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Património imaterial em destaque

septembre 29, 2011

Por estes dias, o património imaterial é território fértil de actividades.

Irá ter lugar, hoje (30 Set.) o festival Artes da Fala, organizado pela Câmara Municipal de Portel e pela Associação de Folcloristas do Alto Alentejo.

O programa do festival inclui (a partir das 21h30):
Cântico às Oliveiras Bentas [Alandroal]
Grupo Coral Os Almocreves [Portel]
Poetas Populares do Alentejo
Improviso em Ottava Rima:
Giampero Giamogante (voz) e Donato de Acutis (voz e organetto) [Itália]
Prazo&Label T. [rapper’s] [Sines]

No dia 1 de Outubro (sábado) realiza-se uma mesa-redonda dedicada a “Património Cultural Imaterial, Identidade, Turismo e Estratégias Locais”. O coordenador é Luís Tojo (vereador da Câmara Municipal de Portel).

De acordo com o programa:

16h00
Discussão urgente: de que falamos quando falamos de Património Cultural Imaterial, Pedro Félix (INET-MD- Universidade de Lisboa)

A materialidade do imaterial, José Rodrigues dos Santos (CIDEHUS, Universidade de Évora)

Inventário do PCI ou inventário-catálogo da Paisagem? Paulo Lima (Câmara Municipal de Portel)

Património imaterial, modos de recolha e representação, «Sinfonia do Imaterial», Tiago Pereira, realizador

INATEL, agência consultiva para o Património Cultural Imaterial, Carla Raposeira (Fundação INATEL)

17h45 – pausa para café

18h00 – Exibição do filme “SINFONIA IMATERIAL”, um filme de Tiago Pereira

21h30 Festival Artes da Fala
Grupo Etnográfico de Moldes (Arouca)
Bailinhos (Títeres da Ti Melindra) [Borba]
Improviso em Ottava Rima:
Giampero Giamogante (voz) e Donato de Acutis (voz e organetto) [Itália]
Prazo&Label T. [rapper’s] [Sines]

A entrada é livre

Local: auditório municipal

Sobre jornada de trabalho « Património Cultural Imaterial »

mars 11, 2010

Jornada de trabalho “Património Cultural Imaterial” – moderação: Ana Rodrigues Carvalho & Lorena Querol. Da esquerda para a direita vê-se: Paulo Ferreira da Costa, Lorena Querol, Ana Rodrigues Carvalho e Paulo Lima. Fundação Manuel Viegas Guerreiro. 8 Março 2010

No dia 8 de Março de 2010 realizou-se uma jornada de trabalho subordinada ao Património Cultural Imaterial (PCI) no âmbito da iniciativa “Técnicos dos Museus Encontram-se”, que a Rede de Museus do Algarve (RMA) promove. Estes encontros são espaços de diálogo destinados a potenciar a partilha de experiências entre os profissionais dos museus da RMA. Esta jornada de trabalho teve, porém um enquadramento particular, na medida em que trouxe contribuições de fora da RMA, ao contrário do que tem vindo a ser feito, de âmbito mais técnico e interno. Foi neste contexto, que fui convidada a participar, na qualidade de moderadora, representando, de algum modo a perspectiva da investigação.

A razão deste encontro prendeu-se com a necessidade de se reflectir sobre estratégias para a salvaguarda do PCI nos museus. O PCI é um tema que começa a ser uma preocupação trilhada por cada vez mais museus, um pouco na senda da adopção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003) da UNESCO, ratificada por Portugal em Março de 2008. Também o Conselho Internacional de Museus (ICOM) atribui competências aos museus na salvaguarda do PCI, tal como é patente em documentos de referência como a « Carta de Shanghai » (2002) e a « Declaração de Seoul » (2004). E por outro lado, note-se a mudança evidente de paradigma, quando em 2007 a definição de museu proposta pelo ICOM passaria a substituir “testemunhos materiais” por “património material e imaterial”. Pode dizer-se que este enquadramento internacional lança o repto aos actores culturais e aos museus em particular.

Assim, reconhece-se à partida que o PCI é também um campo de actuação dos museus, mas entre as intenções e as práticas permanecem muitas dúvidas sobre como agir sobre este património tão complexo. Como podem os museus abordar e responsabilizar-se mais pelo PCI? Foi a partir destas inquietações que o Museu Municipal de Loulé e a Direcção Regional de Cultura do Algarve organizaram este encontro no contexto da RMA.

