Archive for the ‘Intangible Cultural Heritage’ Category

Livro « Património Cultural Imaterial »

octobre 10, 2011

Foi lançado, no passado dia 29 de Setembro, o livro « Património Cultural Imaterial-Convenção da UNESCO e seus contextos » de Clara Cabral (Edições 70, nº 98 da Col. Arte & Comunicação).

Sobre o livro:

A ratificação por Portugal, em 2008, da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial tem suscitado grande curiosidade quanto à sua natureza, características e valor para a sociedade.

O que é o património cultural imaterial? Porque é importante a sua salvaguarda?

Qual a utilidade de um instrumento normativo internacional?

Estas são algumas das questões analisadas no presente livro, onde se dá a conhecer a Convenção da UNESCO de forma simples e objectiva para que todos possam colaborar eficazmente na salvaguarda do nosso extenso e riquíssimo património intangível.

(Fonte: Edições 70)

Conteúdos:

Prefácio
Introdução
1. Apontamentos sobre património e cultura
1.1. Essência e desígnios do património cultural
1.2. Questões culturais na sociedade global
1.3.Direitos culturais colectivos
1.3.1. Populações indígenas
1.3.2. Minorias
1.3.3. Grupos de migrantes
1.4. Folclore e cultura popular
2. Convenção do Património Cultural Imaterial
2.1. Criação da Convenção de 2003
2.2. Relação com a Convenção do Património Mundial
2.3. Órgãos e mecanismos da Convenção
3. Salvaguarda como processo participativo
3.1. Identificação, documentação e pesquisa
3.1.1. Inventários
3.1.2. Inventariação
3.2. Viabilização a longo prazo
4. Listas da Convenção
4.1. Lista Representativa
4.2. Lista de Salvaguarda Urgente
4.3. Programas, Projectos e Actividades
5. Impactos sobre as comunidades e grupos
5.1. Propriedade Intelectual
5.2. Turismo
5.3. Desenvolvimento sustentável
6. Aplicação da Convenção em Portugal
6.1. Contexto normativo
6.2. Entidades responsáveis e agentes no terreno
7. Notas finais
Bibliografia
Anexos
Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial
Directivas Operacionais para a Aplicação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (excertos)
Lei n.º 107/2001 de 8 de Setembro (excertos)
Decreto-Lei n.º 139/2009 de 15 de Junho
Portaria n.º 196/2010 de 9 de Abril

(fonte: informação enviada pela autora)

O livro pode ser adquirido aqui:
http://www.almedina.net/

ou aqui:
http://www.edicoes70.pt/site/node/440

CONF: « Les mesures de soutien au patrimoine immatériel: gouvernements, institutions et municipalités »

mars 15, 2011

Les mesures de soutien au patrimoine immatériel: gouvernements, institutions et municipalités
14-17 avril 2011 | Hôtel Château Laurier
Ville de Québec (QC) Canada

A conferência conta com uma participação portuguesa, Cristina Baptista (membro do conselho administrativo da Fundação INATEL).

Mais informações:
http://patrimoine-immateriel.qc.ca/%20colloque

Concurso para o Património Cultural Imaterial

février 14, 2011

« Vive o PCI – Património Cultural Imaterial » é o tema de um concurso de fotografia e vídeo promovido pela Direcção Regional de Cultura do Algarve em colaboração com a Fnac Algarveshopping.

O concurso decorre entre 01 Fevereiro e 30 de Julho de 2011.

Veja aqui para saber como participar!

Site do concurso:
www.vivepci.com

Mais informações:
Direcção Regional de Cultura do Algarve
Rua Francisco Horta n.º 9, 1º D
Apartado 492
8000-345 Faro

Tel.: 289 896 070 ▪ 289 803 633 ▪ 289 803 901 ▪ 913 731 309 ▪ 961 560 782

E-mails: comunicacao@cultalg.pt; tmorais.estagio@cultalg.pt

A categoria de Património Cultural Imaterial – abreviadamente PCI – é a expressão de um recente alargamento da velha noção de património etnográfico, institucionalizado internacionalmente pela UNESCO na convenção de 17 de Outubro de 2003 e ratificado por Portugal em Março de 2008.

Neste universo integram-se práticas, representações e expressões tradicionais que se manifestam oralmente, através de manifestações artísticas e de carácter performativo, de práticas sociais, rituais e festividades, concepções conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo, bem como os conhecimentos e competências técnicas tradicionais, bens materiais e espaços que lhes estão associados, que as comunidades reconhecem como parte integrante da sua herança cultural, no quadro de uma titularidade colectiva e de uma efectiva transmissão entre gerações.

Sendo objecto de uma constante recriação – e daí também a sua fragilidade enquanto património, porque exposto à transformação dos sistemas de produção, da sociedade e dos saberes – o Património Cultural Imaterial proporciona um sentimento de identidade e de continuidade aos grupos e comunidades, um nexo de trajectória com espessura temporal, com passado e futuro e em que o presente é gerador de felicidade, compatível com os direitos humanos tal como estes são internacionalmente aceites.

Pela sua natureza específica, este património só pode ser preservado se for sentido como uma necessidade vital de afirmação do indivíduo, de asserção do colectivo, no respeito pela diversidade e por aquilo que nos aproxima enquanto pessoas.

Para salvaguardar o PCI é necessário atrever-se a ser diferente: e a maneira mais eficaz de o ser é manter a tradição. Vivendo-a.

Direcção Regional de Cultural do Algarve

Colóquio Património Imaterial em Portugal, 31 Jan. 2011

janvier 19, 2011

No próximo dia 31 de Janeiro (segunda-feira) terá lugar o colóquio « Património Imaterial em Portugal: dos enquadramentos globais às actuações no terreno. Realiza-se no auditório do Museu Nacional de Etnologia e é organizado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

Programa

II Fórum do Património Imaterial do Douro: « Como Documentar o Intangível? A Resposta dos Museus », 26 Nov. 2010

novembre 16, 2010

No próximo dia 26 de Novembro tem lugar o II Fórum do Património Imaterial do Douro: « Como Documentar o Intangível? A Resposta dos Museus ». Realiza-se no Museu do Douro.

Programa e Ficha de inscrição

Call for papers: International Journal of Intangible Heritage, até 15 Dez. 2010

octobre 29, 2010

PLEASE ANSWER TO: ijih.editor@gmail.com

*International Journal of Intangible Heritage *

*Call for papers*

*International Journal of Intangible Heritage* seeks to be an inter communicative and interdisciplinary channel for scholarly research on intangible heritage around the world with respect to its preservation, transmission and promotion. With critical academic articles, provocative viewpoints and reviews, the *IJIH*, a peer-reviewed academic journal tries to enrich discourses on intangible heritage that reflects the connections between intangible heritage and people.

*International Journal of Intangible Heritage* is an annual-basis publication officially supported by the International Council of Museums (ICOM) with its publication secretariat office in the Cultural Exchange and Education Division, the National Folk Museum of Korea

*Deadline for the IJIH Vol.6*: *Dec. 15th. 2010*

*Editor-in-Chief*: Professor Amareswar Galla (E-mail: *a.galla@yahoo.com.au*)

*Publication Secretariat* ijih.editor@gmail.com

※ Prospective authors are requested to submit *the submission
form*attached with her/his article.

For further information and inquiries, please refer to the official webpage of IJIH: http://www.ijih.org

*How to write papers for International Journal of Intangible Heritage* **

*Scope *

Prospective authors may submit academic and research papers, columns, and short articles of 2000 words or reviews of 1,000 words on intangible heritage for publication in the journal.

*Format*

Manuscripts should adhere to the following criteria:

*(1) Format *

Whatever word processing system is used to produce the manuscript, the final file should be saved and submitted in unjustified text alignment such as a Rich Text Format(RTF) file, without other formatting such as MS word.

*(2) Length *

Articles should be between 4000 and 6000 words long, excluding notes, bibliography and captions to illustrations. We aim for roughly 800 words for the page.

* To publish a longer article having more words, please consult with the Editorial Board by email to the Editor-in-Chief (*a.galla@yahoo.com.au*).

*(3) Typing *

The preferred font is either 12-point Times New Roman or 11-point Arial.
Authors should not use different fonts and different sizes of type.

*(4) Margin *

Margins should be at least one inch wide on all sides. Please do not justify the right margin. Left justification only.

*(5) Automatic utilities such as bullet points, endnotes,etc.*

Automatic utilities such as bullet points, endnotes,etc. may be lost when the file is transferred to printer’s typesetting. Please type these in by hand or, in the case of endnotes, put them in a separate file.

*(6) Photographs and Images *

– Wherever possible photographs or other illustrations should be submitted in digital form in either JPEG, EPS or TIFF formats. A satisfactory digital photography is likely to be at least 1MB file.

– Scanned images must be prepared at a resolution of not less than 300 dpi.

– Photographs taken by digital cameras should preferably be taken at a 2048X1536 pixels setting, using ‘Fine’ if possible.

– Each image should be saved and attached to the email message submitted with the manuscript as a separate file. These should not be embedded.
Captions etc. (these should include any necessary acknowledgement of copyright) should be sent as a separate file.

– It is the authors’ responsibility to obtain necessary permission for use of copyright materials. All such material should be acknowledged in accordance with the terms of any copyright permission.

*(7) Title Page*

The title page should adhere to the following criteria:

– Full Title: this should be specific and concise indicating the subject and scope of the paper submitted.

– Sub-title: the subtitles for page headers should contain no more than 50 characters (including spaces).

– The name of the author: this should appear with details of the author’s nationality and the name of the organisation to which they are affiliated.

-Abstract: authors are requested to submit an abstract of approximately 200 words outlining the content of their paper.

