Posts Tagged ‘Património Imaterial’

Livro « Património Cultural Imaterial »

octobre 10, 2011

Foi lançado, no passado dia 29 de Setembro, o livro « Património Cultural Imaterial-Convenção da UNESCO e seus contextos » de Clara Cabral (Edições 70, nº 98 da Col. Arte & Comunicação).

Sobre o livro:

A ratificação por Portugal, em 2008, da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial tem suscitado grande curiosidade quanto à sua natureza, características e valor para a sociedade.

O que é o património cultural imaterial? Porque é importante a sua salvaguarda?

Qual a utilidade de um instrumento normativo internacional?

Estas são algumas das questões analisadas no presente livro, onde se dá a conhecer a Convenção da UNESCO de forma simples e objectiva para que todos possam colaborar eficazmente na salvaguarda do nosso extenso e riquíssimo património intangível.

(Fonte: Edições 70)

Conteúdos:

Prefácio
Introdução
1. Apontamentos sobre património e cultura
1.1. Essência e desígnios do património cultural
1.2. Questões culturais na sociedade global
1.3.Direitos culturais colectivos
1.3.1. Populações indígenas
1.3.2. Minorias
1.3.3. Grupos de migrantes
1.4. Folclore e cultura popular
2. Convenção do Património Cultural Imaterial
2.1. Criação da Convenção de 2003
2.2. Relação com a Convenção do Património Mundial
2.3. Órgãos e mecanismos da Convenção
3. Salvaguarda como processo participativo
3.1. Identificação, documentação e pesquisa
3.1.1. Inventários
3.1.2. Inventariação
3.2. Viabilização a longo prazo
4. Listas da Convenção
4.1. Lista Representativa
4.2. Lista de Salvaguarda Urgente
4.3. Programas, Projectos e Actividades
5. Impactos sobre as comunidades e grupos
5.1. Propriedade Intelectual
5.2. Turismo
5.3. Desenvolvimento sustentável
6. Aplicação da Convenção em Portugal
6.1. Contexto normativo
6.2. Entidades responsáveis e agentes no terreno
7. Notas finais
Bibliografia
Anexos
Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial
Directivas Operacionais para a Aplicação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (excertos)
Lei n.º 107/2001 de 8 de Setembro (excertos)
Decreto-Lei n.º 139/2009 de 15 de Junho
Portaria n.º 196/2010 de 9 de Abril

(fonte: informação enviada pela autora)

O livro pode ser adquirido aqui:
http://www.almedina.net/

ou aqui:
http://www.edicoes70.pt/site/node/440

Curso Património Cultural Imaterial

octobre 5, 2011

A Universidade Lusófona está a organizar uma pós-graduação sobre Património Cultural Imaterial.

Sobre o curso:

Duração | 1 trimestre |
20 ECTS

Director do curso: Luís Marques

Objectivos e plano do curso

Mais informações:
http://www.ulusofona.pt/index.php/ensino/escolas-faculdades-e-institutos/faculdade-de-ciencias-sociais-e-humanas/pos-graduacoes/pos-graduacao-em-patrimonio-cultural-imaterial.html

Património imaterial em destaque

septembre 29, 2011

Por estes dias, o património imaterial é território fértil de actividades.

Irá ter lugar, hoje (30 Set.) o festival Artes da Fala, organizado pela Câmara Municipal de Portel e pela Associação de Folcloristas do Alto Alentejo.

O programa do festival inclui (a partir das 21h30):
Cântico às Oliveiras Bentas [Alandroal]
Grupo Coral Os Almocreves [Portel]
Poetas Populares do Alentejo
Improviso em Ottava Rima:
Giampero Giamogante (voz) e Donato de Acutis (voz e organetto) [Itália]
Prazo&Label T. [rapper’s] [Sines]

No dia 1 de Outubro (sábado) realiza-se uma mesa-redonda dedicada a “Património Cultural Imaterial, Identidade, Turismo e Estratégias Locais”. O coordenador é Luís Tojo (vereador da Câmara Municipal de Portel).

De acordo com o programa:

16h00
Discussão urgente: de que falamos quando falamos de Património Cultural Imaterial, Pedro Félix (INET-MD- Universidade de Lisboa)

A materialidade do imaterial, José Rodrigues dos Santos (CIDEHUS, Universidade de Évora)

Inventário do PCI ou inventário-catálogo da Paisagem? Paulo Lima (Câmara Municipal de Portel)

Património imaterial, modos de recolha e representação, «Sinfonia do Imaterial», Tiago Pereira, realizador

INATEL, agência consultiva para o Património Cultural Imaterial, Carla Raposeira (Fundação INATEL)

17h45 – pausa para café

18h00 – Exibição do filme “SINFONIA IMATERIAL”, um filme de Tiago Pereira

21h30 Festival Artes da Fala
Grupo Etnográfico de Moldes (Arouca)
Bailinhos (Títeres da Ti Melindra) [Borba]
Improviso em Ottava Rima:
Giampero Giamogante (voz) e Donato de Acutis (voz e organetto) [Itália]
Prazo&Label T. [rapper’s] [Sines]

A entrada é livre

Local: auditório municipal

Concurso para o Património Cultural Imaterial

février 14, 2011

« Vive o PCI – Património Cultural Imaterial » é o tema de um concurso de fotografia e vídeo promovido pela Direcção Regional de Cultura do Algarve em colaboração com a Fnac Algarveshopping.

O concurso decorre entre 01 Fevereiro e 30 de Julho de 2011.

Veja aqui para saber como participar!

Site do concurso:
www.vivepci.com

Mais informações:
Direcção Regional de Cultura do Algarve
Rua Francisco Horta n.º 9, 1º D
Apartado 492
8000-345 Faro

Tel.: 289 896 070 ▪ 289 803 633 ▪ 289 803 901 ▪ 913 731 309 ▪ 961 560 782

E-mails: comunicacao@cultalg.pt; tmorais.estagio@cultalg.pt

A categoria de Património Cultural Imaterial – abreviadamente PCI – é a expressão de um recente alargamento da velha noção de património etnográfico, institucionalizado internacionalmente pela UNESCO na convenção de 17 de Outubro de 2003 e ratificado por Portugal em Março de 2008.

Neste universo integram-se práticas, representações e expressões tradicionais que se manifestam oralmente, através de manifestações artísticas e de carácter performativo, de práticas sociais, rituais e festividades, concepções conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo, bem como os conhecimentos e competências técnicas tradicionais, bens materiais e espaços que lhes estão associados, que as comunidades reconhecem como parte integrante da sua herança cultural, no quadro de uma titularidade colectiva e de uma efectiva transmissão entre gerações.

Sendo objecto de uma constante recriação – e daí também a sua fragilidade enquanto património, porque exposto à transformação dos sistemas de produção, da sociedade e dos saberes – o Património Cultural Imaterial proporciona um sentimento de identidade e de continuidade aos grupos e comunidades, um nexo de trajectória com espessura temporal, com passado e futuro e em que o presente é gerador de felicidade, compatível com os direitos humanos tal como estes são internacionalmente aceites.

Pela sua natureza específica, este património só pode ser preservado se for sentido como uma necessidade vital de afirmação do indivíduo, de asserção do colectivo, no respeito pela diversidade e por aquilo que nos aproxima enquanto pessoas.

Para salvaguardar o PCI é necessário atrever-se a ser diferente: e a maneira mais eficaz de o ser é manter a tradição. Vivendo-a.