Tendo em conta que Portugal tem um enquadramento relativamente recente sobre uma política cultural para a salvaguarda do PCI e que se reflecte em termos de legislação e tutela, a contribuição de Paulo Ferreira da Costa centrou-se no plano normativo nacional e na forma como o Instituto dos Museus e da Conservação, organismo com competências atribuídas em matéria de salvaguarda do PCI, perspectiva a implementação da Convenção 2003 em Portugal. Este contexto revelou-se fundamental, primeiramente porque é recente e ainda desconhecido para muitos museus e por outro lado, ainda está a ser definido, o que permite abrir a reflexão sobre um caminho que pauta pela possibilidade de muitas abordagens.

As Direcções Regionais de Cultura (DRC) têm desde 2007 também um papel importante relativamente ao PCI, articulando a estratégia definida pelo IMC no território, nomeadamente ao nível da inventariação. Todavia, em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC são evidentes. O trabalho desenvolvido pela DRC do Alentejo, que tomou a dianteira na formulação de um programa de salvaguarda do PCI nesta região é, de certo modo, uma proposta inovadora e que revela um entendimento mais pragmático e diferenciado da forma como se deve entender uma abordagem ao PCI. Paulo Lima pontuou por um discurso menos formal, deixando antever que abordar o PCI não é isento de incertezas e muitas angústias, um processo que se tem caracterizado por avanços mas também por vários recuos.

Ao longo da tarde, os profissionais dos museus da RMA tiveram a palavra. Em mesa-redonda e a partir dos reptos lançados da parte da manhã, os técnicos partilharam as iniciativas que já decorrem no âmbito do PCI. Metodologias, dificuldades, dúvidas, necessidades, inquietações e interrogações foram alguns dos aspectos abordados.

Nos museus de Lagos, Loulé, Portimão, Olhão, Faro, Alcoutim, S. Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Tavira decorrem ou decorreram já experiências pontuais em torno do PCI, que pontuam pela diversidade, tanto ao nível da profundidade como do tipo de abordagem. Todavia, em grande medida, alguns dos projectos enunciados centraram-se na contextualização e documentação das colecções existentes a partir dos testemunhos orais das comunidades. Os sistemas de inventário, nalguns casos não existem (inclusive para as colecções do museu), noutros estão definidos os softwares para o imaterial (em dois casos), mas estão por implementar. De uma forma muito transversal, as dificuldades identificadas foram as seguintes: recursos humanos e financeiros, mais formação específica em questões técnicas e tecnológicas e a ausência de estratégias que estabeleçam formas de colaboração continuadas com as comunidades.

Os inventários foram um tema recorrente, mas o debate também suscitou questões mais alargadas, sobre o direito de intervenção e interferência dos museus e dos profissionais neste domínio, sobre quem em última instância valida o que é e o que não é PCI? E, afinal, o que é o PCI? Por outro lado, falamos dos tradicionais terrenos antropológicos ou falamos de novos terrenos? Será que faz sentido este enfoque para o PCI, sob pena de que desapareça, quando em ritmo igualmente acelerado se produzem novas culturas, novos significados?

Algumas das questões levantadas não têm resposta fácil, muitas delas não têm uma única resposta, mas significam que os museus são também terreno fértil para a discussão e campo de paradoxos. O que hoje é entendido como património poderá amanhã não o ser, se extremarmos posições.

Mas em jeito de conclusão, pode dizer-se que os museus não estão alheios à importância do PCI e começam a dar pequenos passos nesta matéria. Não obstante as dificuldades inerentes a uma abordagem ao PCI e às formas de valorização, é possível verificar que existe muita vontade em conhecer melhor e identificar o PCI.

Actuar sobre este património exige reflexão e é a partir de pequenas experiências que podemos fazer balanços e tirar daí partido para nos lançarmos em novas aventuras. Este é um caminho que se faz actuando e experimentando. A frase “Don’t run, walk!”, parece ajustar-se bem neste contexto.

Para intervir é preciso conhecer. Como disse Lorena Querol, um inventário não é um fim, mas um caminho!