*(8) Citations*

Endnotes should be indicated in the text in normal type in the form of (1)
(2) (3). List each note at the end of the article followed by a bibliography. Authors are requested not to use their word-processing system’s Endnote/Footnote system as these are generally not compatible with printers’ typesetting systems.

*(9) Bibliography and references*

In matters of style, IJIH generally follows the rules set out in the Chicago Manual of Style (Chicago: University of Chicago Press, the 15th Edition, 2003).

Electronic Sources (Web, CD etc.): It is suggested that authors refer to the pages or CD titles (or the nearest equivalent) with the full web address (or CD publisher and catalogue number) and the date consulted.

Please refer to
http://www.chicagomanualofstyle.org/tools_citationguide.html for details.

Tese de Mestrado: « Património Cultural Imaterial: Proposta de uma Metodologia de Inventariação »

mai 4, 2010

Património Cultural Imaterial: Proposta de uma Metodologia de Inventariação
Autora: Clara Maria Ferreira Bertrand Cabral
Orientação: Maria Celeste Gomes Rogado Quintino
Dissertação apresentada ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas/Universidade Técnica de Lisboa para obtenção do grau de Mestre em Ciências Antropológicas (pré-Bolonha)
Ano: 2009. Tese defendida a 26 de Abril de 2010

Nota: Júri constituído por Maria Celeste Gomes Rogado Quintino (Presidente), Maria Elsa Marques Peralta da Silva, Maria de Fátima Calça Amante

Resumo: O tema desta dissertação de mestrado em Ciências Antropológicas aborda o problema da inventariação do património imaterial tal como configurado na Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial e explora um conjunto de questões centrais na antropologia que permitem pensar a aplicação da Convenção no estudo e inventário das manifestações em contexto português.

Os objectivos da pesquisa sustentam-se em dois eixos de análise que se inter-relacionam e se apoiam em recursos conceptuais e analíticos sugeridos pela revisão da literatura. Num primeiro eixo, procura-se conhecer o “contexto de aplicação”, focando a atenção nos aspectos do património cultural imaterial e do inventário configurados nos textos decorrentes da Convenção e nos normativos portugueses regulamentares. Esta análise convoca um conjunto de contributos teóricos da antropologia.

Num segundo eixo, procura-se compreender os processos implicados na definição de metodologias de inventariação, especificando procedimentos e recomendações que contribuem para a resolução do problema do inventário do património cultural imaterial e desenhando os instrumentos de recolha de dados etnográficos e de inventariação. A metodologia e instrumentos de inventariação propostos foram aplicados em contexto de trabalho de campo a uma manifestação do património cultural imaterial local, a produção de olaria pedrada em Nisa.

Conf: « A Herança Nazarena: ao encontro dos patrimónios », 27 Mar. 2010

mars 16, 2010

A HERANÇA NAZARENA: ao encontro dos patrimónios

Data do evento: 27 de Março de 2010
Local: Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
Organização: Liga dos Amigos da Nazaré

PROGRAMA

As questões relacionadas com o Património tem vindo a assumir um papel de destaque, que se reflecte nas iniciativas promovidas e/ou apoiadas pelos órgãos do Estado, reconhecendo-se assim, que a qualidade de vida, bem como o desenvolvimento social e cultural das populações, depende da relação e valorização dos seus bens patrimoniais. Para alem destas mais valias sociais, o Património revela‐se cada vez mais como um importante gerador de riqueza, tal como foi concluído num estudo recente (“Cultura, Conhecimento e Desenvolvimento Económico e Social”; Augusto Mateus, 2009), já que o turismo cultural, está associado a uma maior informação e interesse, sendo por isso mais rentável que outro tipo de turismo. Contudo, para que possa haver uma optimização destas mais‐valias, é necessário repensar e requalificar o património numa perspectiva de continuidade e de integração da mudança, evitando separar o Passado do Futuro. Este processo deverá ser acompanhado de um investimento nos equipamentos culturais, da mobilização de corpos técnicos qualificados e do envolvimento das populações, para que desta forma se possa promover a entrada das regiões com potencial turístico, nos circuitos culturais internacionais. Tendo por base estas linhas mestras, e os seus princípios estatutários, a Liga dos Amigos da Nazaré, promove a conferencia “A herança nazarena: ao encontro dos patrimónios”, que terá lugar no dia 27 de Marco no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré.

A escolha da palavra “herança” é simbólica e foi buscar a sua inspiração ao conceito de “Living Heritage” proposto pela UNESCO. Pretende‐se assim, introduzir o sentido de continuidade, que deve estar associado ao Património. “Heranca” remete para a ideia de algo que vem do Passado para se manifestar no Presente, devendo por isso ser preservado e gerido para que possa ser usufruído no Futuro. Já o plural dado a palavra “património” esta relacionado com a amplitude conceptual que esta noção encerra. A ideia é realçar que na realidade não existe “um Património”, mas sim vários. Tendo em conta as características da Nazaré, optou‐se por apresentar para debate, questões relacionadas como Patrimonio imaterial e artístico, marítimo e arquitectónico, na medida em que congregam elementos importantes da vivência nazarena, sobre os quais importa reflectir.

A organização dos conteúdos temáticos, tem subjacente uma lógica de “materialização” do património, já que se parte da apresentação de conceitos e exemplos do “Patrimonio imaterial e artístico”, passando pela questão do “Patrimonio marítimo” que reúne elementos de essência imaterial e material, para finalizar com a temática do “Patrimonio arquitectónico” que será o corpo metafórico desta materialização.

Os objectivos desta iniciativa passam pela identificação e formas de valorização dos patrimónios da Nazaré, procurando envolver a população, de modo a que os cidadãos possam assumir de modo informado e consciente, um papel activo na salvaguarda
dos bens que constituem a identidade nazarena. A lógica de continuidade que subjaz a esta iniciativa, torna imperativa a participação das gerações mais novas, por esse motivo, foi intenção da Liga dos Amigos da Nazaré, envolver individualidades e associações que de alguma forma podem contribuir para assegurar a dinamização de iniciativas futuras de cariz idêntico. Assim, assume‐se que esta conferência deverá ser entendida como um ponto de partida para outras da mesma natureza.

Inscrições:
Inscrições pelo e‐mail: liganazare@gmail.com

(A entrada e gratuita mas limitada ao numero de lugares disponíveis.)

Parcerias:
Câmara Municipal da Nazaré;
Jornal Região da Nazaré;
Restaurante Adega Oceano;

Com a colaboração de:
anazArt – Associacão Nazarena de Artes Plásticas;
Unimos – Associacão Tecnológica;
Museu Dr. Joaquim Manso;

Mais informações:
Liga dos Amigos da Nazaré: http://www.lanazare.blogspot.com/

e‐mail: liganazare@gmail.com

Localização da conferência:
Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré
Morada: Av. Grupo Desportivo “Os Nazarenos”
2450‐291 Nazaré

Sobre jornada de trabalho « Património Cultural Imaterial »

mars 11, 2010

Jornada de trabalho “Património Cultural Imaterial” – moderação: Ana Rodrigues Carvalho & Lorena Querol. Da esquerda para a direita vê-se: Paulo Ferreira da Costa, Lorena Querol, Ana Rodrigues Carvalho e Paulo Lima. Fundação Manuel Viegas Guerreiro. 8 Março 2010

No dia 8 de Março de 2010 realizou-se uma jornada de trabalho subordinada ao Património Cultural Imaterial (PCI) no âmbito da iniciativa “Técnicos dos Museus Encontram-se”, que a Rede de Museus do Algarve (RMA) promove. Estes encontros são espaços de diálogo destinados a potenciar a partilha de experiências entre os profissionais dos museus da RMA. Esta jornada de trabalho teve, porém um enquadramento particular, na medida em que trouxe contribuições de fora da RMA, ao contrário do que tem vindo a ser feito, de âmbito mais técnico e interno. Foi neste contexto, que fui convidada a participar, na qualidade de moderadora, representando, de algum modo a perspectiva da investigação.

A razão deste encontro prendeu-se com a necessidade de se reflectir sobre estratégias para a salvaguarda do PCI nos museus. O PCI é um tema que começa a ser uma preocupação trilhada por cada vez mais museus, um pouco na senda da adopção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003) da UNESCO, ratificada por Portugal em Março de 2008. Também o Conselho Internacional de Museus (ICOM) atribui competências aos museus na salvaguarda do PCI, tal como é patente em documentos de referência como a « Carta de Shanghai » (2002) e a « Declaração de Seoul » (2004). E por outro lado, note-se a mudança evidente de paradigma, quando em 2007 a definição de museu proposta pelo ICOM passaria a substituir “testemunhos materiais” por “património material e imaterial”. Pode dizer-se que este enquadramento internacional lança o repto aos actores culturais e aos museus em particular.

Assim, reconhece-se à partida que o PCI é também um campo de actuação dos museus, mas entre as intenções e as práticas permanecem muitas dúvidas sobre como agir sobre este património tão complexo. Como podem os museus abordar e responsabilizar-se mais pelo PCI? Foi a partir destas inquietações que o Museu Municipal de Loulé e a Direcção Regional de Cultura do Algarve organizaram este encontro no contexto da RMA.

Tendo em conta que Portugal tem um enquadramento relativamente recente sobre uma política cultural para a salvaguarda do PCI e que se reflecte em termos de legislação e tutela, a contribuição de Paulo Ferreira da Costa centrou-se no plano normativo nacional e na forma como o Instituto dos Museus e da Conservação, organismo com competências atribuídas em matéria de salvaguarda do PCI, perspectiva a implementação da Convenção 2003 em Portugal. Este contexto revelou-se fundamental, primeiramente porque é recente e ainda desconhecido para muitos museus e por outro lado, ainda está a ser definido, o que permite abrir a reflexão sobre um caminho que pauta pela possibilidade de muitas abordagens.

