Posts Tagged ‘João Carlos Brigola’

História da museologia em foco

juillet 11, 2011

Painel de conferencistas. Da esquerda para a direita: José Brandão, Henrique Coutinho Gouveia, Clara Camacho e Luís Ceríaco
Auditório da Fundação Luso-Americana, Lisboa
© Ana Carvalho, 7 Julho 2011

No passado dia 7 de Julho de 20111 teve lugar em Lisboa uma sessão de trabalho e discussão intitulada « A importância da Museologia na História da Ciência ». Esta sessão enquadrou-se no contexto do « III Encontro de HIstória da Ciência » (Cf. programa), organizado pelo Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi) da Universidade de Évora.

O encontro deu a conhecer algum do trabalho que está a ser desenvolvido pelo CEHFCi, convidando alguns dos seus investigadores para uma sessão temática sobre o papel da museologia na história da ciência.

A sessão, moderada por Clara Camacho, juntou investigadores de diferentes gerações. Henrique Coutinho Gouveia trouxe uma reflexão sobre a história do ensino da museologia e património em Cabo Verde. Note-se que muito recentemente tem havido laços de cooperação entre a Universidade de Évora (e Instituto Politécnico de Tomar) com a Universidade de Cabo Verde ao nível da docência no âmbito do mestrado em « Património, Turismo e Desenvolvimento » (2010/2011). Ainda no âmbito destas colaborações refira-se o seminário « Património, Museologia e Autarquias », coordenado por Coutinho Gouveia e que se realizou em Cabo Verde em Novembro de 2010 (cf. programa).

José Brandão dedicou a sua intervenção ao tema « Herança histórico-científica do Museu Nacional de Lisboa (Mineralogia e
Geologia) ». Recorde-se que Brandão apresentou em 2009 a tese de doutoramento sobre « Colecções e Museus Geológicos Portugueses: Valores Científico, Didáctico e Cultural » (cf. post) e que ganhou o prémio da APOM para melhor trabalho de museologia.

Apresentação de Luís Ceríaco
Auditório da Fundação Luso-Americana, Lisboa
© Ana Carvalho, 7 Julho 2011

Por sua vez, Luís Ceríaco, um dos doutorandos do CEHFCi apresentou o seu projecto « Colecções zoológicas. A importância dos museus para o desenvolvimento da zoologia em Portugal (XVIII_XX) », dando conta de alguns dos avanços na sua investigação. Este é um projecto orientado por João Carlos Brigola.

Posters de projectos de investigação
Auditório da Fundação Luso-Americana, Lisboa
© Ana Carvalho, 7 Julho 2011

Durante as várias sessões deste encontro, foram divugados os diferentes projectos em curso do CEHFCi, através da apresentação de posters. Neste contexto, também apresentei um poster intitulado « Diversidade Cultural e Museus no séc. XXI: o emergir de novos paradigmas ».

Programa III Encontros Historia da Ciência

Programa seminario « Patrimonio, Museologia e autarquias »

Publicités

Livro: Os viajantes e o ‘livro dos museus’

décembre 9, 2010

Os viajantes e o ‘livro dos museus’
Autor: João Brigola
Edição: Porto, Dafne Editora, 2010.
ISBN: 978-989-8217-10-3.
p.v.p. 17,17 euros (www.dafne.com.pt)

É hoje (9 de Dezembro) o lançamento do livro Os viajantes e o ‘livro dos museus’, da autoria de João Brigola. O livro será apresentado por Maria Luísa Cabral na Biblioteca Pública de Évora, pelas 17h30. Esta é uma publicação da Dafne Editora e do Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora.

Sobre o livro:

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, numerosos viajantes estrangeiros relataram as suas visitas às colecções e museus de Portugal. Este livro recolhe e sistematiza esses textos, escritos quase sempre em língua inglesa, francesa ou castelhana, por homens que se ocupavam com as artes da guerra, a escrita, a diplomacia ou a erudição naturalista.