Por outro lado, os museus não devem responsabilizar-se por todo este património, dada a vastidão do tema. Exigem-se novas formas de colaboração, através da criação de redes e parcerias, nas quais os museus podem ter um papel importante, mas não deverão ser os únicos agentes (escolas, associações, comunidades, universidades, etc.).

Para além disso, nem todo o património precisa de ser salvaguardado, sendo necessário mapear prioridades e dialogar com as comunidades para se perceber o que querem preservar ou não.

Ana Carvalho

A RMA é uma rede informal criada a 16 de Outubro de 2007 e hoje constituída por 14 museus da região do Algarve*. Liberdade de adesão, cooperação em rede, serviço público e ética profissional, informação e comunicação, formação, inovação e programação museológica são alguns dos princípios de actuação desta rede, um projecto inovador em Portugal.

*Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão, Museu Municipal de Portimão, Museu Municipal de Tavira, Museu Municipal de Faro, Museu do Trajo, Museu Municipal de Dr. José Formosinho, Museu Municipal de Lagoa, Museu Municipal de Arqueologia de Silves, Núcleos Museológicos de Alcoutim, Núcleo Museológico da Indústria Conserveira de Vila real de Santo António, Museu Municipal de Olhão e Museu do Mar e da Terra da Carrapateira

Sobre as jornadas de património imaterial em Alcochete

novembre 16, 2009

jornadas alcochete PCI 13

Sobre as VIII Jornadas do Centro de Tradições Populares Portuguesas “Professor Manuel Viegas Guerreiro »: Tradição, Memórias, Vidas realizadas em Alcochete alguns comentários:

13 Novembro

O encontro começou por formalizar um protocolo entre este centro de investigação e a autarquia de Alcochete para a realização de trabalho no âmbito do património imaterial no domínio da tradição oral, mais concretamente sobre literatura oral tradicional (LOT), designação adoptada pelo Centro de Tradições Populares.

As comunicações foram sendo variadas, dando a conhecer os problemas de trabalho nesta área e divulgando também alguns trabalhos de investigação, alguns deles ligados a este centro de investigação.

Sobre a história deste centro de investigação consulte o site: http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/ctp/

Maria de Lourdes Cidraes
“As lendas históricas: memória e reinvenção”

“Todos os povos, mas também as comunidades locais, tendem a conservar, como testemunho do seu passado ou como elemento identitário, as suas lendas históricas. De origem anónima, surgindo a partir de acontecimentos que relatam e apresentam como verídicos, ou enfabulação erudita de natureza ideológica, as lendas históricas podem ultrapassar a simples função explicativa e alcançar, pela amplificação semântica e pelo reforço do carácter exemplar e da densidade simbólica, a dimensão do mito. Recuperando e reelaborando anteriores tradições lendárias ou míticas, integram-se no imaginário universal e constituem-se em “memória de memórias”, testemunhando, não a veracidade dos factos evocados, mas os contextos culturais em que surgiram ou que foram sendo transmitidas e reinventadas ao longo dos tempos.”

Sobre alguns aspectos desta comunicação, destacam-se os problemas inerentes à classificação das lendas, que muito frequentemente são organizadas e publicadas de acordo com critérios geográficos. Às dificuldades acresce o carácter subjectivo dos sistemas de classificação. Maria de Lourdes Cidraes tem reflectido sobre esta matéria e como proposta de trabalho sugeriu a organização das lendas em quatro tipologias. Esta investigadora sublinhou ainda a importância da recolha como essencial para um conhecimento deste património tão valioso e a sua difusão às novas gerações, recorrendo aos meios tecnológicos de que temos hoje ao nosso alcance.

Cristina Vinagre Alves
“Memórias de Alcochete, no tempo dos nossos avós”

“Este projecto foi desenvolvido na Escola Básica 2,3 El-Rei D. Manuel I, no ano lectivo de 2006/07, por duas turmas de 9.º ano em Área de Projecto. Tratou-se de um trabalho de Educação Patrimonial enquanto instrumento de literacia cultural.
Teve como objectivos essenciais a motivação básica e a experiência directa relativamente ao património imaterial para se chegar à sua compreensão e valorização, num processo contínuo de descoberta. Partiu do passado para ajudar a compreender o presente e assim ajudar a projectar o futuro. Conseguiu dar voz a quem normalmente não tem. Conseguiu o desenvolvimento da auto-estima dos avós e a valorização da sua cultura, como Paulo Freire defende, “o reforço e a capitação para o exercício da auto-afirmação”.