As Direcções Regionais de Cultura (DRC) têm desde 2007 também um papel importante relativamente ao PCI, articulando a estratégia definida pelo IMC no território, nomeadamente ao nível da inventariação. Todavia, em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC são evidentes. O trabalho desenvolvido pela DRC do Alentejo, que tomou a dianteira na formulação de um programa de salvaguarda do PCI nesta região é, de certo modo, uma proposta inovadora e que revela um entendimento mais pragmático e diferenciado da forma como se deve entender uma abordagem ao PCI. Paulo Lima pontuou por um discurso menos formal, deixando antever que abordar o PCI não é isento de incertezas e muitas angústias, um processo que se tem caracterizado por avanços mas também por vários recuos.

Ao longo da tarde, os profissionais dos museus da RMA tiveram a palavra. Em mesa-redonda e a partir dos reptos lançados da parte da manhã, os técnicos partilharam as iniciativas que já decorrem no âmbito do PCI. Metodologias, dificuldades, dúvidas, necessidades, inquietações e interrogações foram alguns dos aspectos abordados.

Nos museus de Lagos, Loulé, Portimão, Olhão, Faro, Alcoutim, S. Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Tavira decorrem ou decorreram já experiências pontuais em torno do PCI, que pontuam pela diversidade, tanto ao nível da profundidade como do tipo de abordagem. Todavia, em grande medida, alguns dos projectos enunciados centraram-se na contextualização e documentação das colecções existentes a partir dos testemunhos orais das comunidades. Os sistemas de inventário, nalguns casos não existem (inclusive para as colecções do museu), noutros estão definidos os softwares para o imaterial (em dois casos), mas estão por implementar. De uma forma muito transversal, as dificuldades identificadas foram as seguintes: recursos humanos e financeiros, mais formação específica em questões técnicas e tecnológicas e a ausência de estratégias que estabeleçam formas de colaboração continuadas com as comunidades.

Os inventários foram um tema recorrente, mas o debate também suscitou questões mais alargadas, sobre o direito de intervenção e interferência dos museus e dos profissionais neste domínio, sobre quem em última instância valida o que é e o que não é PCI? E, afinal, o que é o PCI? Por outro lado, falamos dos tradicionais terrenos antropológicos ou falamos de novos terrenos? Será que faz sentido este enfoque para o PCI, sob pena de que desapareça, quando em ritmo igualmente acelerado se produzem novas culturas, novos significados?

Algumas das questões levantadas não têm resposta fácil, muitas delas não têm uma única resposta, mas significam que os museus são também terreno fértil para a discussão e campo de paradoxos. O que hoje é entendido como património poderá amanhã não o ser, se extremarmos posições.

Mas em jeito de conclusão, pode dizer-se que os museus não estão alheios à importância do PCI e começam a dar pequenos passos nesta matéria. Não obstante as dificuldades inerentes a uma abordagem ao PCI e às formas de valorização, é possível verificar que existe muita vontade em conhecer melhor e identificar o PCI.

Actuar sobre este património exige reflexão e é a partir de pequenas experiências que podemos fazer balanços e tirar daí partido para nos lançarmos em novas aventuras. Este é um caminho que se faz actuando e experimentando. A frase “Don’t run, walk!”, parece ajustar-se bem neste contexto.

Para intervir é preciso conhecer. Como disse Lorena Querol, um inventário não é um fim, mas um caminho!

Por outro lado, os museus não devem responsabilizar-se por todo este património, dada a vastidão do tema. Exigem-se novas formas de colaboração, através da criação de redes e parcerias, nas quais os museus podem ter um papel importante, mas não deverão ser os únicos agentes (escolas, associações, comunidades, universidades, etc.).

Para além disso, nem todo o património precisa de ser salvaguardado, sendo necessário mapear prioridades e dialogar com as comunidades para se perceber o que querem preservar ou não.

Ana Carvalho

A RMA é uma rede informal criada a 16 de Outubro de 2007 e hoje constituída por 14 museus da região do Algarve*. Liberdade de adesão, cooperação em rede, serviço público e ética profissional, informação e comunicação, formação, inovação e programação museológica são alguns dos princípios de actuação desta rede, um projecto inovador em Portugal.

*Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão, Museu Municipal de Portimão, Museu Municipal de Tavira, Museu Municipal de Faro, Museu do Trajo, Museu Municipal de Dr. José Formosinho, Museu Municipal de Lagoa, Museu Municipal de Arqueologia de Silves, Núcleos Museológicos de Alcoutim, Núcleo Museológico da Indústria Conserveira de Vila real de Santo António, Museu Municipal de Olhão e Museu do Mar e da Terra da Carrapateira

Jornada de Trabalho «Património Cultural Imaterial», 8 Março 2010

mars 1, 2010

No âmbito das actividades da Rede de Museus do Algarve, no dia 8 de Março de 2010, está previsto um encontro subordinado ao Património Cultural Imaterial, um tema que começa a ser uma preocupação trilhada por cada vez mais museus em Portugal, um pouco na senda da adopção da Convenção para a Salvaguarda do património Cultural Imaterial (2003) da UNESCO, ratificada por Portugal em Março de 2008.

Os “Técnicos dos Museus Encontram-se” são espaços de diálogo que potenciam a partilha de experiências entre os profissionais dos museus. A escolha deste tema revela que cada vez mais os museus procuram responder aos desafios do séc. XXI, que implicam maior representatividade, inclusão e participação das comunidades e um olhar atento ao (s) património (s), entendido de uma forma integrada e alargada (móvel, imóvel, material, imaterial, natural e cultural).

A Rede de Museus do Algarve (RMA) é uma rede informal de 14 museus da região do Algarve, constituída a 16 de Outubro de 2007. Liberdade de adesão, cooperação em rede, serviço público e ética profissional, informação e comunicação, formação, inovação e programação museológica são alguns dos princípios de actuação desta rede, um projecto inédito em Portugal e certamente inspirador para muitos daqueles que sonham um futuro melhor para os nossos museus.

Jornada de Trabalho «Património Cultural Imaterial»
8 de Março de 2010
Local: Fundação M. Viegas Guerreiro, Querença

Programa

10h00 Abertura dos trabalhos (CM Loulé e DRCAlgarve)
10h15 Intervenção de Paulo Ferreira da Costa (IMC, IP)
11h15 Intervalo para café
11h30 Intervenção de Paulo Lima (DRCAlentejo)
12h30 Debate – moderação: Ana Alexandra Carvalho (bolseira FCT/ Univ. Évora) & Lorena Querol (bolseira FCT/ Univ. Lusófona)
13h30 Almoço
15h00 Mesa-Redonda para apresentação de trabalhos em curso e discussão de procedimentos (Técnicos dos Museus da RMA)
17h00 Encerramento dos trabalhos (CM Loulé e DRCAlgarve)

Destinatários: Técnicos de Museus que desenvolvam trabalho na área e colaboradores externos dos Museus

Inscrições: ana.sousa@cm-loule.pt
Data limite de inscrição: 5 Março 2010

CONF: « Recording and safeguarding the intangible », Palermo

février 23, 2010

Está a decorrer um workshop em Palermo dedicado ao tema: “Recording and safeguarding the intangible” (22-23 February 2010, Palermo, Italy)

Oral history, transmission of traditional know-how: what exactly intangible heritage is about and how to identify it properly? Addressed to EH 4 projects partners working on intangible heritage, participants will be trained to tools and methods for the good management and valorisation of this huge Mediterranean value.

If the concept of “intangible heritage” is almost diffused amongst cultural heritage specialists, this aspect of heritage still presents difficulties in terms of identification and management, and how it should be valued and by whom. Intangible heritage is deeply embedded in a range of social, personal, political and economic relationships, which raise questions concerning the applicability of conventional “heritage management” practices and the risks of “folklorisation” and “museumification”.

This workshop aims at providing participants with tools for the recognition, management, valorisation, and transmission to future generations of intangible heritage.

Through theoretical and practical sessions, participants will be introduced to the UNESCO Convention 2003 on the Safeguarding of Intangible Heritage, one of the most important tools for the understanding of cultural heritage at the international level, and to approaches and methods for the recording and dissemination of different types of intangible heritage – oral history, skills and processes, living performances, etc. – and related practical and technical issues that will be exemplified by case studies representative of the various types of intangible heritage.

Case studies include:

1.the analysis of a project developed in Las Palmas de Gran Canaria concerning a multi-stranded approach to the safeguarding and transmission of the oral history and cultural practices of the city;
2.the attendance to a performance of a puppet theatre followed by informal discussion with the puppeteer. Participants will be asked to develop an “implementation strategy” for recording and safeguarding the puppet theatre heritage, an ancient expression of Sicilian art deeply rooted in the local tradition.

The workshop will also represent an important occasion to identify and promote possible synergies between EH 4 projects and strengthen the programme network.

