it/)

O Dr. José Nascimento (director da Direcção Regional de Cultura do Alentejo) falou de um projecto-piloto que está a ser implementado no domínio do imaterial, que terá começado por um mapeamento cultural que permitiu identificar algumas manifestações deste património para serem objecto de planos de salvaguarda, desde logo o cante alentejano, a viola campaniça, o cantar de improviso, entre outras.

Os temas abordados foram sendo variados ao longo da noite, recaindo sobretudo para aspectos ligados ao património cultural na sua vertente material, o que de certo modo reflecte que abordar a salvaguarda do património imaterial é ainda um terreno pouco conhecido nos termos que a Convenção defende. A subjectividade do tema e a ausência de uma política cultural neste domínio em Portugal nas últimas décadas ajuda à falta de enquadramento nesta área. Porém, embora se tenha dito nesta tertúlia que neste domínio terá que se partir do zero, creio que a realidade está longe de ser tão pessimista. Afinal, não podemos menosprezar que há um enormíssimo trabalho no domínio da antropologia e etnografia que tem sido feito por investigadores e académicos que têm documentado e estudado muito do nosso património imaterial. Poderiam ser citados inúmeros nomes, mas logo à memória vêm-me os nomes de Giacometti e Lopes Graça.

Tertúlia « Património Material e Imaterial: Identidade de um povo »

novembre 4, 2009

tertulia

« Património Material e Imaterial: Identidade de um povo » é o tema da tertúlia que decorre hoje na Fundação Eugénio de Almeida.

À conversa irão estar:

José Nascimento, Director Regional de Cultura do Alentejo
Clara Bertrand Cabral, Responsável pelo Sector da Cultura na Comissão Nacional da UNESCO
Jorge Rodrigues, Historiador de Arte e Coordenador do proframa HERITY em Portugal
Artur Goulart, Coordenador Científico do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora
Constança Andrade, Museóloga

Fórum Eugénio de Almeida
4 de Novembro
21h30
Entrada livre (condicionada a 35 pessoas, máx.)

Rua Vasco da Gama, 13, 700-941 Évora
Tlf: 351 266748 350

Passeios guiados « SOS » Azulejo

novembre 3, 2009

PASSEIOS GUIADOS ‘SOS AZULEJO’
1º Passeio-7 Novembro, 15,30h.
Hospital de S. José, Lisboa
Visita guiada por José Meco

INSCRIÇÃO GRATUITA MAS OBRIGATÓRIA para telef 21 9844232 ou museu.pj@pj.pt – Boletim Inscrição

O ‘Projecto SOS Azulejo’ anunciou uma nova actividade: passeios guiados pelos maiores especialistas a locais com património azulejar português de particular interesse, locais esses por vezes pouco conhecidos e/ou não muito acessíveis, e/ou em risco.

Os passeios decorrerão num sábado de cada mês, às 15.30h. Datas e locais já confirmados:
– 7 de Novembro – Hospital de S. José
– 5 de Dezembro – Hospital de Sta Marta.

O 1º conjunto temático destes passeios é dedicado ao ‘Circuito dos Hospitais de Lisboa’. Seguir-se-ão em 2010 e ainda em Lisboa, o ‘Circuito de Palácios’, o ‘Circuito de Conventos’, e circuitos pelos Bairros Históricos, em datas a anunciar.

As visitas serão guiadas pelos maiores especialistas em azulejaria portuguesa, estando já confirmadas as participações de: Vítor Veríssimo Serrão, José Meco, Ana Paula Rebelo Correia, Rosário Salema de Carvalho e Susana Flor.

Para a feliz prossecução dos ‘Passeios SOS Azulejo’, o ‘Projecto SOS Azulejo’ agradece a colaboração das seguintes instituições:

– ‘Rede Temática de Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel Santos Simões’, Centro de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;
– Unidades de Projecto dos Bairros Históricos, Câmara Municipal de Lisboa;
– Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central. EPE.

Colóquio « Património Cultural: Ir Mais Além », 20 Nov. 2009

octobre 27, 2009

Patrimonio ir mais alem

No próximo dia 20 de Novembro de 2009 irá realizar-se o colóquio « Património Cultural: Ir Mais Além », na Fundação Calouste Gulbenkian.

O colóquio está organizado em três temas:

Tema 1: Património e nova cultura do desenvolvimento: uso sustentável dos recursos, prosperidade local e benefícios colectivos.

Tema 2: Património e gestão da mudança: valores para uma Europa das diversidades

Tema 3: Responsabilidade partilhada, parcerias e participação: o património, factor de envolvimento democrático

Consulte o Programa

A inscrição até 13 de Novembro. A entrada é livre.

Inscrições: Centro Nacional de Cultura tel. 213 466 722
email: crgomes@cnc.pt
Informações: Centro Nacional de Cultura tel. 213 466 722
email: crgomes@cnc.pt
IGESPAR – DIED tel: 213614336 email: died@igespar.pt

Colóquio: « Entre a História a Estética e a Técnica: Diálogos de Património Cultural, 18 Set. 2009

septembre 7, 2009

cartazcoloquiodialogos

No próximo dia 18 de Setembro tem lugar na Universidade de Évora (Palácio Vimioso) um colóquio subordinado ao tema: « Entre a História a Estética e a Técnica: Diálogos de Património Cultural ».

A organização deste colóquio cabe aos alunos do curso de Mestrado em Gestão e Valorização do Património Histórico e Cultural (2008/2010) da Universidade de Évora.

Serão discutidos as várias dimensões do património cultural. Assim, as comunicações organizam-se em torno de cinco painéis distintos: Património Imaterial, Construído, Móvel, Arqueológico e Industrial.

A inscrição é gratuita mas é obrigatória.

Foi criado um blogue para divulgação do colóquio e onde poderã encontrar mais informação (ficha inscrição, programa, links de interesse, etc.): http://coloquiodpc.wordpress.com/