Em nosso entender um projecto exemplar sobre a valorização do património imaterial envolvendo as comunidades para a sensibilização sobre a importância deste património. Um trabalho de parceria que incluiu o museu municipal, comprovando que os museus podem ser agentes e parceiros importantes nesta área.

Thierry Proença dos Santos
“Discursos da dor da perda em anúncios necrológicos da imprensa madeirense”

“Nesta comunicação, observaremos uma prática discursiva bastante comum na imprensa diária madeirense com interesse sociocultural: o de expandir o estereotipado anúncio necrológico com mensagens pessoais. Tal abordagem permitirá reflectir sobre os discursos da elegia fúnebre, do elogio “in memoriam”, sublinhando a importância que assume a “expressão do luto” nas relações familiares e sociais.
Analisaremos alguns exemplos que dão conta da configuração desses anúncios personalizados. A nossa pretensão é a de demonstrar que este tipo de fonte pode conter um grande interesse quer no âmbito da etnologia da imprensa (enquanto reflexo da vida social de uma comunidade), quer sobretudo no âmbito de uma expressão literária e afectiva.”

Cíntia Mendes
“O trabalho e a música, de trabalhador rural a solista!”

“A Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 foi, até há poucos anos, constituída por músicos amadores, profissionais de outras área que encontraram na música o seu modo de estar na vida sem nunca concretizarem a ambição de “viver da música”.
Foram salineiros, trabalhadores rurais, operários fabris e marítimos, em comum uma paixão, a música!
Com os testemunhos destes homens, analisando o tecido social do Concelho de Alcochete, podemos perceber como viviam os trabalhadores – músicos, como conseguiram manter duas actividades tão exigentes a maior parte das vezes em condições de grandes carências e cansaço físico.
É uma pequena viagem a outras épocas feitas de sal e música, de suor e alegria.”

Francisco Melo Ferreira
Carlos Patrício
“Memória, Percepção e Identidade”

“Nesta comunicação, começaremos por abordar o significado da memória e dos processos culturais envolvidos na criação de tradições locais. Tentaremos, de seguida, propor uma tipologia de processos ligados à tradição e as suas diferenças leituras enquanto texto, arena e “performance”. Interessa-nos, em particular, a relação entre a memória construída de determinados lugares e a sua percepção espacial.
A memória não é, no entanto, um território fixo em que se vão acumulando os resultados da experiência das comunidades humanas. Através de um processo de permanente reajustamento e reinterpretação, cada época vai ajustando o seu passado às conveniências funcionais do seu presente.
Neste contexto, as identidades locais dependem de processos de identificação das suas especificidades, chegando mesmo a assistir-se ao aparecimento de identidades fictícias, não enraizadas na memória individual e colectiva, que, embora desempenhem um pretenso papel funcional nas economias locais, constituem, por vezes, exemplos grotescos de folclorização da diferença.
Perante a crescente desvalorização de referenciais de identidade espacial, é provável que o “espaço imaginado”, ou melhor, a “dimensão imaginada do espaço”, venha a ganhar amplitude horizontal, mas acabará por perder, em tais circunstâncias a dimensão identitária da sua correspondente profundidade temporal, fazendo com que passemos a viver à tona de um espaço de anonimato e de progressiva falência cultural, de que restarão apenas, na breve espuma dos dias, detritos mas não testemunhos, cicatrizes mas não lembranças, sinais de velhice mas não histórias de vida.
Apesar de tudo, e por muito que custe aos arautos da globalização, “ninguém mora no mundo em geral”, e no sentimento de identidade territorial, embora difícil de definir, mas impossível de negar, parece destinado a converter-se em marco geodésico da nossa capacidade de orientação e em matriz de referência semântica da nossa posição relativa em diversas escalas de envolvência, funcionando como “santo e senha” na nossa acrescida relação com o diferente.
Conforme acentua Onésimo Almeida (1995), “a identidade, sendo diferença, não implica oposição e por isso nada tem de necessariamente anti-universal. […] Ao longo da vida, a nossa identidade vai-se alargando (deve alargar-se) para o universal. Mas todo o universal tem o seu chão.”