Esta antologia ajuda a fixar, com maior nitidez, a ideia que temos vindo a construir dos primeiros museus portugueses, caracterizando a integração dos jardins e dos edifícios na paisagem urbana, a dimensão das áreas de exposição, as propriedades físicas dos espécimes, os métodos de classificação e de exibição, a importância das colecções e sua função didáctica, os discursos científicos adoptados, a competência e o desempenho profissional dos responsáveis, a ligação entre o funcionamento dos museus e a situação política do país.

Através dos olhares, muitas vezes excêntricos, quase sempre preconceituosos e cruéis, por vezes judiciosos e certeiros, obtém-se um retrato da cultura setecentista e oitocentista que, dada a natureza multidisciplinar dos textos – da literatura, da história, da crítica de arte, da ciência e da antropologia – se oferece à descoberta da paisagem museológica portuguesa.

Sobre o autor:

João Carlos Pires Brigola (Lisboa, 1955). Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1977) e doutorado em História/Museologia pela Universidade de Évora (2001). Autor do livro Colecções, gabinetes e museus em Portugal no séc. XVIII (FCG-FCT,2003). É professor na Universidade de Évora e na Universidade Nova de Lisboa e Director do Instituto Português de Museus

………

Mais informações:
http://www.dafne.com.pt
Dafne Editora / André Tavares / dafne@dafne.com.pt / 222005579

Alissandra Cummins no encerramento do colóquio « Os Museus e a República »

mai 21, 2010

Sessão de abertura do colóquio, 19 Maio 2010

Maria Bolaños, 19 Maio 2010

Alissandra Cummins, 20 Maio 2010

Nos dias 19 e 20 de Maio realizou-se no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) o colóquio “Os Museus e a República”, organizado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

O encontro pontuou pela qualidade dos conferencistas convidados, reunindo de forma bastante concertada investigadores, alguns, porventura, mais conhecidos da comunidade museológica portuguesa a par com outros investigadores com projectos de doutoramento em curso ou recentemente terminados. O colóquio organizou-se em torno de quatro painéis de comunicações, que no cômputo geral permitiram diversas aproximações à história dos museus na República (museus de arte e arqueologia, ciências, literatura). O programa do colóquio contemplava inicialmente um enquadramento mais internacional, com contribuições de Espanha, França e Grã-Bretanha, mas esse objectivo acabou por não ser alcançado, já que Dominique Poulot e Helen Rees Leahy não estiveram presentes. Todavia, sublinhe-se a participação de Maria Bolaños, sobejamente conhecida entre nós através de publicações como a “Historia de los museos en España” (Trea, 1997), “La memoria del mundo: Cien años de museologia 1900-2000” (Trea, 2002), entre outros.

Alissandra Cummins, Presidente do Conselho Internacional de Museus (ICOM), esteve presente no colóquio para o encerramento dos trabalhos, aproveitando para sublinhar a importância do tema escolhido este ano para celebrar o Dia Internacional dos Museus, a harmonia social. A Presidente do ICOM esteve em Portugal esta semana a convite da Federação de Amigos dos Museus de Portugal.

A publicação dos textos apresentados e as conclusões deste colóquio serão certamente um contributo importante para a museologia, iniciativa que o IMC pretende levar a cabo a breve trecho, tal como foi referido no final deste encontro pelo seu director, João Carlos Brigola.

Colóquio internacional « Os Museus e a República », 19 e 20 Maio 2010

avril 14, 2010

Nos dia 19 e 20 de Maio irá realizar-se o colóquio internacional « Os Museus e a República ». Entre os investigadores portugueses convidados para debater este tema estão José-Augusto França, Raquel Henriques da Silva, Jorge Custódio, Henrique Coutinho Gouveia, Luís Pequito Antunes, Joana Baião, Luís Raposo, Sandra Leandro, Duarte Freitas, Carlos Fiolhais, José Brandão, Joaquim Caetano e José Manuel de Oliveira. Para um olhar mais internacional sobre estas questões foram convidados Dominique Poulot, Helen Rees Leahy e Maria Bolaños, figuras sobejamente conhecidas da museologia.

Organização: Instituto dos Museus e da Conservação (IMC)
Apoio: Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Évora (CEHFCi)

O evento terá lugar no auditório do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).