Programme:

EUROMED HERITAGE 4 Workshop
Recording & Safeguarding the Intangible
PALERMO – February 22 & 23, 2010
Provisional Agenda
Place : Biotos Cultura & Eventi, Via XII Gennaio 2, Palermo ‐ Italy

Sunday 20 February
Arrival of participants
17.00 – 18.30 Registration: early arrivals have possibility of registering at hotel, where they will get their folder and badge

Monday 21 February
08.30 – 09.00 Registration
Opening Session
09.00-10.00 Welcome address
1. INTRODUCTION – What is ‘intangible heritage’? Presentation of the 2003 Convention on the Safeguarding of Intangible Heritage and other intangible heritage initiatives, and issues of implementation
Fleur PERRIER DE LA BATHIE, Hani HAYAJNEH
10.00-10.30 Coffee Break
10.30-11.30 2. THE ROLE OF THE INVENTORY IN SAFEGUARDING INTANGIBLE HERITAGE METHODOLOGY – dialogue between David OFFICER and Christian HOTTIN. How does the inventorying of intangible cultural heritage fit with the multi-stranded approach required for safeguarding and sustaining ICH in contemporary civil society?
11.30-12.30 Discussion and workshopping of ideas concerning THE IDENTIFICATION OF INTANGIBLE HERITAGE, preliminary ideas about its transmission and safeguarding, and the issues they raise, from the experience of the participating
EH4 projects
Julie SCOTT
12.30-14.00 Lunch break
14.00-16.00 3. RECORDING THE INTANGIBLE – Presentation and discussion of the practical, technical and ethical considerations raised in the recording of intangible heritage: – Oral history
Ebru SOYTEMEL
– Skills, performances & processes
Cécile PELISSIER
16.00-16.30 Tea / Coffee break
16.30–17.30 4. INTRODUCTION OF LOCAL CASE STUDY
The Sicilian Puppet Theatre – history, transformation and survival
Andrea INGRASSIA
18.00–20.00
5. Attend PERFORMANCE at Nino CUTICCHIO’s puppet theatre in Palermo, followed by informal discussion and backstage tour with the puppeteer, owner of the most ancient puppet theatre still operating in Palermo
Facilitated by Andrea INGRASSIA
(Filming – for training and discussion purposes)
Tuesday 23 February
09.00-11.00 1. CLASSROOM: Review and discussion of issues raised by puppet recording
11.00-11.30 Tea / Coffee break
11.30-13.30 2. SITE VISITS: Visit to the archives and puppet workshops of Enzo MANCUSO and Mimmo CUTICCHIO (Two groups)
Andrea INGRASSIA
13.30-14.30 Lunch break
14.30-16.00 3. PRESENTATION AND DISCUSSION
ICH and intellectual property rights
16.00-16.30 Tea / Coffee break
16.30-18.00 4. CONCLUDING DISCUSSION AND EVALUATION:
Participants reflect on the applicability of the issues covered in the workshop to their own projects and professional practice, and draw up an individual plan for how to take this further.With comments and feedback from all the short term experts

Artigo: « Inventariando Patrimónios Culturales: ocho entrevistas en museos de Lisboa »

février 19, 2010


©Lorena Querol

Gostaríamos de dar aqui a conhecer a Revista E-rph (Revista Electrónica de Património Historico), editada pelo Departamento de Historia del Arte da Universidad de Granada desde 2007.

Esta revista procura estudar e reflectir sobre o património numa perspectiva integradora e globalizante. O âmbito de estudo é o território espanhol, mas a revista também aceita contribuições de carácter internacional. Tem periodicidade semestral e está disponível na internet: http://www.revistadepatrimonio.es/

O n.º 5 da revista, publicado em Dezembro de 2009 apresenta um artigo de Lorena Querol, que aborda o tema do inventário do património cultural a partir de oito museus portugueses. O título do artigo é “Inventariando Patrimónios Culturales: ocho entrevistas en museos de Lisboa”/”Inventoryng cultural heritages: eigth interviews in Lisbon Museums”. O artigo pode ser consultado em:
http://www.revistadepatrimonio.es/

Segundo Lorena Querol « com este artigo saem a luz, por primeira vez, um conjunto de realidades relacionadas com esta função fundamental dos museus, com os seus actores sociais e com os desafios colocados pela Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (UNESCO, 2003), no contexto do panorama museológico português. »

Este artigo insere-se no contexto do projecto de investigação de doutoramento de Querol, cuja tese tem por título « El Patrimonio Cultural Imaterial y la Sociomuseologia: un estudio sobre inventários ». Assim, a autora apresenta e divulga os primeiros resultados do estudo sobre inventário de património cultural no âmbito de um dos capítulos da tese, que inclui os resultados das primeiras 8 entrevistas sobre inventário e também algumas das suas primeiras reflexões sobre o tema.

Resumen:

A partir del concepto de Patrimonio Cultural se abordan los distintos caracteres que poco a poco van dando forma a una relación cordial entre los aspectos materiales e inmateriales de la cultura. Se cuestiona además el sentido, lugar y razón de ser que tienen cuando miramos en dirección al futuro desde el museo y su papel educador. Tomando como elemento de análisis una práctica museológica como el inventario, nos adentramos en el compromiso asumido con la Convención para la Salvaguarda del Patrimonio Cultural Inmaterial para acercarnos a la realidad de su cumplimiento, presentando algunos de los primeros datos obtenidos en un estudio sobre métodos y técnicas de inventario realizado en ocho museos portugueses. La principal conclusión a la que se llega es que todavía falta mucho por hacer en este campo.

Abstract

Having in mind the concept of Cultural Heritage we address the different players that slowly shape a cordial relationship between material and immaterial aspects of culture. Moreover, we question their meaning, place and reason, when wandering about the future since the point of view of the museum and its educational role. Using museology analysis tools such as the inventory, we present some of the first data obtained by research over inventory methods and techniques in eight portuguese museums and thus fulfil the commitment made with the Convention for the Safeguarding of Intangible Heritage. The main conclusion to be drawn is that there is still an important work to be developed in this field.

Sobre a autora:
Licenciada en Bellas Artes y especializada en conservación y restauración de pintura por la Universidad Complutense de Madrid. Máster en Museología Social en la Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, con la tesis de postgrado “La función social del Patrimonio Marítimo portugués”.

Coordinadora del Departamento de Conservación de Patrimonio Cultural de la Santa Casa da Misericórdia de Sintra entre 1997 y 2007; colaboradora del Departamento de Patrimonio del Museu de Marinha de Lisboa entre 2001 y 2007 en calidad de conservadora y museóloga, habiendo creado y coordinado el Projecto de Conservação das Galeotas Reais entre otros.
Actualmente, docente responsable de las disciplinas de Patrimonio Cultural en el IADE, Creative University y en museos portugueses como el Museu da Presidência da República.
Simultaneamente ejerce la investigación en la Universidade Lusófona donde desarrolla su tesis doctoral en Museología sobre “El Patrimonio Cultural Inmaterial y la Sociomuseología: un estudio sobre inventarios” en el contexto de un proyecto europeo de desarrollo socio-cultural que responde al nombre de “Celebração da Cultura Costeira”. Sus publicaciones se encuadran fundamentalmente en el área de la Museología, centrándose en cuestiones como la organización, gestión y uso social de las colecciones museológicas, o en la relación entre el museo y el concepto contemporáneo de patrimonio cultural, desde la óptica de su construcción social.

Lançamento do livro: « Artes de Cura e Espanta-Males – Espólio de Medicina recolhido por Michel Giacometti”, 5 Dez. 09

décembre 4, 2009

No próximo dia 5 de Dezembro realiza-se uma sessão de lançamento do livro “Artes de Cura e Espanta-Males – Espólio de Medicina recolhido por Michel Giacometti”. A obra foi coordenada por Ana Gomes de Almeida, Ana Paula Guimarães e Miguel Magalhães. O evento terá lugar no Museu do Trabalho Michel Giacometti, pelas 15h00.

Museu do Trabalho Michel Giacometti
Largo Defensores da República
2910-470 Setúbal
Tel+351 265 537 880
Fax +351 265 537 889
museu.trabalho@mun.setubal.pt
museutrabalho@iol.pt
http://www.mun-setubal.pt/MuseuTrabalho
GPS Google Earth: 38º31′23.84”N 8º53′11.30ºW

Sobre o livro:

Residente ainda hoje no Museu da Música Portuguesa, este notável espólio – recolhido por Michel Giacometti, organizado em 5500 fichas de doenças – foi, pelo entusiasmo e trabalho de Miguel Magalhães, Ana Paula Guimarães e Ana Gomes de Almeida, preparado, classificado e exposto perante olhares de médicos especialistas, poetas, artistas, investigadores, professores; afinal, gente com vontade de conhecer e comentar, como impulsivamente lhe apetecesse, os textos de rezas, ladainhas, provérbios, orações (frequentemente com ervas, às vezes através de pedras ou animais) para recuperar males de, por exemplo, tensão arterial, hemorróidas, gangrena, brotoeja, raquitismo, halitose, anorexia, leucorreia, anemia, coqueluche, nefrite, ciática, apoplexia, doenças dos olhos, tumores, epistaxis, fracturas, fogagem, bronquite, insónias, cãibras, blenorragia, picadas de abelhas, hemorragias, piolhos, afrontas, espigas das unhas…
Mezinhas para curar mazelas? Artes de cura e espanta-grandes-males? Ao leitor apetecerá decerto envolver-se nestas receitas desaconselhadas hoje em dia, mas concebidas, porventura, há milhares de anos e transmitidas de geração em geração, manifestando secretas crenças relativas ao corpo e à doença.

Fonte: email Museu do Trabalho

Lançamento do livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II”, 4 Dez. 09

décembre 3, 2009

No próximo dia 4 de Dezembro irá decorrer o lançamento do livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II”. O evento tem lugar na Sala de Convívio da Sociedade Sociedade de Geografia de Lisboa, pelas 18h30.

O Prof. Doutor Manuel Maria Carrilho, Embaixador de Portugal junto da UNESCO, em Paris, fará a apresentação desta obra.

O livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II” constitui o segundo volume de uma série dedicada à análise inter-disciplinar do conceito de « património intangível » e da problemática do património em geral. A obra é coordenada pelos Profs. Doutores António Medeiros e Manuel João Ramos.

