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Tese de doutoramento: “O uso de Energias Renováveis em Edifícios de Museus”

septembre 28, 2011

“O uso de Energias Renováveis em Edifícios de Museus”Autor: Manuel Cardoso Furtado Mendes
Orientação: Mário Moutinho
Tese de doutoramento em museologia apresentada à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT)
Constituição do júri: José Diogo da Silva Mateus (presidente, ULHT), Mário Moutinho (orientador, ULHT), Pedro Manuel Cardoso (vogal, ULHT), Telmo Dias Pereira (Universidade de Coimbra, vogal), Pedro Leite (vogal, ULHT), Vasco Pinheiro (vogal, ULHT), Manuel dos Santos Fonseca (vogal, ULHT)
Nota: tese defendida a Julho de 2011

Resumo:

Este estudo integra-se na área da Museologia tendo como tema “o uso de energias renováveis em edifícios de Museus”, enquadrado pelo destaque que esta área disciplinar tem atribuído na contemporaneidade ao meio ambiente e à sua preservação enquanto Património.

Sistematizamos e apresentamos algumas soluções técnicas disponíveis no mercado relativamente à captação e produção de energias renováveis amigas do ambiente, para inserção em edifícios destinados a Museus, visando a sua sustentabilidade económico-financeira.

As energias renováveis tecnologicamente desenvolvidas passíveis de poderem ser utilizadas em edifícios destinados a Museus são abordadas no que se refere à sua origem, captação e produção.

É dado maior ênfase à energia solar fotovoltaica face ao desenvolvimento tecnológico que permite a integração plena e praticamente sem impactos visuais negativos em qualquer tipo de edifícios.

É ainda apresentado um estudo de caso onde aplicamos a tecnologia solar fotovoltaica a um edifício concreto destinado a Museu.

Palavras-chave: Museus, Museologia, Sociomuseologia, Energias Renováveis, Sustentabilidade Ambiental.

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Um périplo pelos museus de Copenhaga

juillet 18, 2011

Copenhaga
© Ana Carvalho, 2011

Esta foi a minha primeira visita ao país. Fui até Copenhaga especialmente para visitar o museu da cidade (Kobenhavns museum/Museum of Copenhagen). Acabei por visitar ainda dois dos museus nacionais mais icónicos, o National Museum of Denmark e o Statens Museum for Kunst (Danish National Gallery).

O Museum of Copenhagen foi a minha primeira paragem. “Becoming a Copenhagener” é uma das exposições temporárias do museu já sob a direcção de Jette Sandhal, fundadora do Museum of World Culture (2004), em Gotemburgo, e ex-directora do Te Papa Tongarewa, na Nova Zelândia. Para quem está familiarizado com o trabalho realizado por Sandhal reconhece a sua filosofia de trabalho: exposições com um discurso multivocal, participação das comunidades, utilização das novas tecnologias, objectos de diferente natureza: objectos históricos, objectos do quotidiano, objectos de carácter simbólico, instalações artísticas, filmes, fotografia, etc. O visitante é convidado quase sempre a participar, a ter experiências através do médium expositivo. A exposição é sobre a condição de ser imigrante em Copenhaga e as diferentes vagas de emigração, desde o séc. XVI à actualidade. Muitas comunidades estão ali representadas, desde os imigrantes dinamarqueses da província, aos ciganos, judeus, alemães, libaneses, etc. Descriminação, segregação e racismo atravessam a história de Copenhaga e fazem parte da realidade actual da cidade. Esta exposição encara o tema sem complexos, com frontalidade e irreverência. No final ficamos com a sensação que passamos a conhecer um pouco melhor a cidade, ligeiramente diferente do discurso propagandístico da cidade mais turística e mais visitada da Escandinávia. Foi uma das melhores experiências museológicas, sem margem para dúvidas. Todavia, nem todas as soluções museográficas contribuíam para uma visita confortável. Algumas legendas localizavam-se em posições pouco fáceis para leitura, falta de iluminação de algumas legendas, espaço para visionamento de filmes mal dimensionado. Para além disso, o problema da língua. A maior parte dos filmes não tinha legendas em inglês o que significou perda de muita informação, com muita pena minha dado o interesse dos temas.
No seguimento desta exposição desembocamos na exposição permanente do museu, mas o discurso é claramente outro. A opção é um discurso mais tradicional, povoado por uma infinitude de objectos, algumas recreações de ambiente de época, etc. Enfim, uma história demasiado longa para ser contada numa só visita.

The Wall, Museum of Copenhagen
© Ana Carvalho, 2011

De seguida visitei a principal praça da cidade, sobretudo para conhecer o “muro do museu”. O museu concebeu um muro digital do tipo “touch screen” que permite ao visitante descobrir as colecções do museu, sobretudo as fotográficas. O muro convida a participação das comunidades, podendo qualquer pessoa deixar comentários ou fazer o upload das suas fotografias sobre a cidade. Sobre os objectivos desta iniciativa, refere-se:

“The WALL is a dialogue about Copenhagen – its inhabitants, history and contemporary challenges. It is a rediscovery of the capital, a rallying point at street level where citizens can exchange memories, visions and mixed feelings about the city we live in. Through the WALL, you can tell your own stories about the different neighborhoods and their strengths and weaknesses, heroes, scapegoats and magical spaces. Or you can stroll back into history and explore the stories, themes and images already at the WALL. The WALL is a celebration of the city and its diversity, our lives and our tales. In the next 4 years the Wall will be set up in different spots of Copenhagen.” (Texto do museu)

Esta é uma iniciativa que se insere na nova estratégia de comunicação do museu e que se encontra nesta praça desde Maio de 2011. Por um lado, fiquei decepcionada com a qualidade de visionamento do ecrã e por outro, mais uma vez, língua, uma vez que a única língua disponível era o dinamarquês, o que limita a interpretação da informação. De qualquer forma parece-me uma solução inovadora e cujos efeitos será interessante avaliar a seu tempo.