Direcção Regional de Cultural do Algarve

Colóquio Património Imaterial em Portugal, 31 Jan. 2011

janvier 19, 2011

No próximo dia 31 de Janeiro (segunda-feira) terá lugar o colóquio « Património Imaterial em Portugal: dos enquadramentos globais às actuações no terreno. Realiza-se no auditório do Museu Nacional de Etnologia e é organizado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

Programa

II Fórum do Património Imaterial do Douro: « Como Documentar o Intangível? A Resposta dos Museus », 26 Nov. 2010

novembre 16, 2010

No próximo dia 26 de Novembro tem lugar o II Fórum do Património Imaterial do Douro: « Como Documentar o Intangível? A Resposta dos Museus ». Realiza-se no Museu do Douro.

Programa e Ficha de inscrição

Concurso de Fotografia: “Transversalidades; Territórios, Sociedades e Culturas Ibéricas em tempos de mudança”

septembre 28, 2010

O Centro de Estudos Ibéricos (CEI), associação transfronteiriça sem fins lucrativos constituída pela Universidade de Coimbra, Universidade de Salamanca, Câmara Municipal da Guarda e Instituto Politécnico da Guarda, comemora este ano o 10º Aniversário.

Ao longo da sua actividade o CEI tem apostado no reforço do eixo cultural e científico organizado por aquelas cidades e respectivas Universidades, com a missão de promover iniciativas que traduzam tanto um compromisso com os territórios de baixa densidade, particularmente os mais periféricos e de fronteira, como um envolvimento activo na cooperação territorial. Partindo destas referências e da importância que a Imagem assume nas sociedades contemporâneas, o CEI promove um Concurso tendo em vista recorrer à Fotografia como meio eficaz para promover a inclusão dos territórios.

O Concurso de Fotografia “Transversalidades; Territórios, Sociedades e Culturas Ibéricas em tempos de mudança” decorre de 15 de Julho a 15 de Novembro de 2010. As fotografias, a submeter através do site http://www.cei.pt, serão candidatas a um dos seguintes temas principais:

1. Paisagens naturais e espaços rurais.
2. Cidade e actividades urbanas e industriais.
3. Património material e intangível.
4. Modos de vida, condições sociais, processos de desenvolvimento sustentável.
5. Espaços de fronteira.

Sobre jornada de trabalho « Património Cultural Imaterial »

mars 11, 2010

Jornada de trabalho “Património Cultural Imaterial” – moderação: Ana Rodrigues Carvalho & Lorena Querol. Da esquerda para a direita vê-se: Paulo Ferreira da Costa, Lorena Querol, Ana Rodrigues Carvalho e Paulo Lima. Fundação Manuel Viegas Guerreiro. 8 Março 2010

No dia 8 de Março de 2010 realizou-se uma jornada de trabalho subordinada ao Património Cultural Imaterial (PCI) no âmbito da iniciativa “Técnicos dos Museus Encontram-se”, que a Rede de Museus do Algarve (RMA) promove. Estes encontros são espaços de diálogo destinados a potenciar a partilha de experiências entre os profissionais dos museus da RMA. Esta jornada de trabalho teve, porém um enquadramento particular, na medida em que trouxe contribuições de fora da RMA, ao contrário do que tem vindo a ser feito, de âmbito mais técnico e interno. Foi neste contexto, que fui convidada a participar, na qualidade de moderadora, representando, de algum modo a perspectiva da investigação.

A razão deste encontro prendeu-se com a necessidade de se reflectir sobre estratégias para a salvaguarda do PCI nos museus. O PCI é um tema que começa a ser uma preocupação trilhada por cada vez mais museus, um pouco na senda da adopção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003) da UNESCO, ratificada por Portugal em Março de 2008. Também o Conselho Internacional de Museus (ICOM) atribui competências aos museus na salvaguarda do PCI, tal como é patente em documentos de referência como a « Carta de Shanghai » (2002) e a « Declaração de Seoul » (2004). E por outro lado, note-se a mudança evidente de paradigma, quando em 2007 a definição de museu proposta pelo ICOM passaria a substituir “testemunhos materiais” por “património material e imaterial”. Pode dizer-se que este enquadramento internacional lança o repto aos actores culturais e aos museus em particular.

Assim, reconhece-se à partida que o PCI é também um campo de actuação dos museus, mas entre as intenções e as práticas permanecem muitas dúvidas sobre como agir sobre este património tão complexo. Como podem os museus abordar e responsabilizar-se mais pelo PCI? Foi a partir destas inquietações que o Museu Municipal de Loulé e a Direcção Regional de Cultura do Algarve organizaram este encontro no contexto da RMA.

Tendo em conta que Portugal tem um enquadramento relativamente recente sobre uma política cultural para a salvaguarda do PCI e que se reflecte em termos de legislação e tutela, a contribuição de Paulo Ferreira da Costa centrou-se no plano normativo nacional e na forma como o Instituto dos Museus e da Conservação, organismo com competências atribuídas em matéria de salvaguarda do PCI, perspectiva a implementação da Convenção 2003 em Portugal. Este contexto revelou-se fundamental, primeiramente porque é recente e ainda desconhecido para muitos museus e por outro lado, ainda está a ser definido, o que permite abrir a reflexão sobre um caminho que pauta pela possibilidade de muitas abordagens.

As Direcções Regionais de Cultura (DRC) têm desde 2007 também um papel importante relativamente ao PCI, articulando a estratégia definida pelo IMC no território, nomeadamente ao nível da inventariação. Todavia, em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC são evidentes. O trabalho desenvolvido pela DRC do Alentejo, que tomou a dianteira na formulação de um programa de salvaguarda do PCI nesta região é, de certo modo, uma proposta inovadora e que revela um entendimento mais pragmático e diferenciado da forma como se deve entender uma abordagem ao PCI. Paulo Lima pontuou por um discurso menos formal, deixando antever que abordar o PCI não é isento de incertezas e muitas angústias, um processo que se tem caracterizado por avanços mas também por vários recuos.

Ao longo da tarde, os profissionais dos museus da RMA tiveram a palavra. Em mesa-redonda e a partir dos reptos lançados da parte da manhã, os técnicos partilharam as iniciativas que já decorrem no âmbito do PCI. Metodologias, dificuldades, dúvidas, necessidades, inquietações e interrogações foram alguns dos aspectos abordados.

Nos museus de Lagos, Loulé, Portimão, Olhão, Faro, Alcoutim, S. Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Tavira decorrem ou decorreram já experiências pontuais em torno do PCI, que pontuam pela diversidade, tanto ao nível da profundidade como do tipo de abordagem. Todavia, em grande medida, alguns dos projectos enunciados centraram-se na contextualização e documentação das colecções existentes a partir dos testemunhos orais das comunidades. Os sistemas de inventário, nalguns casos não existem (inclusive para as colecções do museu), noutros estão definidos os softwares para o imaterial (em dois casos), mas estão por implementar. De uma forma muito transversal, as dificuldades identificadas foram as seguintes: recursos humanos e financeiros, mais formação específica em questões técnicas e tecnológicas e a ausência de estratégias que estabeleçam formas de colaboração continuadas com as comunidades.

Os inventários foram um tema recorrente, mas o debate também suscitou questões mais alargadas, sobre o direito de intervenção e interferência dos museus e dos profissionais neste domínio, sobre quem em última instância valida o que é e o que não é PCI? E, afinal, o que é o PCI? Por outro lado, falamos dos tradicionais terrenos antropológicos ou falamos de novos terrenos? Será que faz sentido este enfoque para o PCI, sob pena de que desapareça, quando em ritmo igualmente acelerado se produzem novas culturas, novos significados?