Público-alvo: Técnicos de Museus, Palácios e Monumentos; Investigadores, docentes e alunos universitários

Pode encontrar a ficha de inscrição e programa no site do IMC:
http://www.ipmuseus.pt/pt-PT/Default.aspx

A proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 constituiu um momento fundamental da História de Portugal, marcando profundamente a sociedade, as instituições e a cultura do país. É neste contexto, que o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) em parceria com o Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Évora, irá realizar um colóquio internacional subordinado ao tema “Os Museus e a República”.
A coordenação científica está a cargo do Professor Doutor João Carlos Brigola, docente do Departamento de História da Universidade de Évora e Director do IMC.

O Programa do Colóquio contempla os seguintes temas: Museus ou colecções formados entre 1910 e 1932 (data da instituição do Estado Novo e da aprovação de nova legislação sobre Património e Museus); Museus ou colecções formados em período anterior e posterior; Personalidades marcantes (directores, museólogos, técnicos, coleccionadores); Labor legislativo e Política Cultural da 1ª República; Colecções e Museus em Espanha, França e Grã-Bretanha.

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

Com a implantação da República Portuguesa, a 5 de Outubro de 1910, foi reforçada a vontade política e legal de dar corpo e coerência a uma rede de museus nacionais e regionais, de acordo com uma visão pedagógica, patrimonial e artística que se queria essencialmente divulgadora e descentralizadora. Entre 1912 e 1924 criaram-se vários museus regionais (de arte, arqueologia, história e numismática), ainda que quase todos derivados de iniciativas já conhecidas em período anterior. Criaram-se dois museus nacionais (o de Arte Antiga e o de Arte Contemporânea), assim como museus de tipologia inovadora, como é exemplo a Casa-Museu do escritor Camilo Castelo Branco, em S. Miguel de Seide, bem como a construção da Casa dos Patudos de Alpiarça, concebida pelo arquitecto Raúl Lino para albergar a colecção de arte de José Relvas e aberta ao público depois da sua morte. O Museu dos Coches, criado em 1905 por iniciativa da rainha D. Amélia, foi elevado em 1911 à categoria de museu nacional.

A primeira república estabeleceu assim uma coerente e promissora rede de museus nacionais e regionais. Da importante documentação legal produzida neste período deve ser destacado o Decreto n.º 1 do Governo Provisório, datado de 26 de Maio de 1911, visando a reorganização do ensino de Belas Artes, dos serviços de Museus e da protecção do Património artístico e arqueológico. A sua redacção foi da responsabilidade de uma comissão, cujo relator era o Dr. José de Figueiredo. Este museólogo, com intensas ligações aos meios museológicos europeus, pôde contar com a colaboração do pedagogo e museólogo coimbrão, António Augusto Gonçalves, cujos pareceres influenciaram, por exemplo, a instituição do Museu Machado de Castro.

Considerando, pois, a pertinência de se proceder à avaliação do labor cultural, patrimonial e museológico deste período histórico, pretende-se transmitir a este Colóquio um carácter científico e internacional, apostando no convite exclusivo a investigadores de créditos já firmados, incluindo algumas personalidades europeias com obra reconhecida nesta área disciplinar, de modo a que se possa estabelecer um panorama coevo da museologia europeia da primeira republica portuguesa.

(Fonte: site do IMC)

Planeamento Estratégico: Museus para o séc. XXI

janvier 21, 2010

O Plano Estratégico do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC): Museus para o séc. XXI foi ontem (20/01/2010) apresentado diante de uma audiência que encheu por completo a sala do Museu de Arte Popular onde se realizou a conferência de imprensa.

A sessão foi inaugurada pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, que introduziu alguns dos tópicos que fazem hoje a actualidade e os problemas dos museus nacionais. Seguiu-se o director do IMC, João Carlos Brigola, que apresentou o plano estratégico, destacando alguns dos aspectos considerados mais relevantes do documento.

João Carlos Brigola começou por sublinhar que este não é um documento fechado, mas sim um conjunto de fundamentos gerais que deverão orientar a acção do IMC.

Este plano tem em linha de conta 31 prioridades de intervenção e estrutura-se em seis eixos de trabalho:

EIXO 1. Reenquadramento do sistema de gestão dos museus tutelados pelo MC/IMC.

