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Conferência sobre Património Imaterial: « Inventário, Protecção, Representatividade », Museu Nacional do Teatro, 11 Abril 2008

avril 1, 2008

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Património Cultural Imaterial
Feira de S. Mateus, Elvas
©Ana Carvalho, 20 Set. 2007

A 2.ª conferência de um ciclo de colóquios dedicado ao Património Cultural Imaterial irá ter lugar no póximo dia 11 de Abril de 2008 no Museu Nacional do Teatro, desta vez subordinado ao tema: Inventário, Protecção, Representatividade.

Constituído no cruzamento das artes plásticas e das artes performativas, o Museu Nacional do Teatro é repositório da memória e do conhecimento sobre um tipo de manifestações de particular relevância para a interrogação do património imaterial, com expressão numa multiplicidade de suportes e testemunhos que o museu recolhe, preserva, estuda e divulga.

Conjuntamente com aquele Museu, também as colecções do Museu da Música e do Museu Nacional do Traje constituirão os cenários para a reflexão sobre os limites e os desafios que se colocam à documentação e à divulgação, em contexto museológico, de manifestações imateriais, sendo ainda abordadas outras questões relevantes no âmbito do estudo do património imaterial, tais como as fronteiras entre popular e erudito ou entre padrões sociais e criação individual.

Finalmente, este Colóquio constituirá também o lugar para o debate sobre os normativos nacionais e internacionais de referência para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial, respectivamente a Lei de Bases do Património Cultural e a Convenção da UNESCO de 2003.


Programa:

09h30 | Recepção aos Participantes
10h00 | Abertura
10h15 Recolha, Estudo e Divulgação do Património Imaterial: as Colecções do Museu Nacional do Teatro
José Carlos Alvarez (Director do Museu Nacional do Teatro)
10h45 O Efémero, o Imaterial e a Moda
Madalena Braz Teixeira (Directora do Museu Nacional do Traje)
11h15 | Intervalo
11h45 Percursos do Património Imaterial nas Colecções do Museu da Música
Maria Helena Trindade (Directora do Museu da Música)

12h15 |Debate
12h45 | Intervalo para Almoço
14h00 | Visita livre ao Museu Nacional do Teatro
15h00 A Convenção da UNESCO: Inventários e Salvaguarda do Património Cultural Imaterial
Clara Bertrand Cabral (Especialista de Programa – Cultura, CN-UNESCO)
15h30 Aspectos Jurídicos do Património Cultural Imaterial
João Martins Claro (Coordenador da Comissão para o Desenvolvimento da Lei de Bases do Património Cultural, Ministério da Cultura)
16h00 | Debate
17h00 | Encerramento

Inscrição Gratuita (No entanto, é necessário proceder à inscrição)

Organização | Inscrições:
Instituto dos Museus e da Conservação
Departamento de Património Imaterial
Tel: 21-365 08 26 / Email: dpi@imc-ip.pt / http://www.ipmuseus.pt

Programa Ciclo de Colóquios Património Cultural Imaterial
Programa “Inventário, Protecção, Representatividade”
Ficha de Inscrição

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As próximas conferências:

Memória, Identidade e Projecto
Museu da Luz – 30 MAIO 2008

Saberes e Técnicas: entre o Registo e a Transmissão
Ecomuseu Municipal do Seixal – 27 JUNHO 2008

Terrenos Portugueses: O que Fazem os Antropólogos?
Faculdade de Ciências e Sociais e Humanas – OUTUBRO 2008

Museus Globais: Colecções Etnográficas e Multiculturalidade
Museu Nacional de Etnologia – 7 NOVEMBRO 2008

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I Forum do Património Imaterial do Douro

décembre 8, 2007

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Douro
Transmissores de património imaterial devem ser valorizados

O director do Museu Nacional de Etnologia, Pais de Brito, defendeu hoje a valorização daqueles que dão a conhecer o património imaterial das regiões, encontrando formas que vão além de colocar as suas informações num arquivo ou num museu

Ao intervir hoje, em Tabuaço, no I Fórum do Património Imaterial do Douro, Pais de Brito afirmou que este património não é «algo de absolutamente configurado, que preexista, expectante», aguardando que o vão lá buscar.

«Será um erro repetir hoje modos de recolha que passavam muito por este pressuposto, de o colector ser apenas o veículo que transportava para o caderno, o arquivo ou o museu coisas materiais ou imateriais que em qualquer lugar se encontravam», considerou.

Segundo o investigador, «hoje a sua procura tem de transportar consigo um processo de partilha onde se redescobrem e se encontram novos sentidos para aquilo que se recolhe».

Neste âmbito, defende a necessidade de a relação que, por exemplo, um etnógrafo estabelece com o seu informante ser «transposta para o acto do presente em que ela se processa, também enquanto criação social», para que estes não fiquem «acorrentados» ao passado.

Pais de Brito afirmou que, actualmente, os etnógrafos podem «ir mais longe» do que os seus colegas dos séculos XIX e XX, valorando de forma dinâmica «os protagonistas do património imaterial».

Deu o exemplo de um homem de uma aldeia que sabe fazer instrumentos de música e é um grande tocador.

«Ao recolher o seu saber, as indicações de construção ou as suas músicas, provavelmente pode ir-se mais longe e ele vir a ser um professor no Conservatório ou numa escola secundária e montar uma oficina onde ensine outras pessoas», explicou.

Também no património imaterial oral pode acontecer o mesmo, sem que se dê atenção «exclusivamente ao objecto oral em si, como a narrativa, o romance, o conto ou o provérbio que depois vai para um arquivo e pode ser consultado e estudado», acrescentou.

Lembrou que a designação de património imaterial é recente e que, mesmo os museus, não trabalhavam muito com esta dimensão.

«É agora a altura de pensar nas metodologias, até no modo de constituição dos arquivos, porque há meios tecnológicos mais sofisticados», frisou, propondo, por exemplo, a gravação em vídeo da pessoa que transmitiu o saber oral e que «pode ser surpreendida e encantada com a sua voz já no museu ou no arquivo».

O I Fórum do Património Imaterial do Douro, dedicado ao tema ‘Novos desafios para velhas memórias’, está a decorrer no âmbito de um projecto-piloto, lançado este ano pelo Museu do Douro, que pretende fazer o levantamento, a salvaguarda e o estudo deste tipo de património da região.

«A intenção do Museu do Douro é tratar o património imaterial como um repositório do saber popular, transmitido de geração em geração, que nos permitirá ir à origem dos mitos, das lendas», justificou o seu director, Fernando Maia Pinto.

Hoje foi já lançada a primeira obra deste projecto, do investigador Alexandre Parafita, que integra narrações orais recolhidas no concelho de Tabuaço.

Segundo Fernando Maia Pinto, o objectivo é continuar o levantamento pelos outros concelhos do Douro, obtendo «tudo o que for possível para ajudar a ter uma compreensão da realidade humana desde a origem dos tempos».

Lusa / SOL

Fonte: site do Sol, 8/12/2007