Algumas das questões levantadas não têm resposta fácil, muitas delas não têm uma única resposta, mas significam que os museus são também terreno fértil para a discussão e campo de paradoxos. O que hoje é entendido como património poderá amanhã não o ser, se extremarmos posições.

Mas em jeito de conclusão, pode dizer-se que os museus não estão alheios à importância do PCI e começam a dar pequenos passos nesta matéria. Não obstante as dificuldades inerentes a uma abordagem ao PCI e às formas de valorização, é possível verificar que existe muita vontade em conhecer melhor e identificar o PCI.

Actuar sobre este património exige reflexão e é a partir de pequenas experiências que podemos fazer balanços e tirar daí partido para nos lançarmos em novas aventuras. Este é um caminho que se faz actuando e experimentando. A frase “Don’t run, walk!”, parece ajustar-se bem neste contexto.

Para intervir é preciso conhecer. Como disse Lorena Querol, um inventário não é um fim, mas um caminho!

Por outro lado, os museus não devem responsabilizar-se por todo este património, dada a vastidão do tema. Exigem-se novas formas de colaboração, através da criação de redes e parcerias, nas quais os museus podem ter um papel importante, mas não deverão ser os únicos agentes (escolas, associações, comunidades, universidades, etc.).

Para além disso, nem todo o património precisa de ser salvaguardado, sendo necessário mapear prioridades e dialogar com as comunidades para se perceber o que querem preservar ou não.

Ana Carvalho

A RMA é uma rede informal criada a 16 de Outubro de 2007 e hoje constituída por 14 museus da região do Algarve*. Liberdade de adesão, cooperação em rede, serviço público e ética profissional, informação e comunicação, formação, inovação e programação museológica são alguns dos princípios de actuação desta rede, um projecto inovador em Portugal.

*Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão, Museu Municipal de Portimão, Museu Municipal de Tavira, Museu Municipal de Faro, Museu do Trajo, Museu Municipal de Dr. José Formosinho, Museu Municipal de Lagoa, Museu Municipal de Arqueologia de Silves, Núcleos Museológicos de Alcoutim, Núcleo Museológico da Indústria Conserveira de Vila real de Santo António, Museu Municipal de Olhão e Museu do Mar e da Terra da Carrapateira

Tese Mestrado « Os Museus e o Património Cultural Imaterial »

janvier 5, 2010

Os Museus e o Património Cultural Imaterial: Estratégias para o Desenvolvimento de Boas Práticas
Autor: Ana Alexandra Rodrigues Carvalho
Orientador: Prof. Doutor Filipe Themudo Barata
Dissertação apresentada à Universidade de Évora para obtenção do Grau de Mestre em Museologia
Ano: 2009. Tese defendida a 23 de Dezembro

Nota: O júri foi constituído pelo Prof. Doutor João Carlos Brigola (Director do Mestrado) na qualidade de Presidente do júri. Foi arguente o Prof. Doutor Jorge de Freitas Branco (Director do Mestrado em Museologia: Conteúdos Expositivos do ISCTE) e foi vogal o Prof. Doutor Filipe Themudo Barata, orientador da dissertação.

Resumo:

Tomando como referência fundamental o trabalho desenvolvido pela UNESCO em matéria de protecção do Património Cultural Imaterial (PCI), muito particularmente a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003), considerou-se oportuno reflectir sobre as implicações que este enfoque traz para os museus. São indiscutíveis as repercussões que este instrumento trouxe para o reconhecimento da importância do PCI à escala internacional, motivando um crescendo de iniciativas em torno da sua salvaguarda. São vários os agentes envolvidos na preservação deste património, no entanto o International Council of Museums (ICOM) reconhece um papel central aos museus nesta matéria. Mas para responder a este repto, os museus terão que repensar as suas estratégias de forma a relacionar-se mais com o PCI, contrariando uma longa tradição profundamente enraizada na cultura material.

O presente estudo reflecte sobre as possibilidades de actuação dos museus no sentido de dar resposta ao desafios da Convenção 2003, sendo certo que a partir das actividades dos museus é possível encontrar formas de estudar e de dar visibilidade a este património. Em função das especificidades de cada museu, podem ser encontradas estratégias de salvaguarda do PCI, entre as quais se pode incluir o inventário e a documentação (audiovisual, texto, áudio, imagem), a investigação, a divulgação através de exposições e publicações, difusão através da internet, educação não formal, entre outras actividades. Alguns museus começaram já a desenvolver abordagens integradas para a salvaguarda do PCI, cujos exemplos se apresentam. Este tema suscita vários desafios, implicando práticas museológicas inovadoras que possam reflectir o papel dos museus como promotores da diversidade e criatividade cultural.

Palavras-chave: Museologia, Património Cultural Imaterial, Património Cultural, Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, Diversidade Cultural, UNESCO, ICOM.

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Abstract:

Recalling the UNESCO’s work towards the protection of Intangible Cultural Heritage (ICH), in particular the Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage adopted in 2003, I took this opportunity to reflect upon the implications that this recognition brings to museums. The overwhelming success of this document has raised the importance of ICH at international level, motivating a growing number of initiatives towards its safeguard. Accordingly to the 2003 Convention, there are many agents involved in the preservation of this heritage, yet the International Council of Museums (ICOM) recognises a central role for museums. Nevertheless, to face this challenge, museums will have to rethink their relationship with ICH in opposition to their deep rooted tradition in material culture.

The present study reflects upon the possibilities that museums have to answer the changeling 2003 Convention, recognizing that it’s possible through museum activities to find ways to study and give visibility to ICH. According to each museum specificities, it seams clear that strategies can be engaged in order to promote the safeguard of ICH, including inventory and documentation (audiovisual, audio, text and image), research, promotion through exhibitions, publications, dissemination trough internet and other means, informal education, among other activities. Many museums have already started exploring integrated approaches towards the safeguard of ICH and some of these examples are presented in this study. This theme is challenging, implying innovative museum practices which reflect on museums role towards the promotion of cultural diversity and creativity.

Keywords: Museum Studies, Intangible Cultural Heritage, Cultural Heritage, Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage, Cultural Diversity, UNESCO, ICOM.

Lançamento do livro: « Artes de Cura e Espanta-Males – Espólio de Medicina recolhido por Michel Giacometti”, 5 Dez. 09

décembre 4, 2009

No próximo dia 5 de Dezembro realiza-se uma sessão de lançamento do livro “Artes de Cura e Espanta-Males – Espólio de Medicina recolhido por Michel Giacometti”. A obra foi coordenada por Ana Gomes de Almeida, Ana Paula Guimarães e Miguel Magalhães. O evento terá lugar no Museu do Trabalho Michel Giacometti, pelas 15h00.