Colaboram no livro:

Luís Aires-Barros (Apresentação)

António Medeiros e Manuel João Ramos (Introdução)

James W. Fernandez e Renate L. Fernandez (Práticas Patrimoniais: Contextos Semânticos)

Werner Krauss (O Jardim do Paraíso: Memórias dos Poetas do Sudoeste Português)

Luísa Tiago de Oliveira (Memórias Decisoras e Decididas da Revolução)

António Motta (Cenografia da Última Casa: Memória e Processos Sociais nos Cemitérios Brasileiros)

Xaquín S. Rodríguez Campos (Os Perigos da Cultura-Espectáculo: Turismo e Identidades Locais)

Frances Slaney (Matéria e Memória no Museu Nacional do Canadá)

António Medeiros (Fronteira e Representações da Morte no Noroeste Ibérico)

Ana Paula Zacarias (No Cofre da Memória: Etnografia de um Enlace Diplomático na Unesco)

Francesco Romanello (Arte Indígena e Propriedade Intelectual: Desafio à Imaginação Legal)

Manuela Reis (Noções de Património na Sociedade Portuguesa)

Joana Cunha Leal (Baixa Pombalina: Estratégias de Legitimação Patrimonial)

Ascensión Barañano e María Cátedra (As Roupas Novas do Imperador: Os Museus de Antropologia em Madrid e a Criação do Museu do Traje)

Vitor Oliveira Jorge (Teatro e Arqueologia: Alguns Apontamentos para uma Nova/Antiga Interface)

Pedro Abreu (O Destino do Monumento)

José Duarte Gorjão Jorge (Os Artifícios da Memória)

Pedro Janeiro (Ressalvando as Aparências: Apontamentos sobre a Memória, a Imaginação e o Valor do Monumento)

Manuel João Ramos (O Património é um Roubo Intangível)

Sugestão de leitura: « Património, Herança e Memória – A cultura como criação »

novembre 26, 2009

Património, Herança e Memória – A cultura como criação
Autor: Guilherme d’Oliveira Martins*
Edição: Gradiva, 2009
Descrição Física: 196 p.
ISBN: 978-972-616-305-1

* Guilherme d’Oliveira Martins (n. 1952) é Presidente do Centro Nacional de Cultura, ensaísta e docente universitário. Desempenha as funções de Presidente do Tribunal de Contas e foi Secretário de Estado da Administração Educativa, Ministro da Educação, da Presidência e das Finanças, deputado independente à Assembleia da República, Presidente da Sedes e Vice-Presidente da Comissão Nacional da Unesco. É ainda autor da obra Portugal – Identidade e Diferença, editada pela Gradiva. (in site da Gradiva)

Um pequeno excerto do livro:

A cultura ganha uma nova importância na vida política e económica contemporânea. O desenvolvimento humano não é compreensível nem realizável sem o reconhecimento do papel da criação cultural, em ligação estreita com a educação e a formação, com a investigação e a ciência. O que distingue o desenvolvimento e o atraso é a cultura, a qualidade, a exigência – numa palavra, a capacidade de aprender. Deixou de fazer sentido a oposição entre políticas públicas centradas no Património histórico, por contraponto à criação contemporânea. A complementaridade é óbvia e necessária. Basta olharmos os grandes marcos da presença humana ao longo do tempo para percebermos que há sempre uma simbiose de diversas influências, de diversas épocas, ligando Património material e imaterial, herança e criação. A nova Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o Património cultural, assinada em Faro em Outubro de 2005 e já ratificada por Portugal, é um instrumento inovador da maior importância, onde pela primeira vez se reconhece que o Património cultural é uma realidade dinâmica, envolvendo monumentos, tradições e criação contemporânea. Segundo este documento, a diversidade cultural e o pluralismo têm de ser preservados contra a homogeneização e a harmonização. E se falamos de um «património comum europeu», como realidade a preservar, a verdade também é que estamos perante uma construção inédita e original baseada na extensão da dimensão tradicional do Estado de direito, no apelo à diversidade das culturas, no aprofundamento da soberania originária dos Estados-nações, na legitimidade dos Estados e dos povos, na criação de um espaço de segurança e de paz com repercussões culturais e numa maior partilha de responsabilidades nos domínios económico e do desenvolvimento durável.

Trinta anos depois de ter organizado o Ano Europeu do Património Arquitectónico, o Conselho da Europa continua a desempenhar um papel pioneiro na reflexão sobre o significado do Património nas nossas sociedades, em consonância com as preocupações universais da UNESCO, em especial quanto à necessidade de retirar consequências efectivas e positivas relativamente à diversidade cultural e ao conceito de Património imaterial. E a nova Convenção de Faro insere-se na linha das Convenções em vigor – de Granada de 1985, sobre o Património arquitectónico, de La Valetta de 1992, sobre o Património arqueológico, e de Florença de 2000, sobre a paisagem. Trata-se do culminar de uma reflexão levada a cabo pela comunidade científica e pelo Conselho da Europa, desde os anos 70, em matéria de «conservação integrada» dos bens culturais. Sem retornar a mecanismos de protecção já cobertos pelas Convenções precedentes, o novo texto insiste, como veremos, nas reflexões que ora publicamos, nas funções e no papel do Património.

Trata-se de passar da perspectiva de «como preservar o Património, segundo que procedimento?», à questão do «por­quê e para quem lhe dar valor?». E esta ideia concretizou-se no entendimento segundo o qual o conhecimento e a prática respeitantes ao Património cultural têm a ver, antes do mais, com o direito dos cidadãos participarem na vida cultural, de acordo com os princípios do Estado de direito, conforme um conceito mais exigente de direitos e liberdades fundamentais. A Convenção considera, assim, o Património cultural como um valor e um recurso, que tanto serve o desenvolvimento humano em geral, como concretiza um modelo de desenvolvimento económico e social assente no uso durável dos recursos, com respeito pela dignidade da pessoa humana.

Estamos perante um instrumento de referência, apto a influenciar outros instrumentos jurídicos de âmbito nacional e internacional. Isto significa que se trata de um documento que, sem duplicar a acção da UNESCO (designadamente quanto ao conceito de Património imaterial), define objectivos gerais e identifica domínios de acção, bem como direcções e pistas em cujo sentido as partes contratantes aceitam progredir, deixando a cada Estado a capacidade de escolha e a autonomia para optar pelos meios de realização melhor adaptados à sua organização constitucional, e à sua tradição política e jurídica. Estamos, assim, diante de uma Convenção-Quadro, que, como veremos, não cria «direitos executórios» directamente aplicáveis nos países, mas lança um processo de cooperação entre os Estados, convidando-os à actualização e ao progresso das suas políticas do Património em benefício de toda a sociedade.

Já a originalidade do conceito de «património comum da Europa» tem de ser vista como um elemento dinamizador de uma cidadania aberta. O «valor» surge, assim, no «horizonte da experiência histórica», fora de qualquer uma concepção abstracta. Património comum está, deste modo, na encruzilhada das várias pertenças e no ponto de encontro entre memória, herança e criação. Assim se entende a adopção de um mecanismo de acompanhamento e de balanço da cooperação entre os Estados signatários. Uma base de dados comum e um centro de recursos servirão as administrações num sentido de eficiência e de apoio às boas práticas. Indo mais longe do que outros instrumentos jurídicos e políticos e do que outras convenções, o texto visa prevenir ainda os riscos do uso abusivo do Património, desde a mera deterioração a uma má interpretação como «fonte de conflitos» (todos nos lembramos dos exemplos da Ponte de Mostar e de Dubrovnik). A cultura de paz e o respeito das diferenças obriga, no fundo, a compreender de maneira nova o Patrimó­nio cultural como factor de aproximação, de compreensão e de diálogo.

A primeira parte desta obra resulta de uma reflexão pessoal suscitada pelo trabalho conjunto levado a cabo no grupo que foi constituído no Conselho da Europa, e a que tive a honra de presidir, e que propôs ao Conselho de Ministros da Cultura do Conselho da Europa, sob a Presidência portuguesa, a Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o valor do Património cultural na sociedade contemporânea, que foi aprovada no dia 27 de Outubro de 2005, na cidade de Faro.

Acrescentei outros textos sobre alguns temas de cultura portuguesa, onde procurei ilustrar em concreto a importância da relação entre Património, Herança e Memória.

Lançamento do livro « Romanceiro da Tradição Oral »

novembre 25, 2009

Divulgamos informação enviada pela Directora do Museu da Música Portuguesa, Dra. Conceição Correia, através da lista Museum.

Desde 1965, Michel Giacometti iniciou o trabalho de recolha e estudo da literatura popular portuguesa a par e passo com recolha musical. Entre 1972 e 1980, fez parte da equipa de investigadores da Faculdade de Letras de Lisboa, Instituto de Geografia, integrado no projecto Linha de Acção de Recolha e Estudo da Literatura Popular. Com o Plano Trabalho e Cultura, em 1975, intensificou-se esta recolha, existindo no Museu da Música Portuguesa milhares de fichas com contos e lendas, romances e canções narrativas, provérbios e adágios, rezas e benzeduras, autos pastoris e outros textos teatrais.

A obra, sob o título “Romanceiro da tradição oral, recolhido no âmbito do Plano de Trabalho e Cultura dirigido por Michel Giacometti”, foi organizado em dois volumes: o primeiro dedicado aos Romances Narrativos e o segundo aos Romances épicos de assunto carolíngio, históricos de assuntos peninsulares, religiosos e novelescos.

É uma edição das Edições Colibri e teve o apoio da Câmara Municipal de Cascais. A edição foi coordenada pelo Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, com quem a Câmara Municipal de Cascais assinou um Protocolo de Colaboração.