EIXO 2. Inovação de modelos de funcionamento nos museus e palácios do MC/IMC.

EIXO 3. Governança de proximidade com os representantes e associações profissionais dos sectores da Cultura, das Universidades, da Museologia e da Conservação e Restauro, e com os municípios, as regiões autónomas, entidades públicas, as dioceses, as misericórdias, as fundações e outros agentes.

EIXO 4. Consolidação e crescimento sustentado da Rede Portuguesa de Museus.

EIXO 5. Política coerente e integrada de preservação, estudo, documentação e comunicação das colecções de bens materiais móveis e imóveis, sob a sua tutela, e do património imaterial.

EIXO 6. Qualificação profissional e formação académica e científica dos recursos humanos do IMC.

Para conhecer o documento em detalhe clique no seguinte endereço:
Planeamento Estratégico: Museus para o séc. XXI

Tese Mestrado « Os Museus e o Património Cultural Imaterial »

janvier 5, 2010

Os Museus e o Património Cultural Imaterial: Estratégias para o Desenvolvimento de Boas Práticas
Autor: Ana Alexandra Rodrigues Carvalho
Orientador: Prof. Doutor Filipe Themudo Barata
Dissertação apresentada à Universidade de Évora para obtenção do Grau de Mestre em Museologia
Ano: 2009. Tese defendida a 23 de Dezembro

Nota: O júri foi constituído pelo Prof. Doutor João Carlos Brigola (Director do Mestrado) na qualidade de Presidente do júri. Foi arguente o Prof. Doutor Jorge de Freitas Branco (Director do Mestrado em Museologia: Conteúdos Expositivos do ISCTE) e foi vogal o Prof. Doutor Filipe Themudo Barata, orientador da dissertação.

Resumo:

Tomando como referência fundamental o trabalho desenvolvido pela UNESCO em matéria de protecção do Património Cultural Imaterial (PCI), muito particularmente a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003), considerou-se oportuno reflectir sobre as implicações que este enfoque traz para os museus. São indiscutíveis as repercussões que este instrumento trouxe para o reconhecimento da importância do PCI à escala internacional, motivando um crescendo de iniciativas em torno da sua salvaguarda. São vários os agentes envolvidos na preservação deste património, no entanto o International Council of Museums (ICOM) reconhece um papel central aos museus nesta matéria. Mas para responder a este repto, os museus terão que repensar as suas estratégias de forma a relacionar-se mais com o PCI, contrariando uma longa tradição profundamente enraizada na cultura material.

O presente estudo reflecte sobre as possibilidades de actuação dos museus no sentido de dar resposta ao desafios da Convenção 2003, sendo certo que a partir das actividades dos museus é possível encontrar formas de estudar e de dar visibilidade a este património. Em função das especificidades de cada museu, podem ser encontradas estratégias de salvaguarda do PCI, entre as quais se pode incluir o inventário e a documentação (audiovisual, texto, áudio, imagem), a investigação, a divulgação através de exposições e publicações, difusão através da internet, educação não formal, entre outras actividades. Alguns museus começaram já a desenvolver abordagens integradas para a salvaguarda do PCI, cujos exemplos se apresentam. Este tema suscita vários desafios, implicando práticas museológicas inovadoras que possam reflectir o papel dos museus como promotores da diversidade e criatividade cultural.

Palavras-chave: Museologia, Património Cultural Imaterial, Património Cultural, Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, Diversidade Cultural, UNESCO, ICOM.

——

Abstract:

Recalling the UNESCO’s work towards the protection of Intangible Cultural Heritage (ICH), in particular the Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage adopted in 2003, I took this opportunity to reflect upon the implications that this recognition brings to museums. The overwhelming success of this document has raised the importance of ICH at international level, motivating a growing number of initiatives towards its safeguard. Accordingly to the 2003 Convention, there are many agents involved in the preservation of this heritage, yet the International Council of Museums (ICOM) recognises a central role for museums. Nevertheless, to face this challenge, museums will have to rethink their relationship with ICH in opposition to their deep rooted tradition in material culture.