Museu do Trabalho Michel Giacometti
Largo Defensores da República
2910-470 Setúbal
Tel+351 265 537 880
Fax +351 265 537 889
museu.trabalho@mun.setubal.pt
museutrabalho@iol.pt
http://www.mun-setubal.pt/MuseuTrabalho
GPS Google Earth: 38º31′23.84”N 8º53′11.30ºW

Sobre o livro:

Residente ainda hoje no Museu da Música Portuguesa, este notável espólio – recolhido por Michel Giacometti, organizado em 5500 fichas de doenças – foi, pelo entusiasmo e trabalho de Miguel Magalhães, Ana Paula Guimarães e Ana Gomes de Almeida, preparado, classificado e exposto perante olhares de médicos especialistas, poetas, artistas, investigadores, professores; afinal, gente com vontade de conhecer e comentar, como impulsivamente lhe apetecesse, os textos de rezas, ladainhas, provérbios, orações (frequentemente com ervas, às vezes através de pedras ou animais) para recuperar males de, por exemplo, tensão arterial, hemorróidas, gangrena, brotoeja, raquitismo, halitose, anorexia, leucorreia, anemia, coqueluche, nefrite, ciática, apoplexia, doenças dos olhos, tumores, epistaxis, fracturas, fogagem, bronquite, insónias, cãibras, blenorragia, picadas de abelhas, hemorragias, piolhos, afrontas, espigas das unhas…
Mezinhas para curar mazelas? Artes de cura e espanta-grandes-males? Ao leitor apetecerá decerto envolver-se nestas receitas desaconselhadas hoje em dia, mas concebidas, porventura, há milhares de anos e transmitidas de geração em geração, manifestando secretas crenças relativas ao corpo e à doença.

Fonte: email Museu do Trabalho

Lançamento do livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II”, 4 Dez. 09

décembre 3, 2009

No próximo dia 4 de Dezembro irá decorrer o lançamento do livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II”. O evento tem lugar na Sala de Convívio da Sociedade Sociedade de Geografia de Lisboa, pelas 18h30.

O Prof. Doutor Manuel Maria Carrilho, Embaixador de Portugal junto da UNESCO, em Paris, fará a apresentação desta obra.

O livro “Memória e Artifício: Matéria do Património II” constitui o segundo volume de uma série dedicada à análise inter-disciplinar do conceito de « património intangível » e da problemática do património em geral. A obra é coordenada pelos Profs. Doutores António Medeiros e Manuel João Ramos.

Colaboram no livro:

Luís Aires-Barros (Apresentação)

António Medeiros e Manuel João Ramos (Introdução)

James W. Fernandez e Renate L. Fernandez (Práticas Patrimoniais: Contextos Semânticos)

Werner Krauss (O Jardim do Paraíso: Memórias dos Poetas do Sudoeste Português)

Luísa Tiago de Oliveira (Memórias Decisoras e Decididas da Revolução)

António Motta (Cenografia da Última Casa: Memória e Processos Sociais nos Cemitérios Brasileiros)

Xaquín S. Rodríguez Campos (Os Perigos da Cultura-Espectáculo: Turismo e Identidades Locais)

Frances Slaney (Matéria e Memória no Museu Nacional do Canadá)

António Medeiros (Fronteira e Representações da Morte no Noroeste Ibérico)

Ana Paula Zacarias (No Cofre da Memória: Etnografia de um Enlace Diplomático na Unesco)

Francesco Romanello (Arte Indígena e Propriedade Intelectual: Desafio à Imaginação Legal)

Manuela Reis (Noções de Património na Sociedade Portuguesa)

Joana Cunha Leal (Baixa Pombalina: Estratégias de Legitimação Patrimonial)

Ascensión Barañano e María Cátedra (As Roupas Novas do Imperador: Os Museus de Antropologia em Madrid e a Criação do Museu do Traje)

Vitor Oliveira Jorge (Teatro e Arqueologia: Alguns Apontamentos para uma Nova/Antiga Interface)

Pedro Abreu (O Destino do Monumento)

José Duarte Gorjão Jorge (Os Artifícios da Memória)

Pedro Janeiro (Ressalvando as Aparências: Apontamentos sobre a Memória, a Imaginação e o Valor do Monumento)

Manuel João Ramos (O Património é um Roubo Intangível)

Lançamento do livro « Romanceiro da Tradição Oral »

novembre 25, 2009

Divulgamos informação enviada pela Directora do Museu da Música Portuguesa, Dra. Conceição Correia, através da lista Museum.

Desde 1965, Michel Giacometti iniciou o trabalho de recolha e estudo da literatura popular portuguesa a par e passo com recolha musical. Entre 1972 e 1980, fez parte da equipa de investigadores da Faculdade de Letras de Lisboa, Instituto de Geografia, integrado no projecto Linha de Acção de Recolha e Estudo da Literatura Popular. Com o Plano Trabalho e Cultura, em 1975, intensificou-se esta recolha, existindo no Museu da Música Portuguesa milhares de fichas com contos e lendas, romances e canções narrativas, provérbios e adágios, rezas e benzeduras, autos pastoris e outros textos teatrais.

A obra, sob o título “Romanceiro da tradição oral, recolhido no âmbito do Plano de Trabalho e Cultura dirigido por Michel Giacometti”, foi organizado em dois volumes: o primeiro dedicado aos Romances Narrativos e o segundo aos Romances épicos de assunto carolíngio, históricos de assuntos peninsulares, religiosos e novelescos.

É uma edição das Edições Colibri e teve o apoio da Câmara Municipal de Cascais. A edição foi coordenada pelo Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, com quem a Câmara Municipal de Cascais assinou um Protocolo de Colaboração.

Lançamento no próximo dia 27 de Novembro, pelas 18h30, no Museu da Música Portuguesa.

Museu da Música Portuguesa

Sobre as jornadas de património imaterial em Alcochete

novembre 16, 2009

jornadas alcochete PCI 13

Sobre as VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Professor Manuel Viegas Guerreiro »: Tradição, Memórias, Vidas realizadas em Alcochete alguns comentários:

13 Novembro

O encontro começou por formalizar um protocolo entre este centro de investigação e a autarquia de Alcochete para a realização de trabalho no âmbito do património imaterial no domínio da tradição oral, mais concretamente sobre literatura oral tradicional (LOT), designação adoptada pelo Centro de Tradições Populares.

As comunicações foram sendo variadas, dando a conhecer os problemas de trabalho nesta área e divulgando também alguns trabalhos de investigação, alguns deles ligados a este centro de investigação.

Sobre a história deste centro de investigação consulte o site: http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/ctp/

Maria de Lourdes Cidraes
“As lendas históricas: memória e reinvenção”

“Todos os povos, mas também as comunidades locais, tendem a conservar, como testemunho do seu passado ou como elemento identitário, as suas lendas históricas. De origem anónima, surgindo a partir de acontecimentos que relatam e apresentam como verídicos, ou enfabulação erudita de natureza ideológica, as lendas históricas podem ultrapassar a simples função explicativa e alcançar, pela amplificação semântica e pelo reforço do carácter exemplar e da densidade simbólica, a dimensão do mito. Recuperando e reelaborando anteriores tradições lendárias ou míticas, integram-se no imaginário universal e constituem-se em “memória de memórias”, testemunhando, não a veracidade dos factos evocados, mas os contextos culturais em que surgiram ou que foram sendo transmitidas e reinventadas ao longo dos tempos.”

Sobre alguns aspectos desta comunicação, destacam-se os problemas inerentes à classificação das lendas, que muito frequentemente são organizadas e publicadas de acordo com critérios geográficos. Às dificuldades acresce o carácter subjectivo dos sistemas de classificação. Maria de Lourdes Cidraes tem reflectido sobre esta matéria e como proposta de trabalho sugeriu a organização das lendas em quatro tipologias. Esta investigadora sublinhou ainda a importância da recolha como essencial para um conhecimento deste património tão valioso e a sua difusão às novas gerações, recorrendo aos meios tecnológicos de que temos hoje ao nosso alcance.