Lançamento no próximo dia 27 de Novembro, pelas 18h30, no Museu da Música Portuguesa.

Museu da Música Portuguesa

International Journal of Intangible Heritage, vol. IV, 2009

novembre 24, 2009

Foi publicado o 4.º número da revista “International Journal of Intangible Heritage” (http://www.ijih.org/)

Sobre a revista:

The International Journal of Intangible Heritage is an annual refereed academic and professional English language journal dedicated to the promotion of the understanding of all aspects of the intangible heritage of the world, and the communication of research and examples of good professional practice.

Este número tem uma pequena contribuição portuguesa. Paulo Ferreira da Costa apresentou um « short paper » sobre o papel do IMC na elaboração de um inventário nacional para o Património Cultural Imaterial. « Drawing-up a nation-wide inventory of intangible heritage in Portugal » é o título do texto.

Conteúdos:

Foreword – Shin Kwang Seop, Chairperson, Editorial Advisory Committee & Director, the National Folk Museum of Korea

Editorial – Amareswar Galla, Editor-in-Chief, Editorial Committee & Professor of Museum Studies, the University of Queensland

Main Papers

Finding the ‘First Voice’ in rural England: the challenges of safeguarding intangible heritage in a national museum – Rhianedd Smith

Conceptualising intangible heritage in the Tropenmuseum, Amsterdam: the Layla and Majnun story as a case study – Sadiah Boonstra

Reading the intangible heritage in tangible Akan art – Kwame Amoah Labi

Let the objects speak: online museums and indigenous cultural heritage – Saskia Vermeylen & Jeremy Pilcher

Len Dong- spirit journeys in contemporary urban Vietnam – Ngo Duc Thinh

Investigative research towards the designation of shamanic village rituals as ‘intangible cultural properties’ of the Seoul Metropolitan Government – Yang Jongsung

Safeguarding intangible heritage: five key obstacles facing museums of the North East of England – Michelle L. Stefano

Short Papers, Reports & Reviews

Seeking tangible benefits from linking culture, development and intellectual property – Wend B. Wendland

Drawing-up a nation-wide inventory of intangible heritage in Portugal – Paulo Ferreira da Costa

Investigating the impact of World Heritage site tourism on the intangible heritage of a community: Tsodilo Hills World Heritage site, Botswana – Susan Keitumetse & Olivia Nthoi

The role of cultural and heritage education at Bakoni Malapa Open Air Museum: demonstrations of cultural practices and craftwork techniques – Dan Musinguzi & Israel Kibirige

Brief Biographies of the Contributors
Instructions to Contributors

Sobre as jornadas de património imaterial em Alcochete

novembre 16, 2009

jornadas alcochete PCI 13

Sobre as VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Professor Manuel Viegas Guerreiro »: Tradição, Memórias, Vidas realizadas em Alcochete alguns comentários:

13 Novembro

O encontro começou por formalizar um protocolo entre este centro de investigação e a autarquia de Alcochete para a realização de trabalho no âmbito do património imaterial no domínio da tradição oral, mais concretamente sobre literatura oral tradicional (LOT), designação adoptada pelo Centro de Tradições Populares.

As comunicações foram sendo variadas, dando a conhecer os problemas de trabalho nesta área e divulgando também alguns trabalhos de investigação, alguns deles ligados a este centro de investigação.

Sobre a história deste centro de investigação consulte o site: http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/ctp/

Maria de Lourdes Cidraes
“As lendas históricas: memória e reinvenção”

“Todos os povos, mas também as comunidades locais, tendem a conservar, como testemunho do seu passado ou como elemento identitário, as suas lendas históricas. De origem anónima, surgindo a partir de acontecimentos que relatam e apresentam como verídicos, ou enfabulação erudita de natureza ideológica, as lendas históricas podem ultrapassar a simples função explicativa e alcançar, pela amplificação semântica e pelo reforço do carácter exemplar e da densidade simbólica, a dimensão do mito. Recuperando e reelaborando anteriores tradições lendárias ou míticas, integram-se no imaginário universal e constituem-se em “memória de memórias”, testemunhando, não a veracidade dos factos evocados, mas os contextos culturais em que surgiram ou que foram sendo transmitidas e reinventadas ao longo dos tempos.”

Sobre alguns aspectos desta comunicação, destacam-se os problemas inerentes à classificação das lendas, que muito frequentemente são organizadas e publicadas de acordo com critérios geográficos. Às dificuldades acresce o carácter subjectivo dos sistemas de classificação. Maria de Lourdes Cidraes tem reflectido sobre esta matéria e como proposta de trabalho sugeriu a organização das lendas em quatro tipologias. Esta investigadora sublinhou ainda a importância da recolha como essencial para um conhecimento deste património tão valioso e a sua difusão às novas gerações, recorrendo aos meios tecnológicos de que temos hoje ao nosso alcance.

Cristina Vinagre Alves
“Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós”

“Este projecto foi desenvolvido na Escola Básica 2,3 El-Rei D. Manuel I, no ano lectivo de 2006/07, por duas turmas de 9.º ano em Área de Projecto. Tratou-se de um trabalho de Educação Patrimonial enquanto instrumento de literacia cultural.
Teve como objectivos essenciais a motivação básica e a experiência directa relativamente ao património imaterial para se chegar à sua compreensão e valorização, num processo contínuo de descoberta. Partiu do passado para ajudar a compreender o presente e assim ajudar a projectar o futuro. Conseguiu dar voz a quem normalmente não tem. Conseguiu o desenvolvimento da auto-estima dos avós e a valorização da sua cultura, como Paulo Freire defende, “o reforço e a capitação para o exercício da auto-afirmação”.

Em nosso entender um projecto exemplar sobre a valorização do património imaterial envolvendo as comunidades para a sensibilização sobre a importância deste património. Um trabalho de parceria que incluiu o museu municipal, comprovando que os museus podem ser agentes e parceiros importantes nesta área.

Thierry Proença dos Santos
“Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense”

“Nesta comunicação, observaremos uma prática discursiva bastante comum na imprensa diária madeirense com interesse sociocultural: o de expandir o estereotipado anúncio necrológico com mensagens pessoais. Tal abordagem permitirá reflectir sobre os discursos da elegia fúnebre, do elogio “in memoriam”, sublinhando a importância que assume a “expressão do luto” nas relações familiares e sociais.
Analisaremos alguns exemplos que dão conta da configuração desses anúncios personalizados. A nossa pretensão é a de demonstrar que este tipo de fonte pode conter um grande interesse quer no âmbito da etnologia da imprensa (enquanto reflexo da vida social de uma comunidade), quer sobretudo no âmbito de uma expressão literária e afectiva.”

Cíntia Mendes
“O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista!”

“A Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 foi, até há poucos anos, constituída por músicos amadores, profissionais de outras área que encontraram na música o seu modo de estar na vida sem nunca concretizarem a ambição de “viver da música”.
Foram salineiros, trabalhadores rurais, operários fabris e marítimos, em comum uma paixão, a música!
Com os testemunhos destes homens, analisando o tecido social do Concelho de Alcochete, podemos perceber como viviam os trabalhadores – músicos, como conseguiram manter duas actividades tão exigentes a maior parte das vezes em condições de grandes carências e cansaço físico.
É uma pequena viagem a outras épocas feitas de sal e música, de suor e alegria.”

Francisco Melo Ferreira
Carlos Patrício
“Memória, Percepção e Identidade”

“Nesta comunicação, começaremos por abordar o significado da memória e dos processos culturais envolvidos na criação de tradições locais. Tentaremos, de seguida, propor uma tipologia de processos ligados à tradição e as suas diferenças leituras enquanto texto, arena e “performance”. Interessa-nos, em particular, a relação entre a memória construída de determinados lugares e a sua percepção espacial.
A memória não é, no entanto, um território fixo em que se vão acumulando os resultados da experiência das comunidades humanas. Através de um processo de permanente reajustamento e reinterpretação, cada época vai ajustando o seu passado às conveniências funcionais do seu presente.
Neste contexto, as identidades locais dependem de processos de identificação das suas especificidades, chegando mesmo a assistir-se ao aparecimento de identidades fictícias, não enraizadas na memória individual e colectiva, que, embora desempenhem um pretenso papel funcional nas economias locais, constituem, por vezes, exemplos grotescos de folclorização da diferença.
Perante a crescente desvalorização de referenciais de identidade espacial, é provável que o “espaço imaginado”, ou melhor, a “dimensão imaginada do espaço”, venha a ganhar amplitude horizontal, mas acabará por perder, em tais circunstâncias a dimensão identitária da sua correspondente profundidade temporal, fazendo com que passemos a viver à tona de um espaço de anonimato e de progressiva falência cultural, de que restarão apenas, na breve espuma dos dias, detritos mas não testemunhos, cicatrizes mas não lembranças, sinais de velhice mas não histórias de vida.
Apesar de tudo, e por muito que custe aos arautos da globalização, “ninguém mora no mundo em geral”, e no sentimento de identidade territorial, embora difícil de definir, mas impossível de negar, parece destinado a converter-se em marco geodésico da nossa capacidade de orientação e em matriz de referência semântica da nossa posição relativa em diversas escalas de envolvência, funcionando como “santo e senha” na nossa acrescida relação com o diferente.
Conforme acentua Onésimo Almeida (1995), “a identidade, sendo diferença, não implica oposição e por isso nada tem de necessariamente anti-universal. […] Ao longo da vida, a nossa identidade vai-se alargando (deve alargar-se) para o universal. Mas todo o universal tem o seu chão.”

O tema da identidade, sempre tão discutível foi abordado na sua relação com a memória. Uma comunicação capaz de provocar reflexão, também pela extraordinária oratória dos conferencistas.