O tema da identidade, sempre tão discutível foi abordado na sua relação com a memória. Uma comunicação capaz de provocar reflexão, também pela extraordinária oratória dos conferencistas.

Cláudia Diogo
“Ficção e realidade em histórias pessoais de Monchique”

“Bruxedos, aparecimentos de zorras, ruídos estranhos e presenças invisíveis foram acontecimentos vividos e relatados por habitantes da Serra de Monchique, no Algarve, num trabalho de recolha etnográfica. Momentos de histórias de vida, onde o sobrenatural, o inexplicável e o insólito reflectem quotidianos de outrora e crenças fortemente enraizadas.”

Iolanda Nunes
Rute Nunes
“Testemunhos de recolhas da Literatura Oral e Tradicional em Alcochete”

“Nesta apresentação serão abordadas as recolhas efectuadas no âmbito do trabalho de pesquisa da disciplina de Literatura Oral e Tradicional, em 2003 e em 2004.
Os “corpora” recolhidos em Alcochete serão analisados tendo por base a sua relação com os usos e costumes desta vila ribeirinha.
Com os trabalhos elaborados e com esta apresentação pretende-se dar a conhecer composições orais desta localidade e não permitir que esta riqueza se perca.”

Sónia Ferreira
“Memória e Trabalho: quotidianos operários durante a II Guerra Mundial”

“Devido à centralidade que o trabalho assume junto das comunidades operárias, considera-se que estas tendem a construir uma “percepção do tempo criada pelas temporalidades do emprego” (Fentress e Wickman, 1992: 150). Esta precisão temporal não garante o rigor mas proporciona alguma linearidade na evocação, tal como as genealogias familiares igualmente o farão.
A partir do estudo de caso de um grupo de operárias de Almada, durante o período correspondente à II Guerra Mundial, procurarei analisar a forma como a memória destas mulheres, individualmente e em grupo, evoca os ritmos quotidianos do trabalho, o tempo privado e o tempo público, o quotidiano e a excepção, constituindo o espaço da fábrica, porque ligados à família e à redes sociais significativas, um lugar de destaque em todo este processo.”

Paulo Lima
“Arquivo do Património Imaterial do Alentejo: Estratégias de Inventário”

“A Direcção Regional de Cultura do Alentejo está, desde 2007, a implementar uma estratégia para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial desta região. Esta estratégia tem por base dois documentos essenciais: “As directrizes para a criação dos Tesouros Humanos Vivos” e a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”, ambos da UNESCO. Toda esta estratégia está construída dentro de uma acção denominada Programa IDENTIDADES – programa para a salvaguarda do património imaterial do Alentejo.
Um dos projectos fundamentais é a criação de um arquivo digital que permita criar uma efectiva estratégia de salvaguarda. Este inventário, partindo da relação entre património natural, móvel imóvel e imaterial, procura criar, assim, um entendimento entre território, paisagens e identidades. Será este projecto a base da nossa comunicação.”

Um comentário à laia de introdução sobre esta comunicação. É preciso lembrar que no contexto da tutela do património cultural imaterial (PCI) as Direcções Regionais de Cultura (DRC) assumiram recentemente um papel importante na salvaguarda deste património. Estas estruturas regionais são o resultado da fusão de vários serviços ligados ao património arqueológico e arquitectónico que existiam anteriormente com gestão autónoma. Para além disso, importa dizer que o campo de actuação destas novas estruturas veio a alargar-se significativamente no seguimento deste novo cenário administrativo despoletado pelo programa PRACE. Através de legislação específica (Decreto Regulamentar n.º 34/2007, de 29 de Março) ficou estipulado que em matéria de PCI as DRC deverão apoiar a inventariação de manifestações culturais tradicionais imateriais, individuais e colectivas, nomeadamente através do seu registo videográfico, fonográfico e fotográfico. (Art. 2.º, h). Por outro lado, deverão ainda apoiar agentes, estruturas, projectos e acções de carácter não profissional nos domínios artísticos e da cultura tradicional (Art. 2.º, c). Isto é, compete às Direcções Regionais de Cultura replicar a acção do Ministério da Cultura no território e, neste caso concreto, cabe-lhes um papel claramente instrumental em matéria de inventariação do PCI. Em linhas gerais pode dizer-se que as discrepâncias na forma de actuação das DRC neste domínio são evidentes, sendo a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (http://www.cultura-alentejo.pt/) a que efectivamente lançou um programa com sérias intenções em matéria de salvaguarda do PCI.
Paulo Lima enquadrou, em traços gerais, o trabalho que têm vindo a desenvolver neste domínio, nomeadamente assegurar a criação de uma rede de espaços no Alentejo, onde de algum modo se pudesse trabalhar com o imaterial e com as comunidades e, ainda, uma rede “Artes da Fala”, que implica por exemplo a organização de festivais para que haja lugar para a expressão destas manifestações. Sublinhou-se ainda o papel do inventário e a escolha de um “software” da empresa “Sistemas do Futuro” por permitir o cruzamento, em termos de inventário, com outros patrimónios, prevalecendo uma abordagem integrada do património.