The present study reflects upon the possibilities that museums have to answer the changeling 2003 Convention, recognizing that it’s possible through museum activities to find ways to study and give visibility to ICH. According to each museum specificities, it seams clear that strategies can be engaged in order to promote the safeguard of ICH, including inventory and documentation (audiovisual, audio, text and image), research, promotion through exhibitions, publications, dissemination trough internet and other means, informal education, among other activities. Many museums have already started exploring integrated approaches towards the safeguard of ICH and some of these examples are presented in this study. This theme is challenging, implying innovative museum practices which reflect on museums role towards the promotion of cultural diversity and creativity.

Keywords: Museum Studies, Intangible Cultural Heritage, Cultural Heritage, Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage, Cultural Diversity, UNESCO, ICOM.

Tese Dout. « Colecções e Museus Geológicos Portugueses: Valores Científico, Didáctico e Cultural »

novembre 23, 2009

Colecções e Museus Geológicos Portugueses: Valores Científico, Didáctico e Cultural
Autor: José Manuel M. V. Brandão
Orientadores: Prof. Doutor João Carlos Brigola e Prof. Doutor Josep Maria Mata-Perelló (Universidade Politécnica da Catalunha)
Dissertação apresentada à Universidade de Évora para obtenção do grau de Doutor em História e Filosofia da Ciência
Ano: 2009. Tese defendida a 9 de Outubro.

Obs.: Poderá encontrar esta tese na biblioteca da Universidade de Évora bem como na Biblioteca Central do IMC (a seu tempo, pois creio que estes procedimentos levam algum tempo). E, claro, na biblioteca nacional…)

RESUMO:

Com o presente estudo pretendeu-se identificar e caracterizar uma amostra representativa das diversas colecções de objectos geológicos actualmente existentes sob diferentes tipos de tutela, pública e privada, no território nacional (continente e Regiões Autónomas). Os principais objectivos respeitam à avaliação do potencial científico e cultural dessas colecções e ao diagnóstico das respectivas condições de conservação e acessibilidade.

A título de contexto e comparação, fez-se um pequeno historial do percurso deste tipo de acervos e uma abordagem geral de conceitos no domínio da gestão de colecções, particularmente focada nos materiais geológicos, referindo-se alguns exemplos da cena internacional.

Considerando a emergência da problemática ambiental e do paradigma da geoconservação, abordou-se também a problemática da ligação entre a preservação e a fruição pública do património geológico in situ e as colecções museológicas que, sob a forma de bens móveis, documentam os fenómenos e produtos geológicos cujo conjunto configura a geodiversidade às diferentes escalas de observação.

Os casos exemplares referidos no texto, que se repartem de uma forma assimétrica pelo território português, foram agrupados em quatro categorias segundo as respectivas tutelas: colecções e museus universitários, colecções e museus na dependência de organismos da Administração Central e Regional do Estado, colecções e museus sob tutela de órgãos autárquicos e colecções e museus ligados a entidades de direito privado. Para cada uma destas categorias, tentou proceder-se à leitura global dos materiais existentes, do modo como estão documentados, de eventuais problemas de conservação e segurança e dos recursos humanos envolvidos na sua gestão. Pela sua importância pedagógica e visibilidade, abordam-se igualmente alguns dos novos Centros de Ciência e Centros de Interpretação, focados em temáticas de carácter geológico.

Conclui-se com uma apreciação global do “estado da arte”, reveladora de diversas insuficiências que se manifestam sobretudo ao nível dos recursos financeiros e humanos, ao nível da documentação e da divulgação dos diversos acervos encontrados. No entanto, verificou-se que, no seu conjunto, estes acervos documentam a geovariedade e a infra-estrutura geológica nacional, manifestando um potencial científico e cultural elevado, constituindo um recurso essencial para a investigação em Ciências da Terra e da Vida e para a divulgação da cultura geocientífica.