Cláudia Diogo
“Ficção e realidade em histórias pessoais de Monchique”

“Bruxedos, aparecimentos de zorras, ruídos estranhos e presenças invisíveis foram acontecimentos vividos e relatados por habitantes da Serra de Monchique, no Algarve, num trabalho de recolha etnográfica. Momentos de histórias de vida, onde o sobrenatural, o inexplicável e o insólito reflectem quotidianos de outrora e crenças fortemente enraizadas.”

Iolanda Nunes
Rute Nunes
“Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete”

“Nesta apresentação serão abordadas as recolhas efectuadas no âmbito do trabalho de pesquisa da disciplina de Literatura Oral e Tradicional, em 2003 e em 2004.
Os “corpora” recolhidos em Alcochete serão analisados tendo por base a sua relação com os usos e costumes desta vila ribeirinha.
Com os trabalhos elaborados e com esta apresentação pretende-se dar a conhecer composições orais desta localidade e não permitir que esta riqueza se perca.”

Sónia Ferreira
“Memória e Trabalho: quotidianos operários durante a II Guerra Mundial”

“Devido à centralidade que o trabalho assume junto das comunidades operárias, considera-se que estas tendem a construir uma “percepção do tempo criada pelas temporalidades do emprego” (Fentress e Wickman, 1992: 150). Esta precisão temporal não garante o rigor mas proporciona alguma linearidade na evocação, tal como as genealogias familiares igualmente o farão.
A partir do estudo de caso de um grupo de operárias de Almada, durante o período correspondente à II Guerra Mundial, procurarei analisar a forma como a memória destas mulheres, individualmente e em grupo, evoca os ritmos quotidianos do trabalho, o tempo privado e o tempo público, o quotidiano e a excepção, constituindo o espaço da fábrica, porque ligados à família e à redes sociais significativas, um lugar de destaque em todo este processo.”

Paulo Lima
“Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário”

“A Direcção Regional de Cultura do Alentejo está, desde 2007, a implementar uma estratégia para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial desta região. Esta estratégia tem por base dois documentos essenciais: “As directrizes para a criação dos Tesouros Humanos Vivos” e a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”, ambos da UNESCO. Toda esta estratégia está construída dentro de uma acção denominada Programa IDENTIDADES – programa para a salvaguarda do património imaterial do Alentejo.
Um dos projectos fundamentais é a criação de um arquivo digital que permita criar uma efectiva estratégia de salvaguarda. Este inventário, partindo da relação entre património natural, móvel imóvel e imaterial, procura criar, assim, um entendimento entre território, paisagens e identidades. Será este projecto a base da nossa comunicação.”

Um comentário à laia de introdução sobre esta comunicação. É preciso lembrar que no contexto da tutela do património cultural imaterial (PCI) as Direcções Regionais de Cultura (DRC) assumiram recentemente um papel importante na salvaguarda deste património. Estas estruturas regionais são o resultado da fusão de vários serviços ligados ao património arqueológico e arquitectónico que existiam anteriormente com gestão autónoma. Para além disso, importa dizer que o campo de actuação destas novas estruturas veio a alargar-se significativamente no seguimento deste novo cenário administrativo despoletado pelo programa PRACE. Através de legislação específica (Decreto Regulamentar n.º 34/2007, de 29 de Março) ficou estipulado que em matéria de PCI as DRC deverão apoiar a inventariação de manifestações culturais tradicionais imateriais, individuais e colectivas, nomeadamente através do seu registo videográfico, fonográfico e fotográfico. (Art. 2.º, h). Por outro lado, deverão ainda apoiar agentes, estruturas, projectos e acções de carácter não profissional nos domínios artísticos e da cultura tradicional (Art. 2.º, c). Isto é, compete às Direcções Regionais de Cultura replicar a acção do Ministério da Cultura no território e, neste caso concreto, cabe-lhes um papel claramente instrumental em matéria de inventariação do PCI. Em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC neste domínio são evidentes, sendo a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (http://www.cultura-alentejo.pt/) a que efectivamente lançou um programa com sérias intenções em matéria de salvaguarda do PCI.
Paulo Lima enquadrou, em traços gerais, o trabalho que têm vindo a desenvolver neste domínio, nomeadamente assegurar a criação de uma rede de espaços no Alentejo, onde de algum modo se pudesse trabalhar com o imaterial e com as comunidades e, ainda, uma rede “Artes da Fala”, que implica por exemplo a organização de festivais para que haja lugar para a expressão destas manifestações. Sublinhou-se ainda o papel do inventário e a escolha de um “software” da empresa “Sistemas do Futuro” por permitir o cruzamento, em termos de inventário, com outros patrimónios, prevalecendo uma abordagem integrada do património.

jorNADAS ALxochet PCI 14

14 de Novembro
Workshop – “Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional”
Por Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral

“Abordagem dos três momentos nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional: preparação, realização e tratamento. Cada um destes momentos implica outras questões relevantes, como a contextualização, a própria escolha do material audio-visual e, no após recolha, a transcrição e a classificação dos especímenes recolhidos. Outras questões prendem-se, ainda, com a sistematização dos “corpora” obtidos.”

Uma introdução ao tema referiu que a Literatura Oral Tradicional fazia parte do dia-a-dia das famílias, mas as alterações sócio-económicas e com o progresso tecnológico levaram a um certo desuso da Literatura Oral Tradicional. Por exemplo, a mecanização so trabalho levou ao desaparecimento das cantigas de trabalho. Como se disse, de certa maneira, o modo de vida urbano estendeu-se ao meio rural. E neste sentido os hábitos têm vindo a uniformizar-se. Sobre esta questão fez-se também referência ao papel da UNESCO, que tem vindo a chamar a atenção para estes problemas e cuja Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de 2003 é um documento emblemático nesta matéria. Sobre a designação “Literatura Oral Tradicional” (LOT), recorrente ao longo destas jornadas, trata-se de um termo adoptado pelo Centro de Tradições Populares (CTPP) para esta área de trabalho e que foi criada por João David Pinto Correia, actual director deste centro. Segundo Teresa Amaral, as composições de LOT são transmitidas de geração em geração, fazendo parte do património colectivo. “É aquele texto que fica na boca do povo. São textos “fixados”, recriados em cada performance, que conjugam vários discursos – linguístico, gestual e musical.” Como características gerais, as composições de LOT pontuam por apresentar um “conteúdo condensado, economia de meios expressivos, descrição praticamente ausente e por uma adjectivação reduzida.”
Coube a Lina Santos Mendonça fazer referência às questões que se prendem com a metodologia do trabalho de campo no âmbito da recolha da LOT, nomeadamente as fases que constituem o trabalho e várias recomendações gerais.
Falou-se ainda de sistemas de classificação para a LOT, designadamente a necessidade da classificação estar em contínua actualização, em consequência do trabalho de campo com as comunidades, que vai abrindo novas possibilidades. Ana Morão sublinhou os problemas associados à classificação, desde logo problemas que se prendem com a identificação, com a erosão do tempo e com a contaminação entre expressões, para referir apenas alguns.

Jornadas sobre património imaterial em Alcochete, 13 e 14 Nov. 2009

novembre 10, 2009

VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Prof. Manuel Viegas Guerreiro”, nos dias 13 e 14 de Nov. 2009

Local: Biblioteca Municipal de Alcochete
A entrada é livre, mas é necessário inscrição prévia (212348652)

As VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Prof. Manuel Viegas Guerreiro” realizam-se em Alcochete, no âmbito do Acordo de Cooperação estabelecido entre esta Unidade de I&D e a Câmara Municipal de Alcochete, reflectindo a preocupação de ambas as entidades com a preservação do Património Cultural Imaterial, cuja recolha, investigação e sustentabilidade são hoje uma prioridade para os organismos nacionais e internacionais, merecendo o apoio da UNESCO e tendo Portugal já ratificado a Convenção para a sua salvaguarda.

Assim, a Câmara Municipal de Alcochete, consciente da riqueza cultural do seu Concelho, deseja conservar este património para as gerações futuras, tendo vindo a desenvolver o projecto Plano das Memórias do Concelho de Alcochete.

O Centro de Tradições Populares Portuguesas, por sua vez, constitui de há muito um espaço de reflexão e de investigação científica nos domínios multidisciplinares da Literatura Oral e Tradicional, das Tradições Populares Portuguesas, da Etnografia, da Linguística e do Imaginário Cultural.

Estas Jornadas pretendem ser um espaço de partilha. Por isso, o seu programa é abrangente, dele constando diversas comunicações que abordam questões ligadas à recolha, conservação e estudo do Património Imaterial.

Programa:

Dia 13 de Novembro
9h30 Recepção e entrega de documentação
10h00 Sessão de abertura

Luís Miguel Carraça Franco
Presidente da Câmara Municipal de Alcochete
João David Pinto-Correia
Coordenador Científico do Centro de Tradições Populares Portuguesas
Formalização do protocolo entre a CMA e o CTPP

Primeiro painel
10h40 Maria de Lourdes Cidraes
As lendas históricas: memória e reinvenção
11h00 Pausa para café
11h20 Cristina Vinagre Alves
Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós
11h40 Paulo Lima
Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário
12h00 Cíntia Mendes
O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista
12h20 Debate

Almoço livre

Segundo painel
14h30 Francisco Melo Ferreira e Carlos Patrício Memória, Percepção e Identidade
14h50 Cláudia Diogo
Ficção e Realidade em histórias pessoais de Monchique
15h10 Thierry Proença dos Santos
Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense
15h30 Debate
15h50 Pausa para café
Terceiro painel
16h10 Iolanda Nunes e Rute Nunes
Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete
16h30 Sónia Ferreira
Memória e Trabalho quotidianos operários durante a II Guerra Mundial
16h50 Debate
17h10 Sessão de encerramento
Susana Custódio
Vereadora do Pelouro de Cultura e Identidade Local da Câmara Municipal de Alcochete

Dia 14 de Novembro

09h30-12h30 Workshop
Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral
Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional

Seminário de Etnomusicologia,7 Nov. 09

novembre 6, 2009

SEMINÁRIO DE ETNOMUSICOLOGIA
Museu Nacional Soares dos Reis
Porto, 7 de Novembro de 2009

A Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE) e o Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com o Museu Nacional Soares dos Reis, vai organizar no Sábado 7 de Novembro de 2009, um Seminário de Etnomusicologia, seguido de uma Conferência da Prof.ª Salwa Castelo Branco, presidente do referido Instituto, intitulada:

“Etnomusicologia: percurso histórico e tendências actuais”.