Também me chamou a atenção uma outra iniciativa do museu junto do muro. A praça encontra-se em obras e decorrem trabalhos arqueológicos. Um cartaz divulga a realização de visitas guiadas às escavações, o que parece uma boa estratégia de serviço público, dando a conhecer à comunidade o trabalho do museu e a importância destes trabalhos para a história da cidade: “FREE GUIDED TOURS-Archeologists talk about the escavations at the City Hall Square”.

National Museum of Denmark
© Ana Carvalho, 2011

“Who are the Danes?” É com esta a pergunta que o folheto do museu nacional da Dinamarca me cativou para uma visita ao maior museu do país. Este é um discurso claramente nacionalista, que nos propõe um olhar sobre a história dos dinamarqueses, desde a pré-história até aos tempos modernos, balizados até ao ano de 2000. Nas galerias da pré-história as colecções arqueológicas são apresentadas de acordo com uma museografia depurada e elegante e relativamente recente.
Seguindo a organização cronológica do discurso segue-se a Idade Média e o Renascimento, que deverão ser as galerias mais antigas atendendo ao grafismo das tabelas, com um layout pouco apelativo e desactualizaado. Ainda neste piso estão musealizadas algumas áreas correspondentes do antigo palácio rococó do príncipe (Prinsens Palais) onde foram instaladas as colecções do museu desde o séc. XIX. Cedo se percebe que este não é um museu, mas vários museus dentro de um museu, que inclui a incorporação de colecções muito diversas, como é o caso de gabinetes de curiosidades do séc. XVIII, objectos da câmara de maravilhas real (Royal Kunstkammer, desmembrada em 1825) criada pelo rei Frederik III e que em 1655 adquiriu as colecções do físico dinamarquês Ole Worm – “Museum Wormianum”. O “Museum Wormianum” é para muitos uma imagem icónica da história da museologia.
Algumas das museografias de outros tempos, cuja forma de expor se cristalizou no tempo tornaram-se “per se” um objecto museológico. Este é o caso uma vitrine de um interior de uma quinta do séc. XIX, que foi exposto pela primeira vez numa exposição industrial em Copenhaga (1879), entre outros exemplos.
Na continuidade do discurso sobre quem são os dinamarqueses, a exposição permanente termina como uma galeria intitulada “Stories of Denmark 1660-2000”. Num primeiro momento pensei que seria expectável encontrar outras vozes no discurso, mas na realidade o que encontrei foi um discurso a monovocal dentro do que é comum encontrar. Trata-se da história da Dinamarca nos seus diferentes aspectos, como a vida no campo e na cidade, a religião, a política, a industrialização, a guerra, etc. Na verdade, acabamos por saber pouco sobre os quem são os dinamarqueses hoje. O único núcleo que poderia dar essa perspectiva localiza-se no final da exposição e intitula-se “Danskere 2000/Danes 2000”. O painel introdutório refere o seguinte:

“Eleven Danes tell about their lives and exhibit their belongings and photographs – a multitude of lives and lifestyles in Denmark today. The stories here are an extension of the TV series “Danes”, in which people filmed everyday events of their lives in the year 2000. Their recordings were edited by Denmark’s Radio 2 as short 2 minutes episodes – moments of life in Denmark.”

Para além de se poder questionar a representatividade das diferentes comunidades que fazem parte hoje de Copenhaga, que parece estar ausente, parece-me questionável o visionamento de vídeos na ausência de som e de legendas. Em jeito de conclusão pode dizer-se que a exposição diz pouco sobre quem são os dinamarqueses hoje pois está centrada no passado.
Mas o museu não termina aqui. Existem ainda muitas outras colecções, nomeadamente as colecções não-europeias – “Near Easter and Classical Antiquities” (que não consegui ver), e as colecções etnográficas, designadas como “Ethnographical Treasures”. Ao percorrer as galerias das colecções etnográficas, organizadas geograficamente, parecia percorrer as reservas, uma espécie de reservas visitáveis, onde vários objectos organizados, muitos deles por tipologias, são apresentados em grande número e diversidade. Em cada um das salas existia um painel multimédia que permitia aceder ao catálogo das colecções e à ficha de cada um dos objectos, o único sítio onde se podia aceder à informação sobre cada um dos objectos, apenas em dinamarquês, claro! Esta forma de apresentação ausente de contextualização aproxima-se um pouco da ideia de biblioteca, onde livros são colocados lado a lado, organizados dentro de uma determinada categoria. Neste caso temos objectos etnográficos, justapostos, reunidos de acordo com uma determinada categorização. Não me parece muito diferente.
E o museu continua, com o museu das crianças e outras coisas mais, que não tive tempo de explorar.