jorNADAS ALxochet PCI 14

14 de Novembro
Workshop – “Questões de teoria e prática nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional”
Por Ana Morão, Lina Santos Mendonça e Teresa Amaral

“Abordagem dos três momentos nas recolhas de Literatura Oral e Tradicional: preparação, realização e tratamento. Cada um destes momentos implica outras questões relevantes, como a contextualização, a própria escolha do material audio-visual e, no após recolha, a transcrição e a classificação dos especímenes recolhidos. Outras questões prendem-se, ainda, com a sistematização dos “corpora” obtidos.”

Uma introdução ao tema referiu que a Literatura Oral Tradicional fazia parte do dia-a-dia das famílias, mas as alterações sócio-económicas e com o progresso tecnológico levaram a um certo desuso da Literatura Oral Tradicional. Por exemplo, a mecanização so trabalho levou ao desaparecimento das cantigas de trabalho. Como se disse, de certa maneira, o modo de vida urbano estendeu-se ao meio rural. E neste sentido os hábitos têm vindo a uniformizar-se. Sobre esta questão fez-se também referência ao papel da UNESCO, que tem vindo a chamar a atenção para estes problemas e cuja Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de 2003 é um documento emblemático nesta matéria. Sobre a designação “Literatura Oral Tradicional” (LOT), recorrente ao longo destas jornadas, trata-se de um termo adoptado pelo Centro de Tradições Populares (CTPP) para esta área de trabalho e que foi criada por João David Pinto Correia, actual director deste centro. Segundo Teresa Amaral, as composições de LOT são transmitidas de geração em geração, fazendo parte do património colectivo. “É aquele texto que fica na boca do povo. São textos “fixados”, recriados em cada performance, que conjugam vários discursos – linguístico, gestual e musical.” Como características gerais, as composições de LOT pontuam por apresentar um “conteúdo condensado, economia de meios expressivos, descrição praticamente ausente e por uma adjectivação reduzida.”
Coube a Lina Santos Mendonça fazer referência às questões que se prendem com a metodologia do trabalho de campo no âmbito da recolha da LOT, nomeadamente as fases que constituem o trabalho e várias recomendações gerais.
Falou-se ainda de sistemas de classificação para a LOT, designadamente a necessidade da classificação estar em contínua actualização, em consequência do trabalho de campo com as comunidades, que vai abrindo novas possibilidades. Ana Morão sublinhou os problemas associados à classificação, desde logo problemas que se prendem com a identificação, com a erosão do tempo e com a contaminação entre expressões, para referir apenas alguns.

CONF: Património Imaterial no Alentejo, 17 Maio 2008

mai 16, 2008

Entre hoje e amanhã decorre o Festival Internacional da Cantos Improvisados em Alcácer do Sal. O evento inclui performances ligadas a esta temática e um colóquio – « O Canto de Improviso como Património Imaterial: Metodologias de Inventário e Processos de Salvaguarda ».

A organização e coordenação cabe à Direcção Regional de Cultura do Alentejo e à Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Local: Auditório Municipal de Alcácer do Sal

A Direcção Regional de Cultura do Alentejo e o Munícipio de Alcácer do sal, preocupados com o estado actual da décima e do verso improvisado no Sul de Portugal, em particular do « Canto do Ladrão do Sado », e no âmbito do Programa para a Salvaguarda do Património Intangível do Alentejo (PI), assumiram em conjunto a intenção de proceder à salvaguarda destas práticas poético-musicais.