Cristina Vinagre Alves
“Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós”

“Este projecto foi desenvolvido na Escola Básica 2,3 El-Rei D. Manuel I, no ano lectivo de 2006/07, por duas turmas de 9.º ano em Área de Projecto. Tratou-se de um trabalho de Educação Patrimonial enquanto instrumento de literacia cultural.
Teve como objectivos essenciais a motivação básica e a experiência directa relativamente ao património imaterial para se chegar à sua compreensão e valorização, num processo contínuo de descoberta. Partiu do passado para ajudar a compreender o presente e assim ajudar a projectar o futuro. Conseguiu dar voz a quem normalmente não tem. Conseguiu o desenvolvimento da auto-estima dos avós e a valorização da sua cultura, como Paulo Freire defende, “o reforço e a capitação para o exercício da auto-afirmação”.

Em nosso entender um projecto exemplar sobre a valorização do património imaterial envolvendo as comunidades para a sensibilização sobre a importância deste património. Um trabalho de parceria que incluiu o museu municipal, comprovando que os museus podem ser agentes e parceiros importantes nesta área.

Thierry Proença dos Santos
“Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense”

“Nesta comunicação, observaremos uma prática discursiva bastante comum na imprensa diária madeirense com interesse sociocultural: o de expandir o estereotipado anúncio necrológico com mensagens pessoais. Tal abordagem permitirá reflectir sobre os discursos da elegia fúnebre, do elogio “in memoriam”, sublinhando a importância que assume a “expressão do luto” nas relações familiares e sociais.
Analisaremos alguns exemplos que dão conta da configuração desses anúncios personalizados. A nossa pretensão é a de demonstrar que este tipo de fonte pode conter um grande interesse quer no âmbito da etnologia da imprensa (enquanto reflexo da vida social de uma comunidade), quer sobretudo no âmbito de uma expressão literária e afectiva.”

Cíntia Mendes
“O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista!”

“A Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 foi, até há poucos anos, constituída por músicos amadores, profissionais de outras área que encontraram na música o seu modo de estar na vida sem nunca concretizarem a ambição de “viver da música”.
Foram salineiros, trabalhadores rurais, operários fabris e marítimos, em comum uma paixão, a música!
Com os testemunhos destes homens, analisando o tecido social do Concelho de Alcochete, podemos perceber como viviam os trabalhadores – músicos, como conseguiram manter duas actividades tão exigentes a maior parte das vezes em condições de grandes carências e cansaço físico.
É uma pequena viagem a outras épocas feitas de sal e música, de suor e alegria.”

Francisco Melo Ferreira
Carlos Patrício
“Memória, Percepção e Identidade”

“Nesta comunicação, começaremos por abordar o significado da memória e dos processos culturais envolvidos na criação de tradições locais. Tentaremos, de seguida, propor uma tipologia de processos ligados à tradição e as suas diferenças leituras enquanto texto, arena e “performance”. Interessa-nos, em particular, a relação entre a memória construída de determinados lugares e a sua percepção espacial.
A memória não é, no entanto, um território fixo em que se vão acumulando os resultados da experiência das comunidades humanas. Através de um processo de permanente reajustamento e reinterpretação, cada época vai ajustando o seu passado às conveniências funcionais do seu presente.
Neste contexto, as identidades locais dependem de processos de identificação das suas especificidades, chegando mesmo a assistir-se ao aparecimento de identidades fictícias, não enraizadas na memória individual e colectiva, que, embora desempenhem um pretenso papel funcional nas economias locais, constituem, por vezes, exemplos grotescos de folclorização da diferença.
Perante a crescente desvalorização de referenciais de identidade espacial, é provável que o “espaço imaginado”, ou melhor, a “dimensão imaginada do espaço”, venha a ganhar amplitude horizontal, mas acabará por perder, em tais circunstâncias a dimensão identitária da sua correspondente profundidade temporal, fazendo com que passemos a viver à tona de um espaço de anonimato e de progressiva falência cultural, de que restarão apenas, na breve espuma dos dias, detritos mas não testemunhos, cicatrizes mas não lembranças, sinais de velhice mas não histórias de vida.
Apesar de tudo, e por muito que custe aos arautos da globalização, “ninguém mora no mundo em geral”, e no sentimento de identidade territorial, embora difícil de definir, mas impossível de negar, parece destinado a converter-se em marco geodésico da nossa capacidade de orientação e em matriz de referência semântica da nossa posição relativa em diversas escalas de envolvência, funcionando como “santo e senha” na nossa acrescida relação com o diferente.
Conforme acentua Onésimo Almeida (1995), “a identidade, sendo diferença, não implica oposição e por isso nada tem de necessariamente anti-universal. […] Ao longo da vida, a nossa identidade vai-se alargando (deve alargar-se) para o universal. Mas todo o universal tem o seu chão.”

O tema da identidade, sempre tão discutível foi abordado na sua relação com a memória. Uma comunicação capaz de provocar reflexão, também pela extraordinária oratória dos conferencistas.

Cláudia Diogo
“Ficção e realidade em histórias pessoais de Monchique”

“Bruxedos, aparecimentos de zorras, ruídos estranhos e presenças invisíveis foram acontecimentos vividos e relatados por habitantes da Serra de Monchique, no Algarve, num trabalho de recolha etnográfica. Momentos de histórias de vida, onde o sobrenatural, o inexplicável e o insólito reflectem quotidianos de outrora e crenças fortemente enraizadas.”

Iolanda Nunes
Rute Nunes
“Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete”

“Nesta apresentação serão abordadas as recolhas efectuadas no âmbito do trabalho de pesquisa da disciplina de Literatura Oral e Tradicional, em 2003 e em 2004.
Os “corpora” recolhidos em Alcochete serão analisados tendo por base a sua relação com os usos e costumes desta vila ribeirinha.
Com os trabalhos elaborados e com esta apresentação pretende-se dar a conhecer composições orais desta localidade e não permitir que esta riqueza se perca.”

Sónia Ferreira
“Memória e Trabalho: quotidianos operários durante a II Guerra Mundial”

“Devido à centralidade que o trabalho assume junto das comunidades operárias, considera-se que estas tendem a construir uma “percepção do tempo criada pelas temporalidades do emprego” (Fentress e Wickman, 1992: 150). Esta precisão temporal não garante o rigor mas proporciona alguma linearidade na evocação, tal como as genealogias familiares igualmente o farão.
A partir do estudo de caso de um grupo de operárias de Almada, durante o período correspondente à II Guerra Mundial, procurarei analisar a forma como a memória destas mulheres, individualmente e em grupo, evoca os ritmos quotidianos do trabalho, o tempo privado e o tempo público, o quotidiano e a excepção, constituindo o espaço da fábrica, porque ligados à família e à redes sociais significativas, um lugar de destaque em todo este processo.”

Paulo Lima
“Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário”

“A Direcção Regional de Cultura do Alentejo está, desde 2007, a implementar uma estratégia para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial desta região. Esta estratégia tem por base dois documentos essenciais: “As directrizes para a criação dos Tesouros Humanos Vivos” e a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”, ambos da UNESCO. Toda esta estratégia está construída dentro de uma acção denominada Programa IDENTIDADES – programa para a salvaguarda do património imaterial do Alentejo.
Um dos projectos fundamentais é a criação de um arquivo digital que permita criar uma efectiva estratégia de salvaguarda. Este inventário, partindo da relação entre património natural, móvel imóvel e imaterial, procura criar, assim, um entendimento entre território, paisagens e identidades. Será este projecto a base da nossa comunicação.”