O Seminário decorrerá no Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, e terá um número limitado de participantes (30), sendo obrigatória a respectiva inscrição prévia para antonio.huet@gmail.com, o mais urgentemente possível.

Programa

10h00 – Recepção dos participantes

10h30 – 13h00 – Seminário de Etnomusicologia

Maria do Rosário Pestana « A Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral: etnografia, museologia e performance musical na construção do Douro Litoral »

Susana Sardo « Situar as Memórias – Novas formas de encontro com a tradição no quadro dos Ranchos Folclóricos em Portugal »

Maria de São José Corte-Real « Música e Educação numa Perspectiva Etnomusicológica »

João Soeiro de Carvalho « A experiência transcultural na música: Relatividade e Alteridade »

Jorge Castro Ribeiro « Batuku sta na moda: dinâmicas transnacionais da música cabo-verdiana »

13h00 – 14h30 – Interrupção para almoço.

14h30 – 16h00 – Seminário de Etnomusicologia: Debate e Conclusões.

16h00- 16h30 – Pausa Café

16h30 – 18h00 – Conferência seguida de Debate. Aberta ao público.

Salwa Castelo-Branco “Etnomusicologia: percurso histórico e tendências actuais”

18h00 -18h30 – Porto de Honra. Momento musical. Encerramento.

Resumos da Comunicações

« A Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral: etnografia, museologia e performance musical na construção do Douro Litoral ».

Maria do Rosário Pestana

INET-MD – Universidade de Aveiro

A Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral foi um órgão da Junta de Província do Douro Litoral em actividade entre 1937 e 1959. Apesar do âmbito regional desta instituição, a Comissão desenvolveu uma actividade singular no panorama nacional no que se refere ao levantamento etnográfico e histórico-arqueológico da província e à sua imediata divulgação através de um boletim e de uma linha editorial criados para esse efeito, fundou um museu, um arquivo e patrocinou um rancho folclórico e um coro feminino. Essa actividade foi, num primeiro plano, uma resposta à estratégia política de divisão do território nacional e de criação de órgãos diferenciados (e não diferenciadores) implementada pelo Estado. Numa região cujas fronteiras não eram coincidentes com áreas geográficas e humanas prévias, que, nas palavras de um dos seus mentores ‘não o era’, esperar-se-ia a participação na composição de um cenário nacional, num processo de objectificação cultural de âmbito nacional, tal como estava previsto no articulado da Lei. Todavia, a Comissão conseguiu criar um espaço de autonomia e promover formas diferenciadas de pensar e exprimir o seu património. O Douro Litoral, uma realidade inventada e contingente, foi a base territorial da construção de uma identidade provincial efectivada na leitura dos textos, na vivência do percurso expositivo museológico ou na participação em performances musicais.

Nesta comunicação, tendo presente estudos actuais em torno de processos de construção de identidades e de reconfiguração da sociedade através da performance musical, irei debater as seguintes questões: Quem foram os agentes desse processo? Porquê e como foi implementado? Que legado foi constituído?

Irei também discutir o interesse do estudo articulado de práticas etnográficas, editoriais, museológicas e musicais, na crítica ao paradigma essencialista que sustentou a construção de narrativas históricas lineares e legitimou a vivência, ainda que imaginária, de identidades de base territorial.

« Situar as Memórias

Novas formas de encontro com a tradição no quadro dos RF em Portugal »

Susana Sardo

INET-MD – Universidade de Aveiro

O último quartel do século XIX constitui a referência central para a construção do repertório que a grande maioria dos agrupamentos folclóricos em Portugal procura representar. A escolha deste período prende-se com diversos factores mas sobretudo com a consciência segundo a qual os testemunhos orais destas tradições, guardiães da memória, estariam acessíveis na altura de formação dos próprios agrupamentos. Recuar no tempo em termos de recolha de tradição seria tão possível quanto mais idosos fossem os testemunhos orais disponíveis. Durante todo o século XX, a construção do repertório dos agrupamentos folclóricos foi constituída basicamente através da recolha junto de elementos que não faziam parte dos grupos. A consciência de que não só o modelo de apresentação pública do folclore se está a esgotar mas também que essas memórias se situam agora numa espécie de “quarta mão”, sendo a maioria dos elementos dos grupos folclóricos hoje constituídos por jovens com referentes musicais muito diferentes daqueles que representam, os dirigentes dos grupos tentam procurar novas formas de situar a tradição recriando-a em contextos internos levando os mais novos a passar pela experiência de vivência quase em regime de “internato” folclórico. Esta comunicação constitui um momento de reflexão sobre este novo processo a partir de um exemplo vivido em 2005 na região das Terras de Santa Maria.

 » Música e Educação numa Perspectiva Etnomusicológica »

Maria de São José Corte-Real

INET-MD – Universidade Nova de Lisboa

Num momento de reorganização especial do sistema educativo em Portugal, como na Europa e no mundo, sublinho a pertinência da perspectiva etnomusicológica na relação entre a música e a educação. Partindo da observação do que considero ser Etnomusicologia, e tendo em conta tendências recentes das teorias do conhecimento e da comunicação, aponto linhas nas quais a perspectiva etnomusicológica pode beneficiar extraordinariamente a relação entre a música e a educação tanto no ensino genérico como no ensino especializado da música. Ilustrando a minha participação na construção desta perspectiva darei conta de alguns aspectos da minha investigação e acção recentes neste domínio.

 » A experiência transcultural na música: Relatividade e Alteridade »

João Soeiro de Carvalho

INET- MD- Universidade Nova de Lisboa

A consciência da alteridade, ideia fundamental no processo operativo da Etnomusicologia, deu-se quando indivíduos de diferentes grupos humanos tiveram a oportunidade de experimentar realidades sónicas provenientes de outros grupos. Este processo desenvolveu-se com as viagens, com as invenções tecnológicas, e sofreu uma enorme aceleração ao longo do séc. XX. Nesta comunicação, o autor apresenta e comenta alguns factos fundamentais no processo da tomada de consciência da alteridade musical, e reflecte sobre a sua importância para a disciplina da Etnomusicologia – numa perspectiva diacrónica.

« Batuku sta na moda: dinâmicas transnacionais da música cabo-verdiana »

Jorge Castro Ribeiro

INET-MD – Universidade de Aveiro

A publicação com enorme sucesso do cd Miss Perfumado (1992) da cantora cabo-verdiana Cesária Évora marcou definitivamente a entrada da música cabo-verdiana no circuito internacional da chamada world music. Depois desta cantora outros artistas entraram em cena, como Tito Paris, Mayra Andrade ou Lura, consolidando a música cabo-verdiana como uma realidade incontornável a nível global.

Na verdade, muito antes desse sucesso, já a música popular cabo-verdiana era uma realidade transnacional de forte impacte, no âmbito da rede das comunidades emigradas da diáspora cabo-verdiana. Uma rede estruturada em músicos e repertórios que circulavam internacionalmente definindo um dos mais significativos elementos da identidade cabo-verdiana.

Esse sucesso internacional, contudo, apenas veio conferir novas dinâmicas à produção e consumo da música cabo-verdiana, promovendo não só o seu reforço tanto a nível nacional e internacional, como também proporcionando novos desenvolvimentos dos vários géneros musicais. De certa maneira a divulgação internacional da música cabo-verdiana catalizou o interesse pela cultura do país e contribuiu decisivamente para o incremento do turismo, com consequências na economia cabo-verdiana. Por essa razão a música tornou-se numa realidade de valor acrescentado para o país, o que, por um lado fomentou as suas dinâmicas de produção e consumo e, por outro lado, reforçou o seu papel simbólico no campo da cultura. Neste quadro deu-se ao nível transnacional uma interessante inovação nos repertórios, na estética e conteúdos da música e também uma modificação nas atribuições sociais e simbólicas da música.

Os processos que estão por trás destas dinâmicas constituem tópicos de interesse da actual etnomusicologia, nomeadamente a dimensão transnacional da música e a inovação musical na sociedade contemporânea globalizada. “Batuku sta na moda” (“Batuque está na moda”) é o refrão de uma das canções de Lura (“Batuku” publicada no cd Di korpo ku alma, 2005) que reflecte precisamente a maneira como estas dinâmicas são vistas pela comunidade cabo-verdiana.

Nesta comunicação caracterizam-se algumas destas dinâmicas e problematizam-se as múltiplas dimensões e contradições que acompanham a música cabo-verdiana e as suas transformações nas últimas duas décadas.

Organização e coordenação do evento: Henrique Gomes de Araújo, Vice-Presidente da direcção da SPAE, devidamente mandatado para o efeito pela direcção e pela Assembleia Geral.

Agradece-se a colaboração prestada pelo nosso sócio António Alberto Huet de Bacelar Gonçalves.

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Fonte: email Vítor Oliveira Jorge (Presidente da direcção da SPAE)