O Statens Museum for Kunst não difere muito de outras galerias de arte nacionais, com a sua fachada monumental neo-clássica. Notável é a intervenção arquitectónica de ampliação de que foi objecto recentemente (1998), articulando harmoniosamente o antigo edifício com o jardim através de uma fachada envidraçada.

Ampliação do Statens Museum for Kunst
© Ana Carvalho, 2011

Grande parte da exposição permanente é dedicada às colecções nacionais (séc. XVIII-XX, mas tem colecções a partir do séc. XIV, que neste momento não estão expostas), incluindo representações de outros artistas nórdicos. Para além disso, o museu inclui uma galeria dedicada à arte francesa do séc. XX, com alguns dos modernistas familiares: Derain, Modigliani, Matisse, etc.

Digna de nota é a solução encontrada pelo departamento de educação do museu para promover a relação do público com a arte. Trata-se de uma sala de desenho no seguimento da exposição, onde se apresentam várias esculturas e onde o visitante é convidado a desenhar.

Sala de desenho
© Ana Carvalho, 2011

Segundo o museu:

“To draw is to see. Drawing hones our sense of observation. Drawing connects us more closely to what we seek to understand. Drawing encourages us to select with care. Drawing produces an excellent feel for shadow, surface, texture, and for the relationship between them.” (texto de parede).

O visitante tem à sua disposição lápis, borrachas, afias, pranchas e papel. Várias famílias pareciam divertir-se.

Os dois museus nacionais têm entrada gratuita, excepção para as exposições temporárias que têm entrada paga, como é no caso do museu de arte.

Périplo pelos museus de Liverpool

février 22, 2011

Foto: Ana Carvalho, 2011

Ao percorrer a cidade a primeira impressão que se tem é que esta é uma cidade em franca regeneração. O centro foi objecto de um profundo reordenamento, tendo nascido no coração da cidade um grande e moderno centro comercial, no que isso tem de bom e de nefasto. Todavia, também se percebe que ainda há muito por fazer, pois muitos dos edifícios mais antigos precisam de ser recuperados. Note-se que Liverpool foi uma das cidades mais arrasadas pelos bombardeamentos alemães na segunda guerra mundial, uma vez que era na época um dos mais importantes portos do Reino Unido. Os museus também fazem parte do desenvolvimento operado das últimas décadas e o investimento tem sido considerável. Ao que tudo indica Liverpool é uma das cidades britânicas com mais museus e galerias por m2. A alavancar o desenvolvimento cultural dos últimos anos terá sido determinante o facto de Liverpool ter sido escolhida como capital europeia da cultura 2008. Não esquecendo também a distinção da UNESCO em 2004, que incluiu Liverpool na lista do património cultural mundial. A renovação e ampliação do World Museum Liverpool (2005) e da Walker Art Gallery (2002), a criação do International Slavery Museum (2007) e o novo Museum of Liverpool (a abrir ainda este ano), concebido para ser um dos maiores museus de cidade do mundo, são alguns dos resultados tangíveis operados nesta última década.

Grosso modo, podemos dividir a cidade, em termos museológicos, em dois núcleos principais. O primeiro e mais antigo é o designado “cultural quarter”, onde se localizam o World Museum Liverpool (antigo Liverpool Museum), a biblioteca pública e a Walker Art Gallery entre outros edifícios de carácter monumental, um complexo arquitectónico concebido no séc. XIX.

Foto: Ana Carvalho, 2011

World Museum Liverpool reabriu em 2005 após um longo período de reformulação que recua à segunda guerra mundial, quando grande parte do edifício foi destruído por uma bomba incendiária. O museu não esteve fechado todo esse tempo (1941-2005), mas estava reduzido em termos de espaço e apenas apresentava parte das suas colecções devido a esses constrangimentos. O ano de 2005 representou, de certo modo, o culminar de um longo caminho, uma metamorfose em vários sentidos, a começar pelo nome e pela renovação dos espaços, agora ampliados, com as galerias “Horseshoe” a voltarem a fazer parte do museu, anteriormente ocupadas por um instituto universitário. Este é um museu de carácter enciclopédico, onde podemos encontrar quase todo o tipo de colecções, uma lógica que se compreende pela história do museu. A visita ao museu começou logo pela manhã. Chegada à entrada do World Museum Liverpool esperavam pela abertura já várias pessoas, sobretudo famílias, o que não deixou de me surpreender. Ao longo da manhã o número de visitantes aumentou significativamente e por volta da hora do almoço era quase impossível arranjar lugar para sentar fosse no restaurante fosse no café. Claramente os espaços existentes para restauração não estão dimensionados para a afluência de visitantes do museu (que inclui também uma sala para piqueniques) e o que parece ser um sinal positivo pode tornar-se rapidamente um problema, se não for resolvido entretanto. Poderia pensar-se que esta afluência foi casuística, mas a verdade é que de todas as vezes que visitei o museu deparei-me com o mesmo cenário. E de facto os números confirmam, este é um dos museus mais visitados da cidade com cerca de 623 745 visitas por ano, atendendo aos números de 2009/2010. A fórmula secreta para juntar as famílias parece ter sido a junção das seguintes possibilidades de visita no mesmo edifício: um aquário, um planetário, dinossauros, insectos, múmias, um centro de história natural e um centro de arqueologia e etnografia, ambos do tipo “hands-on” e, ainda, um teatro que articula as colecções com performances. Provavelmente a explicação é bem mais complexa, mas não deixa de ser vantajoso reunir um conjunto de valências que naturalmente cativam um público mais jovem. E claro, a entrada é livre tanto para o museu como para as actividades. Aliás, todos os museus sob a alçada da agência “National Museums Liverpool” têm entrada gratuita (i.e World Museum Liverpool, Walker Art Gallery, Merseyside Maritime Museum, International Slavery Museum, Lady Lever Art Gallery, Sudley House, Museum of Liverpool e National Conservation Centre), que gere a maioria dos museus de Liverpool.