Um comentário à laia de introdução sobre esta comunicação. É preciso lembrar que no contexto da tutela do património cultural imaterial (PCI) as Direcções Regionais de Cultura (DRC) assumiram recentemente um papel importante na salvaguarda deste património. Estas estruturas regionais são o resultado da fusão de vários serviços ligados ao património arqueológico e arquitectónico que existiam anteriormente com gestão autónoma. Para além disso, importa dizer que o campo de actuação destas novas estruturas veio a alargar-se significativamente no seguimento deste novo cenário administrativo despoletado pelo programa PRACE. Através de legislação específica (Decreto Regulamentar n.º 34/2007, de 29 de Março) ficou estipulado que em matéria de PCI as DRC deverão apoiar a inventariação de manifestações culturais tradicionais imateriais, individuais e colectivas, nomeadamente através do seu registo videográfico, fonográfico e fotográfico. (Art. 2.º, h). Por outro lado, deverão ainda apoiar agentes, estruturas, projectos e acções de carácter não profissional nos domínios artísticos e da cultura tradicional (Art. 2.º, c). Isto é, compete às Direcções Regionais de Cultura replicar a acção do Ministério da Cultura no território e, neste caso concreto, cabe-lhes um papel claramente instrumental em matéria de inventariação do PCI. Em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC neste domínio são evidentes, sendo a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (http://www.cultura-alentejo.pt/) a que efectivamente lançou um programa com sérias intenções em matéria de salvaguarda do PCI.
Paulo Lima enquadrou, em traços gerais, o trabalho que têm vindo a desenvolver neste domínio, nomeadamente assegurar a criação de uma rede de espaços no Alentejo, onde de algum modo se pudesse trabalhar com o imaterial e com as comunidades e, ainda, uma rede “Artes da Fala”, que implica por exemplo a organização de festivais para que haja lugar para a expressão destas manifestações. Sublinhou-se ainda o papel do inventário e a escolha de um “software” da empresa “Sistemas do Futuro” por permitir o cruzamento, em termos de inventário, com outros patrimónios, prevalecendo uma abordagem integrada do património.

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14 de Novembro
Workshop – “Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional”
Por Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral

“Abordagem dos três momentos nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional: preparação, realização e tratamento. Cada um destes momentos implica outras questões relevantes, como a contextualização, a própria escolha do material audio-visual e, no após recolha, a transcrição e a classificação dos especímenes recolhidos. Outras questões prendem-se, ainda, com a sistematização dos “corpora” obtidos.”

Uma introdução ao tema referiu que a Literatura Oral Tradicional fazia parte do dia-a-dia das famílias, mas as alterações sócio-económicas e com o progresso tecnológico levaram a um certo desuso da Literatura Oral Tradicional. Por exemplo, a mecanização so trabalho levou ao desaparecimento das cantigas de trabalho. Como se disse, de certa maneira, o modo de vida urbano estendeu-se ao meio rural. E neste sentido os hábitos têm vindo a uniformizar-se. Sobre esta questão fez-se também referência ao papel da UNESCO, que tem vindo a chamar a atenção para estes problemas e cuja Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de 2003 é um documento emblemático nesta matéria. Sobre a designação “Literatura Oral Tradicional” (LOT), recorrente ao longo destas jornadas, trata-se de um termo adoptado pelo Centro de Tradições Populares (CTPP) para esta área de trabalho e que foi criada por João David Pinto Correia, actual director deste centro. Segundo Teresa Amaral, as composições de LOT são transmitidas de geração em geração, fazendo parte do património colectivo. “É aquele texto que fica na boca do povo. São textos “fixados”, recriados em cada performance, que conjugam vários discursos – linguístico, gestual e musical.” Como características gerais, as composições de LOT pontuam por apresentar um “conteúdo condensado, economia de meios expressivos, descrição praticamente ausente e por uma adjectivação reduzida.”
Coube a Lina Santos Mendonça fazer referência às questões que se prendem com a metodologia do trabalho de campo no âmbito da recolha da LOT, nomeadamente as fases que constituem o trabalho e várias recomendações gerais.
Falou-se ainda de sistemas de classificação para a LOT, designadamente a necessidade da classificação estar em contínua actualização, em consequência do trabalho de campo com as comunidades, que vai abrindo novas possibilidades. Ana Morão sublinhou os problemas associados à classificação, desde logo problemas que se prendem com a identificação, com a erosão do tempo e com a contaminação entre expressões, para referir apenas alguns.

Jornadas sobre património imaterial em Alcochete, 13 e 14 Nov. 2009

novembre 10, 2009

VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Prof. Manuel Viegas Guerreiro”, nos dias 13 e 14 de Nov. 2009

Local: Biblioteca Municipal de Alcochete
A entrada é livre, mas é necessário inscrição prévia (212348652)

As VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Prof. Manuel Viegas Guerreiro” realizam-se em Alcochete, no âmbito do Acordo de Cooperação estabelecido entre esta Unidade de I&D e a Câmara Municipal de Alcochete, reflectindo a preocupação de ambas as entidades com a preservação do Património Cultural Imaterial, cuja recolha, investigação e sustentabilidade são hoje uma prioridade para os organismos nacionais e internacionais, merecendo o apoio da UNESCO e tendo Portugal já ratificado a Convenção para a sua salvaguarda.

Assim, a Câmara Municipal de Alcochete, consciente da riqueza cultural do seu Concelho, deseja conservar este património para as gerações futuras, tendo vindo a desenvolver o projecto Plano das Memórias do Concelho de Alcochete.

O Centro de Tradições Populares Portuguesas, por sua vez, constitui de há muito um espaço de reflexão e de investigação científica nos domínios multidisciplinares da Literatura Oral e Tradicional, das Tradições Populares Portuguesas, da Etnografia, da Linguística e do Imaginário Cultural.

Estas Jornadas pretendem ser um espaço de partilha. Por isso, o seu programa é abrangente, dele constando diversas comunicações que abordam questões ligadas à recolha, conservação e estudo do Património Imaterial.

Programa:

Dia 13 de Novembro
9h30 Recepção e entrega de documentação
10h00 Sessão de abertura

Luís Miguel Carraça Franco
Presidente da Câmara Municipal de Alcochete
João David Pinto-Correia
Coordenador Científico do Centro de Tradições Populares Portuguesas
Formalização do protocolo entre a CMA e o CTPP

Primeiro painel
10h40 Maria de Lourdes Cidraes
As lendas históricas: memória e reinvenção
11h00 Pausa para café
11h20 Cristina Vinagre Alves
Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós
11h40 Paulo Lima
Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário
12h00 Cíntia Mendes
O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista
12h20 Debate

Almoço livre

Segundo painel
14h30 Francisco Melo Ferreira e Carlos Patrício Memória, Percepção e Identidade
14h50 Cláudia Diogo
Ficção e Realidade em histórias pessoais de Monchique
15h10 Thierry Proença dos Santos
Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense
15h30 Debate
15h50 Pausa para café
Terceiro painel
16h10 Iolanda Nunes e Rute Nunes
Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete
16h30 Sónia Ferreira
Memória e Trabalho quotidianos operários durante a II Guerra Mundial
16h50 Debate
17h10 Sessão de encerramento
Susana Custódio
Vereadora do Pelouro de Cultura e Identidade Local da Câmara Municipal de Alcochete

Dia 14 de Novembro

09h30-12h30 Workshop
Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral
Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional

Tertúlia sobre património imaterial

novembre 5, 2009

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Tertúlia “Património Material e Imaterial: Identidade de um povo »
Fundação Eugénio de Almeida
4 de Novembro de 2009

« A globalização e a transformação social criam, por um lado, condições para o diálogo entre as comunidades, promovendo uma maior reflexão e sensibilização para as questões do património; por outro lado, podem aumentar os riscos da sua deterioração, desaparecimento e eventual destruição.