ABSTRACT

With this study we set out to identify and characterize a representative sample of the various collections of geological objects existing under different types of guardianship, public and private, within the national territory (mainland and the autonomous regions). The main aims of this work concern the assessment of the scientific and cultural potential of these collections and the diagnosis of conditions for their preservation and accessibility.
By way of context and comparison, a small historical pathway was set out for this kind of collections and a general approach of concepts in the domain of the collections management, specially focused on the geological materials, referring to some examples of the international scene.
Considering the emergence of environmental problems and the paradigm of geoconservation, it was tackled up the question of the connection between preservation and public enjoyment of in situ geological heritage and the museum collections which, in the form of movable heritage, document the geological phenomena and products which together set the geodiversity to different scales.
The exemplary cases referred to in the text, which are dispersed in an asymmetric way around the Portuguese territory, were grouped into four categories according to their guardianship: university collections and museums, collections and museums in reliance on services of Central and Regional Administration of the State, collections and museums under the supervision of local authorities and, collections and museums connected to private entities. For each of these categories, we tried an overall understanding of the existing materials and the way they are documented, the eventual conservation problems and safety, and human resources involved with their management. Because of its educational importance and visibility, there are also mentioned some of the new Science and Interpretation Centres, focused on geological themes.
It has been concluded with an overall assessment of the “state of the art », that reveals several shortcomings which occur mainly at the level of financial and human resources, at the documentation and diffusion of the various collections found. However, it was found that, overall, these collections document the geodiversity and geological national infrastructure, expressing a high cultural and scientific potential, establishing an essential resource for the Earth and Life Sciences research and for a geoscientifical culture.

RESUMEN

Con este estudio nos propusimos identificar y caracterizar una muestra representativa de las distintas colecciones de objetos geológicos actualmente existentes bajo de los diferentes tipos de tutela, pública y privada, en el territorio nacional (continental y las regiones autónomas). Los principales objetivos están enfocados en una evaluación del potencial científico y cultural de estas colecciones y un diagnóstico de las condiciones necesarias para su preservación y accesibilidad.
A modo de contexto y comparación, se hizo un poco de historia del recorrido de esas colecciones y un enfoque general de los conceptos en la gestión de las colecciones, en particular, centrada en el material geológico, refiriéndose también a algunos ejemplos a nivel internacional.
Teniendo en cuenta la aparición de las consideraciones ambientales y del paradigma de la geoconservación, se abordó la cuestión de la relación entre la preservación y el disfrute público del patrimonio geológico in situ y las colecciones de los museos que, en forma de bienes muebles, documentan los fenómenos y los productos geológicos que en su conjunto permiten caracterizar la geodiversidad a diferentes escalas de observación.
Los casos ejemplares referidos en el texto, que se distribuyen de una manera desigual por el territorio portugués, se agruparon en cuatro categorías en función de su tutela: colecciones y museos universitarios, colecciones y museos bajo la dependencia de los organismos de la Administración Central y Regional del Estado, colecciones y museos, bajo la supervisión de los órganos locales, colecciones y museos vinculados a entidades privadas. Para cada una de estas categorías, se intento hacer una lectura de los materiales, la forma en que están documentados, los más importantes problemas de conservación, seguridad y recursos humanos que participan en su gestión. Por su importancia educativa y su visibilidad pública, también se abordó algunos de los nuevos Centros de Ciencia y Centros de Interpretación, ubicados en temas o problemáticas de naturaleza geológica.
Se concluye con una evaluación global del estado del arte, indicador de varias deficiencias que se manifiestan principalmente a nivel de recursos financieros y humanos, en la documentación y en la difusión de las diversas colecciones. Sin embargo, se constató que, en general, estas colecciones, que documentan la geodiversidad y la infraestructura geológica nacional, expresan un alto potencial científico y cultural, constituyendo un recurso esencial para la investigación en Ciencias de la Tierra, la Vida y la divulgación de la cultura geocientífica.

Sugestão de Leitura: « Coleccionismo no Século XVIII – Textos e Documentos »

juillet 27, 2009

Coleccionismo

Coleccionismo no Século XVIII – Textos e Documentos
João Carlos Brigola, coordenação
Edição: Porto Editora, 2009
Descrição Física: 144 p.
Colecção Ciência e Iluminismo
ISBN: 978-972-0-34267-6

Sobre o livro:

Uma selecção de textos e de documentos relacionados com a actividade coleccionista portuguesa, ao longo do século XVIII e primeiras décadas de Oitocentos. A proveniência documental é muito diversa: relatos de viajantes, epistolário científico ou familiar, legislação avulsa, regulamentos e relatórios da administração e do Governo, propostas de reformadores, artigos em periódicos, anúncios de leilões, actas de congregações religiosas, memórias académicas, inventários, etc.