Apesar de tudo isto, o museu marca diferentes ritmos e se é verdade que a maioria dos espaços são concorridos pelas famílias, a galeria dedicada às culturas do mundo marca um compasso diferente, mais reservado, mais contido também do ponto de vista da museografia. São cerca de 1200m2, organizados em função de quatro áreas geográficas: África, Américas, Oceânia e Ásia, um modelo claramente eurocêntrico. São muitos os objectos, mas uma sábia disponibilização da informação em diferentes níveis permite a sua apreciação sem ruído. Ao longo da exposição percebemos claramente porque razão estão ali aqueles objectos, atendendo a um discurso sustentado nas biografias dos próprios objectos. A partilha do “voz curatorial”, se assim se pode chamar, com outras personalidades exteriores ao museu, é recorrente ao longo de todo o discurso, à semelhança do que é feito também noutros museus (ex. Horniman Museum). Merece, todavia, uma nota negativa o mau estado de conservação em que se encontram algumas das tabelas e a falta de iluminação dos textos em vários pontos da exposição. Uma iluminação condicionada dos objectos é compreensível à luz de uma estratégia de conservação preventiva, mas no caso dos textos, compromete-se a sua acessibilidade e interpretação. Para além disso, o vídeo de introdução à exposição, cujo narrador assume um tom demasiado teatralizado, ao funcionar em modo contínuo tem um efeito de ruído para o visitante.

Foto: Ana Carvalho, 2011

A Walker Art Gallery, como muitas colecções de arte públicas nasce do coleccionismo oitocentista. Muito do que se pode ver neste museu, de pintura, escultura e artes decorativas, é o gosto e a visão de coleccionadores como William Roscoe e muitos exemplos da pintura académica inglesa da época. Para quem se interesse pelo movimento pré-rafaelita vai também encontrar neste museu muitos exemplos representativos do movimento artístico que juntou vários artistas ingleses no séc. XIX.

O segundo núcleo de museus da cidade situa-se em Albert Dock. As docas, criadas no séc. XIX pelo príncipe Alberto, foram a partir dos anos 80 do século passado objecto de um plano de revitalização tendo em conta o estado de degradação que tinham alcançado. Equacionou-se a sua demolição, mas obviamente a opção foi regenerar esta zona do ponto de vista cultural. A Tate Liverpool, o Merseyside Maritime Museum, o International Slavery Museum e ainda, o museu dedicado aos Beatles (Beatles Story) são os museus que pode aqui encontrar.

Foto: Ana Carvalho, 2011

A Tate Liverpool abriu ao público em 1988. Foi um dos primeiros museus a instalar-se nas docas. “DLA Piper series: This is sculpture” é o título da exposição “semi-permanente” (Maio 2009-Abril 2012) actualmente em exibição no museu, e conta a história da escultura moderna e contemporânea, através das escolhas e enquadramentos de três curadores diferentes. Assim, são apresentadas três histórias: “Sculpture: the Physical World”, “Sculpture Remixed” e “The Sculpture of Language”. Gostei particularmente de “Sculpture Remixed” pelo factor surpresa e diversão. Se optar pela sugestão dos curadores poderá colocar uns “headphones” durante a exposição e escolher entre duas opções musicais. Para este efeito, os curadores convidaram vários DJ’s de Liverpool para criar uma “playlist” para esta exposição. As opções musicais variam de acordo com cada dia da semana. E a experiência foi curiosa. Era quase irresistível não balançar ao som da música enquanto se apreciavam as esculturas. Também toda a cenografia é pouco convencional, incluindo a iluminação. Espelhos, muitos espelhos, globos de discoteca e inclusive uma pista de dança no centro da exposição. Só lamento que a exposição não incluísse legendas mais aprofundadas sobre cada escultura, porque quem não quer ler pode sempre ignorá-las, mas quem quer saber mais sobre o tema não deixa de ficar frustrado. Na Tate também me chamou a atenção a “Response Room”, uma sala onde podemos assistir a um pequeno filme com os curadores da exposição a justificar o conceito subjacente à criação de cada um dos núcleos da exposição. Neste espaço podemos também deixar comentários, aliás a forma como é concebido parece compelir-nos a fazê-lo. Na parede estão afixados alguns comentários bem como as respectivas respostas pelo staff da Tate, deixando a ideia que a opinião de cada um é importante. Gostei também da “Family Room”, logo ao lado, um espaço para as famílias fazerem uma pausa. Os miúdos podem ler, desenhar e explorar o site da Tate kids, que contempla várias actividades e jogos.