Envolver as comunidades, as instituições locais e nacionais, numa abordagem multidisciplinar e transversal, é fundamental para a manutenção e salvaguarda do património cultural de um povo.

Apesar das convenções internacionais relativas ao património material e imaterial, estará efectivamente assegurada a sua preservação? Que legado deixamos às gerações vindouras? »

Foi com estas palavras que ontem (04/11/2009) teve início mais uma tertúlia na cafetaria da Fundação Eugénio de Almeida. Uma conversa informal em torno de alguns convidados que pretendeu reflectir sobre o património material e imaterial.

O interesse que parece suscitar o património imaterial começa a reflectir-se cada vez mais na realização de encontros e conferências, decorrente de um maior enfoque da comunicação social sobre este património. Naturalmente este interesse, cada vez mais visível em Portugal, deve-se à Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003), que o Estado português ratificou e que entrou em vigor no nosso país em Agosto de 2008.

A conversa começou por questionar o papel das Convenções e se de facto podem assegurar que o património seja preservado. Efectivamente, como sublinhou a Dra. Clara Bertrand Cabral, só por si as Convenções não resolvem os problemas da preservação do património. É dos Estados-Partes a responsabilidade de implementar este documento normativo (Convenção 2003), que contém recomendações e orientações para actuar, mas que cada país deverá interpretar e adaptar à sua realidade. Portugal já assumiu o compromisso de implementar políticas de salvaguarda do património imaterial, consciente de que este tem sido um património claramente negligenciado. A forma como o Estado português conduzir esta questão será determinante para contribuir ou não para a preservação deste património. Tornar conhecida a Convenção 2003 e os princípios que advoga poderá ser essencial para uma maior consciencialização dos problemas que afectam o património imaterial e uma maior mobilização das comunidades para a sua salvaguarda.

Como bem lembrou o Prof. Jorge Rodrigues, o conceito de património cultural tem vindo a incorporar cada vez mais “patrimónios” e que reflecte, porventura, uma maior necessidade de protecção e maior responsabilização, não apenas dos órgãos governamentais, que detêm a tutela de grande parte do património cultural, mas exige também por parte dos cidadãos maior envolvimento nestas questões. Como referiu o Prof. Rodrigues, Portugal e a maior parte dos países do Sul partilham de uma noção de património que delega a responsabilidade de resolver os problemas do património para o Estado. Mas esta é uma situação que terá que ser inevitavelmente contrariada, pois não é exequível.
O Prof. Jorge Rodrigues é responsável em Portugal pelo programa HERITY (http://www.herity.pt/), uma organização dedicada à gestão de qualidade do património cultural.
“L’idea di HERITY nasce nel 1994 su iniziativa del DRI e dalla constatazione dell’esigenza che occorre amministrare al meglio il nostro capitale di beni culturali, nei quali risiede la memoria collettiva dell’Umanità e la storia di ogni essere umano o sua aggregazione nel tempo. Oggi, questo patrimonio riveste anche importanza strategica dal punto di vista dello sviluppo economico e del raggiungimento di una migliore comprensione reciproca fra i popoli; in altre parole le condizioni per la pace.” (in site http://www.herity.it/)

O Dr. José Nascimento (director da Direcção Regional de Cultura do Alentejo) falou de um projecto-piloto que está a ser implementado no domínio do imaterial, que terá começado por um mapeamento cultural que permitiu identificar algumas manifestações deste património para serem objecto de planos de salvaguarda, desde logo o cante alentejano, a viola campaniça, o cantar de improviso, entre outras.

Os temas abordados foram sendo variados ao longo da noite, recaindo sobretudo para aspectos ligados ao património cultural na sua vertente material, o que de certo modo reflecte que abordar a salvaguarda do património imaterial é ainda um terreno pouco conhecido nos termos que a Convenção defende. A subjectividade do tema e a ausência de uma política cultural neste domínio em Portugal nas últimas décadas ajuda à falta de enquadramento nesta área. Porém, embora se tenha dito nesta tertúlia que neste domínio terá que se partir do zero, creio que a realidade está longe de ser tão pessimista. Afinal, não podemos menosprezar que há um enormíssimo trabalho no domínio da antropologia e etnografia que tem sido feito por investigadores e académicos que têm documentado e estudado muito do nosso património imaterial. Poderiam ser citados inúmeros nomes, mas logo à memória vêm-me os nomes de Giacometti e Lopes Graça.

Colóquio: « Entre a História a Estética e a Técnica: Diálogos de Património Cultural, 18 Set. 2009

septembre 7, 2009

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No próximo dia 18 de Setembro tem lugar na Universidade de Évora (Palácio Vimioso) um colóquio subordinado ao tema: « Entre a História a Estética e a Técnica: Diálogos de Património Cultural ».

A organização deste colóquio cabe aos alunos do curso de Mestrado em Gestão e Valorização do Património Histórico e Cultural (2008/2010) da Universidade de Évora.

Serão discutidos as várias dimensões do património cultural. Assim, as comunicações organizam-se em torno de cinco painéis distintos: Património Imaterial, Construído, Móvel, Arqueológico e Industrial.

A inscrição é gratuita mas é obrigatória.

Foi criado um blogue para divulgação do colóquio e onde poderã encontrar mais informação (ficha inscrição, programa, links de interesse, etc.): http://coloquiodpc.wordpress.com/

Tese: « Dinâmicas do Património Imaterial: A Candidatura Galego-Portuguesa à UNESCO »

août 18, 2009

tese mestrado

Dinâmicas do Património Imaterial: A Candidatura Galego-Portuguesa à UNESCO
Autora: Constança Manuel Pacheco de Amorim Vieira de Andrade
Orientador: Prof. Doutor Jorge Freitas Branco
Instituição: Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa
Tese de Mestrado (Museologia: Conteúdos Expositivos)
Ano: 2008

Resumo:

Nesta dissertação faz-se uma análise das razões que levaram ao surgimento da candidatura do património imaterial galego-português, apresentada à UNESCO em 2005. Estudam-se as dinâmicas sócio-culturais criadas pelo projecto, tanto durante a sua elaboração como depois da recusa de classificação como património da humanidade. A afirmação nacionalista da parte galega contrapõe-se à fraca mobilização do lado português, onde a relação com o governo central é menos conflituosa. A candidatura aparece assim como ferramenta para sublinhar a individualidade da Galiza perante o Estado espanhol.

Abstract:
In this thesis an analysis has been made of the reasons that led to the appearance of a candidature of the Northern Portuguese and Galician intangible heritage presented to UNESCO in 2005. Sociocultural dynamics this project brought about are examined both during its making up and after its classification’s denial as World Heritage. The Galician nationalist assertion confronts with the weak mobilization on the Portuguese side where we can feel a less contentious relation with central government. So this candidature appears as possible tool to emphasize Galician individuality face to face with the Spanish state.