Este conjunto textual e iconográfico – alargando o conceito de fonte a áreas mais vastas do que as da tradicional historiografia – permite comprovar o entendimento do museu enquanto instituição central da cultura, local onde confluem ideias sobre as sensibilidades, o gosto, o saber científico de uma época e onde se surpreendem as tendências coleccionistas dos seus protagonistas, as suas relações com o poder e com a sociedade.

(In Site da Porto Editora)

VI Jornadas da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM

mars 13, 2008

fundacao-gulbenkian-edificio.jpg

A Direcção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM vai promover novamente uma jornada de reflexão e de debate sobre o tema “novos museus, novas competências, novas carreiras” a realizar na manhã do próximo dia 14, às 10h00, na Sala 1 do Edifício-Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As setes definições de museu que o ICOM apresentou desde 1946 a 2001, e que têm como objectivo estabelecer um quadro comum para toda a organização – recorde-se que a estrutura do ICOM assenta nos comités nacionais e nos comités temáticos – reflectem o evoluir da forma como os museus encaram o seu posicionamento e relação com a sociedade.

Ao definir, em 2001, os museus como organizações não-governamentais, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, o ICOM reflecte inequivocamente o re posicionamento dos museus perante a sociedade. Ao reivindicar para os museus o papel de mediadores entre as colecções que reúnem, o conhecimento que produzem e os seus públicos, o ICOM reconhece que os museus são feitos de pessoas (das suas evidências materiais e imateriais), para as pessoas (os seus públicos) e por pessoas: os construtores desta mediação são os profissionais de museus.

Por outro lado, numa sociedade cada vez mais competitiva e exigente, os museus inscrevem as suas ofertas num mapa cultural mais vasto, e os profissionais de museus importam saberes de outras áreas profissionais ou os museus incorporam novas profissões. Mas porque se inserem numa sociedade também mais participativa, os museus necessitam de desenvolver novos tipos de relacionamentos – parcerias, mecenatos ou voluntariados abrem campos de trabalho novos em que, mais uma vez, os profissionais de museus estão directamente envolvidos.

O novo paradigma de museu, com uma carga acrescida de responsabilidade e exigência de qualidade que recai nos profissionais de museus, implica novas competências – a adquirir em ambiente de formação académica ou em ambiente de formação contínua -, implica a assumpção de novas áreas funcionais e implica reflectir sobre as profissões museais e a sua identificação bem como reflectir sobre os enquadramentos jurídicos em que se inscrevem no momento conturbado que atravessamos.

Contando desde já com a participação activa de todos os membros do ICOM_Portugal e também de todos os que se interessam por estas questões, considerou-se importante contar com a reflexão de três oradores com diferentes relações e vivências com os museus e os profissionais de museus. Assim, deram-nos o prazer de aceitar o nosso convite:

– Dr. Luís Calado, Presidente do Conselho Directivo da Fundação Ricardo Espírito Santo
– Dr. João Carlos Brigola, Professor Auxiliar do Departamento de História da Universidade de Évora
– Dr. Filipe Mascarenhas Serra, Jurista do IGESPAR, Professor Assistente na Universidade Católica Portuguesa e membro da Comissão Instaladora da Associação dos Comunicadores Culturais

bem como o Dr. Paulo Henriques, membro do ICOM e director do Museu Nacional de Arte Antiga que será o moderador nestas Jornadas, para as quais propomos como documento-base de reflexão o Référentiel Européen des Professions Muséales que estará disponível em www.icom-portugal.org.

Référentiel Européen des Professions Muséales

Entrada Livre*

*O I.M.C., I.P. autorizou os seus funcionários a participarem nestas Jornadas. Será entregue um comprovativo de presença desde que solicitado no início da sessão.

Pelas 15h30 decorrerá a Assembleia Geral da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM para levar a cabo as Eleições para o triénio 2008-2011.

Fonte: Informação enviada por admin@icom-portugal.org