Foto: Ana Carvalho, 2011

O International Slavery Museum abriu nas docas em 2007, substituindo uma exposição mais antiga sobre o tema (Transatlantic Slavery Gallery). O museu está instalado no terceiro piso do Merseyside Maritime Museum e para quem for mais distraído poderá andar às voltas nas docas para encontrar o museu se não souber antecipadamente que no mesmo edifício estão os dois museus. O museu está organizado em três partes. A primeira parte refere-se à vida em África antes de começar o tráfico de escravos, talvez a menos interessante, dada a dificuldade de traduzir num pequeno espaço aquilo que é tão diverso e complexo, mesmo referindo-se apenas à África ocidental. O resultado não foi brilhante na minha opinião. Por outro lado, para conhecer melhor as culturas dos muitos povos africanos o World Museum Liverpool permite um maior entendimento dessa diversidade. A segunda parte contextualiza o tráfico de escravos no tempo e no espaço, chamando a atenção para as condições desumanas de todo este processo. A parafernália de sistemas multimédia utilizados acaba por dificultar a visita, muitas vezes em excesso, acabando por contaminar a experiência da visita com muitos sons à mistura. A terceira parte é dedicada às consequências da escravatura e do tráfico de pessoas. Tinha grandes expectativas e muitas delas saíram logradas. Gostava de ter encontrado mais informação sobre esse legado em Liverpool, os problemas de ontem já não são os de hoje, mas podemos falar de racismo e discriminação em Liverpool?

Foto: Ana Carvalho, 2011

Ainda resisti em visitar o museu dos Beatles, mas lá fui. Saí como entrei. E é um dos poucos museus de Liverpool com entrada paga.

Mas fora do “cultural quarter” e das docas há outros museus para explorar na cidade.

O plano para visitar o Mr Hardman’s Home Photographic Studio, uma casa-museu gerida pelo “National Trust” revelou-se uma frustração total. Sinalética inexistente até chegar à rua, e junto à porta de entrada a informação é lacunar, não havendo referência a horários e ficamos na dúvida se estamos de facto junto de um museu. Finalmente, lá encontramos um aviso na janela que anuncia que a casa-museu se encontra fechada para obras, remetendo para o site para mais informações. Curiosamente o “site” nada refere sobre o encerramento temporário do edifício.

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Foto: Ana Carvalho, 2011

O Victoria gallery & Museum foi o último museu a visitar. Foi ali que nasceu a Universidade de Liverpool. No final do séc. XIX este edifício foi criado com esse objectivo. Hoje é um museu (desde 2008) que nos dá a conhecer as colecções que a universidade foi acumulando, entre doações (ex. arte) e objectos vocacionados para o ensino e que hoje se tornaram objectos de carácter histórico. A visita vale a pena sobretudo pela exuberância do edifício neo-gótico e pelos seus interiores. A falta de informação sobre a história do edifício era escusada – os panfletos esgotaram, justificou a recepcionista.

Tese: « A Museologia na ilha de S. Miguel:1974-2008 »

novembre 11, 2010

A Museologia na ilha de S. Miguel:1974-2008
Autora: Sílvia Maria Borba Fonseca e Sousa
Orientação: Prof. Doutor Rui Américo de Sousa Martins
Dissertação apresentada à Universidade dos Açores no âmbito do Curso de Mestrado em Património, Desenvolvimento e Museologia
Ano: 2009

A tese está disponível na íntegra no repositório da Universidade dos Açores:
http://hdl.handle.net/10400.3/620

Resumo:
« […]. No século XX, a partir da década de setenta, e à semelhança do que aconteceu por todo o país, nos Açores assistiu-se a um acentuar da consciência e valorização patrimoniais, que se reflectiram em novas experiências museológicas locais. De registar o papel de relevo que assumiram desde logo a Universidade dos Açores e as autarquias, na salvaguarda e valorização do património cultural. Em São Miguel, a maior ilha do arquipélago dos Açores, situada no grupo oriental, esta realidade é marcante, verificando-se, desde a década de setenta do século XX, um acentuado crescimento por toda a ilha de instituições de carácter museológico. Será portanto no período de 1974 a 2008, que centraremos a nossa análise, considerando o conjunto de espaços museológicos existentes no contexto micaelense. Da diversidade de realidades que encontrámos em São Miguel, e independentemente da sua designação, considerámos aquelas que se enquadravam no âmbito do conceito de museu, segundo as orientações do International Council of Museums (ICOM), e da Lei-quadro dos museus portugueses, tendo ainda em conta as recentes orientações da Nova Museologia. Ou seja, associada à acção de recolha e preservação patrimonial, apresentavam, de forma mais ou menos desenvolvida, funções museológicas de investigação, conservação e comunicação, bem como acções de promoção do desenvolvimento da comunidade em que se inseriam e, em alguns casos, da sua participação nas dinâmicas museológicas. Seleccionado o nosso objecto de estudo, definidas as realidades museológicas a observar e delineado o período temporal a considerar, orientámos a nossa pesquisa no sentido de analisar os diferentes processos museológicos, […] » (da Introdução)

CONF: Mediação Cultural nos Museus, 15-16 de Julho 2010

juillet 2, 2010

A Mapa das Ideias em parceria com a Associação “Histórias Para Pensar” criou um seminário com os seguintes objectivos:

– Disseminação de ideias e reflexões, nomeadamente as conclusões da European Museum Advisors Conference 2010, realizada em Helsínquia no início de Junho.

– Reflexão sobre a estratégia nacional de museus no actual contexto.