Esta intenção visa não só contribuir para um melhor conhecimento destas espressões, como também desenvolver um conjunto de acções práticas que possibilitem a sua salvaguarda e promoção aos níveis local, regional, nacional e internacional. Criar uma sustentabilidade social, económica daqueles que detêm as aptidões culturais consideradas fundamentais a este programa de salvaguarda, potenciando a sua transmissão é imperativo.

Estes objectivos só poderão ser alcançados num amplo e profundo diálogo no qual os improvisadores, poetas, músicos, investigadores e outros agentes participem, procurando encontrar soluções para a continuidade destas práticas poéticas fundamentais para a permanência da diversidade cultural do Alentejo.

A diversidade e o dálogo intercultural que a décima e o verso improvisado permitem entre pessoas de diferentes regiões, diferentes países e diferentes continentes, são um exemplo profundo do diálogo de Paz que o Património Intangível da cultura dos povos pode ajudar a construir, e que a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada pela UNESCO em 2003, e já ratificada pela Assembleia da República Portuguesa, assume e reconhece.

Com o colóquio « cantos de despique »- expressão portuguesa para o verso e o canto de improviso – pretende-se abir um espaço de reflexão sobre o que é o Património Intangível e o verso improvisado, bem como discutir metodologias de inventário e estratégias de salvaguarda, dando particular atenção a um conjunto de experiências desenvolvidas no Mediterrâneo e em Portugal.

(in programa)

Para mais informações consulte o Programa:
festival-internacional-cantos-improvisados

CONF: “Teatro Tradicional do Alentejo”, 5 Abril 2008

avril 4, 2008

CONF: “Teatro Tradicional do Alentejo”
Cine-Teatro Borba
©Ana Carvalho, 5 Abr. 2008

Amanhã, 5 de Abril (sábado) terá lugar uma importante inciativa sobre o Património Cultural Imaterial da Região do Alentejo. Trata-se de um colóquio subordinado ao tema “Teatro Tradicional do Alentejo”, que irá ter lugar no Cine-Teatro de Borba a partir das 14h30. O evento é organizado pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora.

Esta iniciativa, que tem como objectivo divulgar a importância do teatro tradicional do Alentejo como objecto do património imaterial desta Região, integra-se no âmbito do desenvolvimento do Projecto para a Promoção do Cante Alentejano e do Património Cultural Imaterial do Alentejo da DRCALEN, em articulação com diversas instituições e autarquias.

Este projecto de dimensão regional, visa potenciar e promover a continuidade das manifestações do património cultural imaterial identificadas no Alentejo em estreita ligação com as comunidades locais, com base na realização do inventário dessas manifestações e na construção de Planos de Salvaguarda, a partir de pólos representativos que abarcam toda a região.

Será, neste âmbito, assinado Protocolo entre as duas entidades já referidas, uma vez que o Município de Borba foi escolhido para acolher o pólo dedicado à área do teatro tradicional do Alentejo, não só por as duas colecções dos bonecos de Santo Aleixo serem oriundas de Borba, onde ainda residem alguns dos seus manipuladores, como por ser esta autarquia a detentora do espólio do estudioso Azinhal Abelho, fundamental para a construção da identidade da região e para o conhecimento da cultura popular e do teatro tradicional na região e no país.

Os oradores do colóquio serão José Russo, Director/Actor do CENDREV, que falará sobre os “Bonecos de Santo Aleixo: uma experiência de Recuperação do nosso Património Cultural”, a Prof.ª Doutora Christine Zurbach e o Dr. José Alberto Ferreira, sob o tema “ Investigar um objecto do Património: Os Bonecos de Santo Aleixo no Centro de História da Arte e de Investigação Artística da Universidade de Évora”, a Dr.ª Isabel Bezelga, também da Universidade de Évora, que irá falar sobre “As Brincas de Évora como caso de teatralidade popular e o seu contributo para o desenvolvimento das comunidades”, e, por último, o Dr. Paulo Lima, coordenador executivo do Projecto em causa, que apresentará uma comunicação com o título “O Teatro Tradicional do Alentejo no âmbito do Projecto para a Promoção do Cante Alentejano e do Património Imaterial do Alentejo da DRCAlen: Inventário e Salvaguarda”.

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PROGRAMA