Assunto(s): Património imaterial; UNESCO; Nacionalismo; Euroregião Galiza-Norte de Portugal; Ecomuseu de Barroso; Museo Aberto do Couto Mixto; Intangible heritage; Nationalism; Euroregion Galicia-Norte Portugal

A tese está disponível na íntegra no Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal:
https://repositorio.iscte.pt/handle/10071/992

Curso: « Conservar Memórias de Uma Identidade: Reflexões Sobre Patrimónios Tangíveis e Intangíveis em Portugal »

mars 30, 2009

Conservar Memórias de Uma Identidade: Reflexões Sobre Patrimónios Tangíveis e Intangíveis em PortugalCurso coordenado pela Dra. Lorena Querol
Duração: 18 horas
Horário: 10h-13h; 14h30-17h30
Local: Sala de Formação do Museu
2009/05/27 até 2009/05/29

Valor da Inscrição:
Público em geral: 160€
Técnicos de Instituições Culturais: 120€
Estudantes/Desempregados: 90€

Informações e Inscrições:
Museu da Presidência da República
Tel: 213 614 660
museu@presidencia.pt

Programa:

Módulo I
O PATRIMÓNIO CULTURAL: MEMÓRIA DE UMA IDENTIDADE
 A noção de património e sua evolução ao longo dos tempos.
 Globalização, diversidade e Património Integral.
 Do histórico ao cultural, do singular ao plural: noções de identidade patrimonial dentro
e fora da União Europeia.
 Passado e presente do património intangível:
 Os primórdios: 1950 e a declaração de “Tesouros nacionais vivos” no Japão.
 O compromisso internacional: 2003 e a Convenção para a Protecção do Património
Cultural Imaterial da UNESCO.
 A iniciativa portuguesa: 2007 ou… os primeiros passos em direcção ao reconhecimento
de um património ameaçado.
 Exercício prático: “Transmissores de Patrimónios Desconhecidos”.
Módulo II
A CONSERVAÇÃO, UM PRIVILÉGIO HISTÓRICO
 Uma questão de respeito cultural.
 A ética actual de uma área tão antiga como a própria humanidade.
 Conservação directa e conservação indirecta: diferenças, semelhanças e outras
polémicas da actualidade.
 Museu e conservação: uma amizade sem igual.
 Exercício prático: “Nas reservas do Museu: perguntas e respostas sobre as opções de intervenção de uma obra pictórica da colecção permanente”

Ficha de Inscrição e mais informações:
http://www.museu.presidencia.pt

Table Ronde: Sauvegarder? Pourquoi? 6 Abril, Paris, 2009

mars 16, 2009

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Como vai sendo há hábito a Maison des Cultures du Monde organiza em colaboração com a Comissão Francesa da UNESCO a 6.ª edição das Jornadas sobre o Património Cultural Imaterial. Este ano o tema corresponde às seguinte interrogações: « Salvaguarda? Porquê? ». A mesa-redonda terá lugar no próximo dia 6 de Abril em Paris no contexto do FESTIVAL De L’IMAGINAIRE 2009.

Uma pequena nota sobre as Jornadas anteriores:

1ère journée du patrimoine culturel immatériel en France (6 Abril 2004); 2ème journée du patrimoine culturel immatériel (22 Março 2005); 3ème journée du «patrimoine culturel immatériel en France d’outre-mer» (15 Março 2006); 4ème journée du patrimoine culturel immatériel: «Mise en oeuvre de la convention pour la sauvegarde du patrimoine culturel immatériel: des enjeux spécifiques pour les pays européens» (28 Março 2007); 5ème journée du patrimoine culturel immatériel: «L’Immatériel à la lumière de l’Extrême-Orient» (26 Março 2008);

Table Ronde: SAUVEGARDER ? POURQUOI ?
6ème journée du Patrimoine Culturel Immatériel en collaboration avec la Commission Nationale Française pour l’Unesco
Animée par Chérif Khaznadar

Lundi 6 avril
Entrée libre dans la limite des places disponibles sous réserve d’inscription obligatoire à partir du 23 mars 2009 au 01 45 44 72 30.

Maison des Cultures du Monde
101 boulevard Raspail
75006 Paris

Métro Saint-Placide ou Notre-Dame-des-Champs

Dans l’état du Kérala, au sud de la péninsule indienne, une vieille dame manipule des marionnettes de bois qu’elle tient en équilibre sur ses lèvres. Elle serait la dernière à maîtriser cette technique tout à fait particulière et unique au monde. L’art de ces marionnettes Nokkuvidya disparaîtra-t-il à jamais avec la seule détentrice de ses secrets ?

Au nord du Japon dans la préfecture de Tokushima, Ebisu et Sambaso deux immenses personnages de bois et de chiffons frappent aux portes des maisonnées des villages afin de conter, dans l’intimité de leur foyer, aux familles qui se regroupent autour d’eux des histoires d’hier et d’aujourd’hui. Deux jeunes femmes tentent de perpétuer les Sanbasomawashidu, cette tradition oubliée des répertoires du patrimoine. Tentative isolée et sans lendemain ou réponse à un besoin de société en quête de ses racines ?

Le vieux Hasan Pur’eydiân de Nishapur dans le Khorassan en Iran, qui chantait en kurde, turc et persan tout en manipulant la «poupée de chasse », une représentation de marionnette animale unique à cette région, qu’il nous a fait découvrir au Festival de l’Imaginaire il y a cinq ans, a-t-il eu le temps, avant de nous quitter, de transmettre à son fils Reza l’art dont il était le dernier détenteur ? La petite gazelle qui dansait au son du luth dotâr s’est-elle endormie à tout jamais ?

Et que devient le bonhomme gigueur du Canada qu’un violoneux faisait danser entre ses jambes ? Est-il remisé dans quelque musée ou continue-t-il à animer des veillées pour la plus grande joie des petits et des grands ?

Quelques exemples d’un patrimoine culturel immatériel en grand danger de disparition. Faut-il le sauvegarder à tout prix ? Le laisser mourir? Pourquoi ces formes, parmi tant d’autres, qui sont l’expression d’une créativité exceptionnelle et d’un art consommé sont-elles aussi menacées ?

Pour sa sixième journée consacrée au patrimoine culturel immatériel, la Maison des Cultures du Monde a invité quelques uns des derniers détenteurs de ces traditions en voie de disparition. Nous découvrirons leur technique et leur talent avec eux (ou, dans le cas de « la poupée de chasse » grâce à un document filmé du Centre de documentation sur les spectacles du monde).

Des spécialistes du patrimoine immatériel commenteront et analyseront la situation de ces expressions menacées et les moyens et procédés de sauvegarde à mettre en œuvre afin de préserver la diversité culturelle de notre planète.

Chérif Khaznadar

Programa

Seminário – Inventário do Património Cultural Imaterial: Contextos e Metodologias, 9-13 Fev. 09

février 20, 2009

Decorreu em Ponta Delgada, entre 9 a 13 Fevereiro de 2009, o Seminário “Inventário do Património Cultural Imaterial: Contextos e Metodologias”, realizado pelo Departamento de Património Imaterial do Instituto dos Museus e da Conservação.

O Seminário teve como destinatários formandos da Licenciatura em Património Cultural pela Universidade dos Açores, bem como profissionais de Museus e outras entidades culturais.

……..

Fonte: IMC