– Análise sobre projectos culturais financiados pela UE, nomeadamente através do Programa Grundvtig: o projecto em si mesmo, as mudanças de paradigma, a importância e, em simultâneo, as dificuldades de trabalhar em rede.

– No dia 16 de Junho, um grupo mais pequeno poderá dedicar-se a analisar em profundidade os mecanismos de financiamento do programa acima referido, identificando áreas de intervenção, potenciais parceiros institucionais e empresariais. Para dar acompanhamento aos projectos, estarão presentes consultores privados das áreas de design, mediação cultural, tecnologias de informação, exposições, etc.

Uma parceria Mapa das Ideias / Associação Histórias para Pensa
MEDIAÇÃO CULTURAL NOS MUSEUS

Estratégias de Aprendizagem para o Sucesso
5 de Julho 2010, Quarta-feira
Organização: Mapa das Ideias
Local: Auditório do Museu de Cerâmica de Sacavém
Programa
09:30 – 10:00 Recepção dos participantes (café e bolinhos)
10:00 – 12:30 Museus: uma estratégia para o Futuro [Maria Vlachou]
Museus e mediação cultural: Apresentação do EMAC 2010 [Inês Bettencourt da Câmara]
12:30 – 14:00 Almoço
14:00 – 16:00 Programas Europeus de Financiamento (GRUNDTVIG) [Joaquim Jorge]
16:00 – 16:30 Intervalo
16:30 – 17:30 Análise do caso Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu: Rota Histórica das Linhas Defensivas de Torres Vedras / O Processo de Constituição da Rede Intermunicipal [Joaquim Jorge e Florbela Estêvão]
16 de Julho 2010, Quinta-feira
Organização: Histórias para Pensar
Local: Museu Municipal de Loures
Programa
09:30 – 10:00 Recepção dos participantes (café e bolinhos)
10:00 – 11:00 Apresentação dos parceiros empresariais: design, tecnologias de informação e mediação cultural
Apresentação dos participantes e constituição dos grupos de trabalho
11:15 – 13:00 Trabalho de grupo
13:00 – 14:00 Almoço
14:00 – 16:30 Apresentação e discussão de projectos
16:30 – 17:00 Intervalo
17:00 – 18:00 Intervalo
Organização e Secretariado
Inscrições e pagamento:
Dia 15 de Julho – 25€ (inclui almoço)
Para participar nos dois dias de trabalho:
45€ (inclui coffee-breaks e almoço)
Vagas limitadas. Inscreva-se já! Pagamento por transferência bancária ou no local, através de Multibanco

Mais informações:
Maria João Nunes – mjoao.nunes@mapadasideias.pt

Mais informação:
http://www.mapadasideias.pt/?p=1210&lang=pt
http://www.cm-loures.pt/Agenda_jul10_Mediacao.asp

Estágios em museus: inscrições 29 de Março a 9 de Abril

mars 31, 2010

Estão abertas as incrições para estágios profissionais na função pública (29 de Março a 9 de Abril). No que diz respeito à área dos museus, existem algumas vagas, nomeadamente para o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), Museu da Música, Museu da Terra de Miranda, Museu de Cerâmica, Museu de D. Diogo de Sousa, Museu de Évora, Museu de Lamego, Museu do Abade de Baçal, Museu dos Biscainhos, Museu Francisco Tavares Proença Júnior, entre outras instituições culturais (ver oferta de estágios: https://www.bep.gov.pt/docs/PEPAC/ListaEstagios.pdf

Para saber mais sobre o programa de estágios profissionais na administração pública:
https://www.bep.gov.pt/pages/Estagios/Default.aspx

Estágios na função pública: inscrições de 29 de Março a 9 de Abril
São cinco mil vagas em várias áreas de formação.

Vão abrir as inscrições para os estágios na Administração Central do Estado. A partir de dia 29 de Março e até dia 9 de Abril, os interessados podem apresentar as suas candidaturas.

O Programa de Estágios Profissionais na Administração Central (PEPAC) oferece, na sua primeira edição, 5 mil estágios. O Decreto-Lei que cria o programa e as Portarias que o regulamentam foram já publicados em Diário da República e estão já definidas as regras, prazos e contingentes da 1ª edição deste programa.

«Com a disponibilização de 5.000 estágios profissionais, repartidos pelos diversos organismos e serviços da Administração Central, o Governo cria uma nova oportunidade para três tipos de situações: jovens à procura de primeiro emprego, jovens licenciados em situação de desemprego e jovens que, embora se encontrem empregados, exerçam uma ocupação profissional não correspondente à sua área de formação e nível de qualificação», refere o Ministério das Finanças e Administração Pública (MFAP) em comunicado.

Estágios só começam a 1 de Julho

Uma vez entregues as candidaturas, o processo demora ainda alguns meses até que o estágio comece. Entre 12 e 16 de Abril serão validadas as candidaturas e no dia 19 do mês que vem serão publicadas as listas dos candidatos admitidos. Três dias depois (no dia 22 de Abril), serão divulgadas as listas de classificação dos candidatos.

Depois, entre 26 de Abil e 25 de Maio serão seleccionados os estagiários, ou seja, os serviços notificarão o candidato de que foi escolhido, ser-lhe-á apresentada uma proposta e o candidato tem de decidir se aceita ou não. Depois será publicada a lista dos estagiários seleccionados a 26 de Maio e até dia 11 de Junho terá de ser feita a comprovação documental dos requisitos da candidatura. A assinatura do contrato de estágio será feita entre 14 e 30 de Junho. O estágio propriamente dito começa no dia 1 de Julho.

«Assim, a partir de 1 de Julho e ao longo de um ano, os jovens seleccionados terão oportunidade de, em contacto com as regras, boas práticas e sentido de serviço público, valorizarem as suas qualificações e competências, mediante o desenvolvimento de experiências formativas e profissionais, nas mais diversas áreas de formação e educação», refere o Ministério.

As áreas e as vagas existentes

De acordo com os dados do comunicado, as áreas com mais vagas são Direito (1.300 estágios), Gestão e Administração (592 estágios), Economia (414 estágios), Ciências Informáticas (365 estágios), Psicologia (312 estágios), Terapia e Reabilitação (274 estágios), Tecnologia de Protecção do Ambiente (184 estágios), Trabalho Social e Orientação (176 estágios), Contabilidade e Fiscalidade (142 estágios) e Sociologia e Outros Estudos (105 estágios).

Mas existem também vagas em Arquitectura e Urbanismo, Biblioteconomia, Arquivo e Documentação, Ciências da Educação, Ciências Dentárias, Construção e Engenharia Civil, Jornalismo e Reportagem, Marketing e Publicidade, Metalurgia e Metalomecânica, Audiovisuais e Produção dos Media, Belas-Artes, Biologia e Bioquímica, Ciência Política e Cidadania, Ciências Farmacêuticas, Ciências Veterinárias, Design, Desporto, Electricidade e Energia, Electrónica e Automoção, Enfermagem, Enquadramento na Organização/Empresa, Estatística, Finanças, Banca e Seguros, Física, História e Arqueologia, Hotelaria e Restauração, Indústrias Alimentares, Línguas e Literatura Materna, Línguas e Literaturas Estrangeiras, Produção Agrícola e Animal, Protecção de Pessoas e Bens, Química, Secretariado e Trabalho Administrativo, Segurança e Higiene no Trabalho, Serviços de Apoio a Crianças e Jovens, Serviços de Saúde Pública, Tecnologias de Diagnóstico e Terapêutica e Turismo e Lazer.

Sobre o seminário: « Normalização em Museus: O quê?! »

mars 5, 2010


Museu da Ciência da Universidade de Lisboa
Auditório Manuel de Valadares, 4 Março 2010
©Ana Carvalho

“Normalização em Museus: O quê?!” foi o tema do seminário de cultura material, organizado pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa e que se realizou ontem (4 de Março de 2009) no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa.

A comunicação de Alexandre Matos, que pontuou pelo profissionalismo, como já vem sendo habitual, deu-nos a conhecer um pouco mais sobre o seu projecto de investigação de doutoramento (bolseiro da FCT). O tema da comunicação centrava-se no papel da normalização nos museus e sobre como este tema tem vindo a ser tratado em Portugal. Apresentou-nos o estado da arte sobre esta questão, comparando com outros casos, nomeadamente o espanhol e o inglês. Por outro lado, chamou-nos a atenção para a forma como deve ser encarada esta questão, sublinhando três importantes eixos da normalização: Estruturas de dados, Procedimentos e Terminologia, áreas que devem ser entendidas em estrita colaboração e comunicação. Sublinhada a importância e a necessidade de se reflectir mais em Portugal sobre estas questões, Alexandre Matos irá aventurar-se por um projecto de normalização, que nos deixa expectantes quanto aos resultados, que certamente irão contribuir para uma compreensão mais alargada e para a evolução científica desta área em Portugal. No Mundo dos Museus deseja-lhe os maiores sucessos!

O Alexandre brindou-nos ainda com uma novidade. É que o blogue Mouseion (http://newmouseion.wordpress.com/) vai mudar de “casa”, isto é, vai migrar para um novo site que ele oportunamente divulgará.

Balanço de Visitantes dos Museus e Palácios do IMC – 2008

février 12, 2009

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Duomo Florença
©Ana Carvalho, 2006

Divulgamos informação veiculada na Lista de discussão MUSEUM sobre o balanço do n.º de visitantes de 2008 relativamente aos museus e palácios dependentes do Instituto dos Museus e da Conservação. Tudo indica que o saldo é bastante positivo!

O número total de visitantes nos museus e palácios do Instituto dos Museus e da Conservação no ano de 2008 foi de 2.358.232, o que representa um aumento de 3 % em relação ao ano anterior.

Os maiores picos de afluência registaram-se nos meses de Maio (280.551), ilustrando de forma clara o impacto das celebrações em todo o País do Dia Internacional de Museus e da Noite dos Museus, e em Agosto (317.361). Este aumento estará relacionado com o período de férias, mas também a iniciativas como o projecto-piloto 5.as à Noite nos Museus. Verão 2008 que, durante dois meses, disponibilizou em 4 museus de Lisboa um programa cultural diversificado, para o qual se prolongou o horário de funcionamento dos museus até às 23h00.

Entre as exposições mais visitadas durante o ano de 2008 destacam-se “Olhar de Perto. Os Primitivos Flamengos do Museu de Évora” (Museu Nacional de Arte Antiga), “D. Carlos, um Homem do seu tempo” (Museu Nacional dos Coches) e “Rituais de Inverno com Máscara” (Museu Nacional de Soares dos Reis).

Tese em Museologia: « Os sistemas de informação na gestão de colecções museológicas… »

janvier 24, 2008

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Os sistemas de informação na gestão de colecções museológicas: Contribuições para a certificação de museus
Autor: Alexandre Manuel Ribeiro Matos
Orientador: Professor Doutor Rui Manuel Sobral Centeno
Instituição: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Nível: Mestrado (Museologia)
Ano: 2007

Resumo:
A normalização documental nos sistemas de informação dos museus tem sido a nossa preocupação e principal área de actividade profissional nos últimos sete anos. Em Portugal, face à inexistência de uma normalização de estrutura dos sistemas de informação de museus, são vários os casos de criação de bases de dados específicas que se tornam, em pouco tempo obsoletas. O objectivo da presente dissertação é propor uma normalização, ao nível estrutural, que possa ser seguida por todos os museus, independentemente do tipo de colecções, por todas as empresas que criam este tipo de software e, também, possa ser utilizada na verificação da qualidade do inventário e gestão das colecções no âmbito da certificação de museus agora em curso.
Apontamos também alguns caminhos a seguir no âmbito da normalização de conteúdos e de procedimentos que devem ser utilizados na documentação e gestão das colecções museológicas.

Para descarregar o PDF da tese pode aceder ao site:
http://www.museusportugal.org/alexandre/pagina2_33.aspx

Debate sobre a crise nos Museus portugueses?

décembre 12, 2007

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Debate « Como tornar os museus acessíveis? »
Fundação Calouste Gulbenkian, Sala 1, 11 Dez. 2007
©Ana Carvalho

Ontem teve lugar um interessante encontro de profissionais de museus para levar à discussão o tema « Como tornar os museus acessíveis? ».

No Mundo dos Museus esteve presente neste debate. De acordo com o que foi dito, esta foi a primeira vez que se reuniram para a realização de um encontro: ICOM-Portugal, APOM e IMC, o que não deixa de ser um balanço positivo a priori.

Entre as intervenções dos representantes da mesa de debate, nomeadamente, João Castel-Branco Pereira (Presidente ICOM-Portugal), Manuel Bairrão Oleiro (Director IMC), José d’Encarnação (administrador da lista de discussão MUSEUM), João Neto (Presidente da APOM) e Luís Raposo (membro dos corpos gerentes da CN do ICOM) e as intervenções dos presentes na sala, eis algumas impressões que nos deixou o debate:

Os museus portugueses debatem-se contra algumas dificuldades, nomeadamente, com os hábitos culturais da sociedade portuguesa, que em geral não tem o hábito de ir aos museus, contra algum analfabetismo e um poder de compra dos portugueses cada vez mais reduzido. Por outro lado, verifica-se a ausência de uma política cultural integrada por parte do governo que vise a mudança deste paradigma na sociedade portuguesa.

A responsabilização por este « estado de coisas » é repartida, ou seja, é da sociedade civil em contexto mais alargado e em particular dos profissionais, que tendo conhecimento desta situação não reinvindica, não se manifesta.

A ideia de que existe uma « crise de subdesenvolvimento social » geral em Portugal, que se traduz numa política cultural fragmentada na sua acção, mais virada para acções pontuais sem procurar uma planificação a médio e longo prazo, e que muito concretamente nos remete para a ausência evidente de uma política museológica. A este propósito, saliente-se a crítica a uma política do governo, actualmente mais virada para a realização de « eventos », com maior preocupação no imediato e no efémero. Neste contexto, foram citadas as teorias de Francis Haskell sobre a crise dos museus anglosaxónicos no que diz respeito a efemeridade das exposições « acontecimento » em que o marketing cultural predomina sobremaneira.

Numa perspectiva de encarar alguns dos problemas com que se debatem os museus portugueses foi sugerido:

– Luta por uma maior desburocratização dos serviços.
– Aumento da automomia dos museus.
– Uma maior acção militante dos museus e respectivos profissionais sobre as questões principais problemas da museologia actual.
– Maior responsabilização dos museus no que diz respeito à avaliação de programas, exposições, etc.
– Combate à precarização dos contratos de trabalho nos museus.
– Exigir um aumento do orçamento para os museus.
– Flexibilização da entrada de recursos humanos nos museus e o direito ao trabalho de profissionais de museologia.
– A necessidade de captar públicos.
– Melhoria das acessibilidades, sejam de ordem física, intelectual e económica aos museus.
– Criação de uma galeria nacional de exposições temporárias em articulação com os museus nacionais.
– Criação de uma « ilha de museus » na praça do Comércio que concentrasse os museus históricos.
– Estabelecer estratégias a longo prazo para os museus, por oposição a uma estratégia de carácter pontual em função dos projectos.
– Necessidade de maior flexibilidade dos museus para a captação de recursos financeiros de mecenato.
– Necessidade de debater o papel dos museus e sua relação com o turismo em Portugal.
– Necessidade de refexão sobre o papel actual do profissional de museologia em Portugal.

Em jeito de conclusão, podemos dizer que o debate foi alargado aos mais diferentes problemas que afectam hoje em dia a museologia em Portugal, arriscando-se a ser mais um debate sobre a crise que atravessam os museus portugueses na actual conjuntura. A necessidade urgente de se realizarem mais debates, temáticos e incisivos, ficou claramente demonstrado pela pluralidade dos tópicos abordados.